Santos Silva critica Seguro e lembra que este nunca mostrou oposição a Sócrates
Lisboa, 25 jun (Lusa) -- O antigo ministro socialista Augusto Santos Silva criticou hoje o líder do partido por este ter afirmado que não teria assinado o memorando com a `troika`, lembrando que Seguro nunca mostrou oposição a Sócrates quando a decisão foi tomada.
Santos Silva, que foi ministro nos dois Governos de José Sócrates, primeiro com a pasta dos Assuntos Parlamentares e depois com a da Defesa, afirmou, em declarações à agência Lusa, não se lembrar de qualquer tipo de oposição de António José Seguro aquando da negociação do memorando.
"Não me lembro, porque isso não existiu, que, na altura, o deputado António José Seguro tivesse exprimido reserva face a esse entendimento. Vi-o unido com o partido no apoio ao Governo nessas circunstâncias. Vir dizer agora que não teria assinado o memorando é, na minha opinião, confessar que não compreende as responsabilidades próprias de primeiro-ministro", disse Augusto Santos Silva à Lusa.
O secretário-geral do PS afirmou, terça-feira à Rádio Renascença, que não teria negociado o memorando de assistência externa assinado em 2011 e atualmente que se sente um "pássaro fora da gaiola" neste momento da vida interna socialista.
Santos Silva mostrou-se igualmente "espantado" com as declarações de Seguro, considerando que estas revelam "impreparação para ocupar o cargo de primeiro-ministro".
"Se o Governo português em 2011, nas condições em que estava - como Governo de gestão e com eleições antecipadas marcadas -- e depois de chumbado na Assembleia da República o PEC IV, que tinha sido negociado com as instituições europeias, não tivesse subscrito o memorando Portugal entraria em incumprimento", frisou o político.
Numa entrevista em que fez duras críticas à decisão do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, de avançar para a liderança do PS, António José Seguro também se referiu ao período final do segundo Governo liderado de José Sócrates, quando Portugal negociou o resgate financeiro com a ´troika` (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia).
"Um líder do PS, tal como entendo que deve ser um líder do PS, não enjeita nenhuma parte da História do partido e assume por inteiro o património, mas não trago nenhum passado de volta, porque estou concentrado no futuro. Se me dissesse que, se eu negociasse o memorando, se era este o memorando que tinha negociado, claro que não era", declarou António José Seguro à Renascença.