PSD "institucional" nega estar à procura de instabilidade
O secretário-geral do PSD deu início esta segunda-feira aos trabalhos da Universidade de Verão do partido, a decorrer até domingo em Castelo de Vide, com a garantia de que a direcção de Pedro Passos Coelho não tem por "objectivo a procura da instabilidade". "Nós somos institucionais", assinalou Miguel Relvas, sem deixar de dizer que "chegou a hora de Portugal passar a ter um novo primeiro-ministro, uma nova equipa".
A direcção de Passos Coelho, ressalvou o vice-presidente do PSD, não tem "como objectivo a procura da instabilidade". O que não inviabiliza a conclusão de que "chegou a hora de Portugal passar a ter um novo primeiro-ministro, uma nova equipa". Mas apenas "quando tivermos de ter eleições".
Embora sublinhe que os actuais dirigentes laranjas sabem que a 20 de Setembro completa-se somente um ano da reeleição de Sócrates, Relvas argumenta que "a verdade é que parece que está a concluir a legislatura". E a culpa é da "voragem da vida política".
"O bom senso vai predominar"
No sábado, após uma visita à vila alentejana de Ourique, Cavaco Silva considerava que não valia "a pena fazer dramatismos, nem em relação ao Orçamento do Estado, porque não se conhece ainda nenhum Orçamento, nem em relação à revisão constitucional, porque não está em curso nenhum projecto de revisão constitucional".
"Por aquilo que sei, pela informação que tenho, não espero instabilidade política. Penso que todas as forças políticas estão muito conscientes da situação portuguesa, bastante difícil, que se impõe enfrentar", vincava então o Chefe de Estado, questionado sobre a eventualidade de uma crise política suscitada pela discussão do próximo Orçamento.
Cavaco voltou a recuperar a sua experiência enquanto primeiro-ministro de um governo sem o conforto da maioria absoluta: "Tenho muita dificuldade em entender toda a dramatização que aparece na comunicação social. Eu posso invocar a experiência própria porque presidi a um governo minoritário e tive que fazer negociações para que o Orçamento do Estado fosse aprovado".
"Eu não temo a instabilidade. Penso que haverá bom senso da parte de todas as forças políticas", concluiu o Presidente na mesma ocasião.
"Cortar a despesa inútil"
Na abertura do evento político de Castelo de Vide, Miguel Relvas tornou a enunciar algumas das condições impostas pela liderança de Pedro Passos Coelho para a viabilização do Orçamento do próximo ano. O Governo, afirmou o dirigente social-democrata, "tem de se convencer de que é possível fazer um bom OE em Portugal". "E esse bom Orçamento implica cortar nas despesas do Estado, cortar em muitos institutos públicos que nós já temos, cortar a despesa inútil que temos no Estado, de despesa supérflua que nós temos no Estado central, no Estado regional e no Estado local", insistiu.
"Não podemos caminhar sempre para a tentação do mais fácil, que nos arrasta de recessão em recessão", prosseguiu o secretário-geral do PSD, recordando que, em 15 anos, depois do consulado de Cavaco Silva à frente do poder executivo, Portugal "aumentou sempre a sua capacidade pelo lado da receita" e "nunca foi capaz de cortar na despesa, esse monstro".
No termo da sessão de abertura da Universidade de Verão, Miguel Relvas dirigiu-se aos jornalistas para retomar uma das ideias que pontuaram a sua intervenção, sustentando que o país tem "um primeiro-ministro que sofre da síndroma da bruxa má, um primeiro-ministro que todos os dias se vê ao espelho e diz espelho meu, espelho meu, quem é melhor do que eu".
"Há dois países para ele: o país dos problemas, o país dos outros e do povo português, e o seu país, que é um país de irrealidades e de ilusão, mas que não tem nada a ver com o dia-a-dia e com a dureza e as dificuldades com que os portugueses são confrontados", rematou.