Seguro muda orientação de voto com leitura da proposta de OE2012

Seguro muda orientação de voto com leitura da proposta de OE2012

O Secretário-geral do Partido Socialista revelou a sua pretensão inicial de votar a favor da proposta governamental de Orçamento do Estado para 2012, intenção que se gorou com a leitura do documento que o colocou em “estado de choque” e que o levou a optar pela abstenção. Elogiado à direita, Seguro já foi criticado à esquerda.

RTP /
Seguro queria votar a favor mas o radicalismo da proposta fe-lo optar pela abstenção Tiago Petinga, Lusa

"Eu queria votar a favor do OE. Considero que a responsabilidade do PS era votar a favor, pela situação excecional em que vivemos, pelo facto de este ser o primeiro orçamento que decorre do compromisso que o PS negociou com a troika. Mas quando vi a proposta em concreto fiquei em estado de choque e disse não", justifica António José Seguro em entrevista dada ao semanário “Expresso”.

O chamado “desvio de quatro milhões” que o governo alega existir para justificar a atual proposta de Orçamento não colhe a simpatia de António José Seguro que discorda do valor anunciado e portanto das soluções daí decorrentes.

O sucessor de José Sócrates admite que se estivesse em causa apenas mais um Orçamento do Estado, a sua posição seria naturalmente que o seu partido votasse contra.

"Mas o que está em causa é a viabilização da continuação de Portugal na zona euro e a garantia de que continuará a receber os 78 mil milhões de euros que pediu e que o próprio PS negociou", sustenta na entrevista.

O líder socialista distingue o conteúdo do OE do "sinal político que um partido responsável deve dar": "O sinal político da abstenção é para defender Portugal. Este não é o meu OE, mas Portugal é o meu país e eu não volto as costas a Portugal", salienta.

Seguro enfatiza o facto de Portugal viver no momento presente "uma situação de emergência", afirmando que "só quem desconhece a situação" em que Portugal está – dependente de avaliações trimestrais para receber o cheque – "não percebe a importância de haver um grande consenso político.

O governo e a maioria parlamentar que o sustenta resultante da coligação entre o PSD e o CDS-PP, não necessita dos votos socialistas para aprovar a proposta de Orçamento do estado para 2012, mas Seguro afirma que "se não houvesse maioria absoluta", votaria a favor de qualquer Orçamento do Estado.

Francisco Louçã acusa Seguro e Passos de reunirem à sucapa

O líder do Bloco de Esquerda acusou entretanto os líderes do PS e do PSD de reunirem “à sucapa” sem darem disso conhecimento à população.

"O secretário-geral do PS não teve a simpatia de comunicar ao povo o que resultou das duas reuniões que teve nos últimos dias com Pedro Passos Coelho, que foram à socapa", disse, por ocasião de um debate público que decorreu na Biblioteca Municipal da Moita.

Comentando a decisão anunciada pelo PS de se abster na votação do Orçamento do Estado para 2012, Francisco Louçã defendeu o voto contra o orçamento.

"Sei que este não é o orçamento da Esquerda, é da Direita pura e dura, mas nós não voltamos as costas aos reformados e aos trabalhadores. Por isso, a Esquerda recusa o orçamento. No programa do PS parece que estava escrito que só queriam tirar o subsídio de férias, eu não o li, devia estar em letras muito pequenas", afirmou.

Miguel Relvas quer o PS envolvido no futuro do país
O Governo reagiu à decisão do PS de se abster na votação do Orçamento do estado para 2012. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, considerou positivo e importante que o Partido Socialista contribua para resolver os problemas do país.

"Positivo e importante que os partidos que subsreveram o memorando que foi assinado pelo anterior governo do Partido Socialista e que mereceu a concordância do CDS e do PSD, que estão hoje no governo possam contribuir neste momento particularmente difícil para Portugal, para podermos sair da situação delicada em que nos encontramos", afirmou.

"Temos medidas difíceis para implementar, temos um caminho muito apertado mas será com o apoio de todos porque quem vai fazer Portugal sair da situação em que se encontra hoje são os portugueses", concluiu.
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