Rui Tavares: "É importante aumentar o nível imunitário da democracia"

Rui Tavares: "É importante aumentar o nível imunitário da democracia"

No discurso de encerramento do XIV Congresso do Livre, o porta-voz do partido, Rui Tavares, enfatizou a necessidade de "aumentar o nível imunitário da democracia" perante "tempos difíceis". Acusou ainda o PSD de viver um momento de "total desorientação" e considerou que há "falta de capacidade" em definirem o que fazer "para além de mudar um logótipo e demitir umas pessoas".

RTP /
Foto: António Cotrim - Lusa

Dirigindo-se aos congressistas mas a falar para fora , Rui Tavares assumiu um cenário de eleições legislativas num futuro próximo, acusando o executivo de "desorientação ideológica, moral e ética" e denunciou a direita que "fundou o 25 de Abril", mas que deveria "distanciar-se, romper claramente com a extrema direita".

Perante as ameaças à democracia, o porta-voz do Livre defendeu a necessidade de reforçar a "resiliência da democracia", com lideranças colegiais. Para o partido, isso significa ter "lideranças jovens e locais" que saibam derrotar "discursos de ódio" ou defender "os cidadãos mais estigmatizados".
"Em cada cidade, em cada aldeia, começa a viragem contra a extrema-direita e contra o conservadorismo", vincou. 

Rui Tavares mencionou em especial a comunidade cigana, que é "vilmente atacada pela extrema-direita", bem como as "comunidades racializadas", pessoas que chegaram recentemente ao país ou pessoas LGBTQIA+.

A olhar para os próximos desafios do partido, o porta-voz lembrou as eleições na Madeira, afirmando que "é preciso acabar com o poder do jardinismo e do albuquerquismo". Já em relação às eleições europeias, Rui Tavares frisou que a Europa "começa aqui", em resposta aos que dizem que os eurodeputados "vão para a Europa".

Rui Tavares defendeu ainda uma sociedade "livre da intolerância, pobreza, ignorância, insustentabilidade, autoritarismos" e agradeceu aos partidos que estiveram presentes no congresso, mesmo aqueles que, não sendo de esquerda, "se reveem nos valores da democracia". Discordando em vários temas, todos têm de estar "do mesmo lado" na defesa de "direitos, liberdades e garantias", vincou.

"Continuaremos a dialogar com quem discordamos, com aqueles que estão do lado da democracia", acrescentou.

O porta-voz do Livre não deixou de assinalar o crescimento do partido nas últimas eleições, de um para quatro deputados. Recordou outros congressos em salas mais pequenas e com menor capacidade técnica. "Estávamos numa sala pequena com ideias grandes. Agora as salas cada vez mais começam a ter o tamanho das ideias que nós já temos", afirmou.

"Precisamos de todos", disse Rui Tavares, apelando à unidade do partido e à participação das listas candidatas ao Grupo de Contacto. "Todos os que se candidataram são os que ajudam a cumprir com os sonhos que já temos", acrescentou.
Lista de Rui Tavares vence com 61% dos votos
A lista A candidata ao Grupo de Contacto (direção) do Livre, encabeçada pela líder parlamentar, Isabel Mendes Lopes, e na qual o dirigente Rui Tavares é o número dois, obteve hoje 61% dos votos, conquistando 10 de um total de 15 lugares.

De acordo com os resultados anunciados pela presidente do 14.º Congresso, Patrícia Gonçalves, que decorre no pavilhão municipal da Costa de Caparica, em Almada, a lista 'B', encabeçada pela dirigente Natércia Lopes conquistou três lugares (22% dos votos) e a lista 'C', liderada por João Manso, conquistou dois eleitos (14%).

O Grupo de Contacto (direção), órgão executivo do Livre, teve pela primeira vez na história do partido três listas candidatas. Os 15 membros são eleitos de acordo com o método de Hondt, contando por isso com membros de ambas as listas.

Isabel Mendes Lopes, líder da bancada parlamentar e da lista vencedora, também falou aos congressistas no último dia. Frisou que o partido está no seu "melhor momento de sempre", apesar das circunstâncias.

"Mas se estamos no melhor momento de sempre do Livre não estamos no melhor momento de sempre do país, para a Europa e para o mundo", assinalou.

A líder parlamentar do Livre mencionou as "ameaças à democracia" e o "descredito das instituições", que se "avoluma de dia para dia".

Isabel Mendes Lopes lembrou ainda algumas das principais bandeiras do partido, desde logo o aumento do abono de família, a proposta de uma "herança social", para criar mais igualdade, mas também enunciou a "luta pelo tempo das pessoas", nomeadamente com a defesa da semana laboral de quatro dias.

A crise na habitação, a necessidade de regionalização e o alargamento do passe ferroviário também foram mencionados. Lembrou a importância de defender os direitos das mulheres e condenou ataques recentes da direita. "Todas as famílias são normais", vincou.

(c/ Lusa)
PUB