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Sócrates e Jerónimo debatem políticas de direita e TVI

Sócrates e Jerónimo debatem políticas de direita e TVI

José Sócrates afirma não entender porque o PCP elegeu o PS como um dos principais alvos na luta eleitoral. Jerónimo de Sousa responde dizendo que o PS tem seguido ideias neo-liberais. O cancelamento do Jornal Nacional de Sexta da TVI, um espaço informativo conduzido por Manuela Moura Guedes foi outro dos temas do frente-a-frente.

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
O debate entre José Sócrates e Jerónimo de Sousa foi pautado pelo tom pacífico, educado e delicado Manuel de Almeida, Lusa

"Há de facto divergências de fundo da nossa parte com o Partido Socialista", admite Jerónimo, acusando "este Governo" de ter iniciado "uma ofensiva clara contra aquilo que deu uma contribuição decisiva para a sua construção, designadamente o Serviço Nacional de Saúde, em relação aos direitos dos trabalhadores, dos reformados".

"Este Partido Socialista é aquele que, afirmando-se defensor da economia de mercado, no essencial seguiu as orientações neo-liberais que determinam a União Europeia", acrescentou o secretário-geral do PS.

Jerónimo afirma que "nas questões estruturantes" o PS segue políticas de direita e questiona Sócrates sobre o desempenho do Governo num momento de crise. Num quadro de crise, com sacrifícios exigidos a trabalhadores e reformados, "como é que o Governo tratou aqueles que durante este período tiveram lucros abissais?", afirmou o secretário-geral comunista.

No tom cordato que caracterizou o debate, o actual primeiro-ministro apontou o aumento do salário mínimo "em termos reais, descontada a inflação", em 10 por cento. José Sócrates reivindica o maior aumento numa legislatura desde o 25 de Abril. O programa Novas Oportunidades, com mais de 900 mil inscritos, foi outro dos factores distintivos apontados por Sócrates.

"O problema não é a direita propor as políticas de direita. O problema é o Partido Comunista, em vez de atacar as políticas de direita ou ao mesmo tempo que ataca o PS, também atacar as políticas de direita", criticou Sócrates.

O primeiro-ministro não respondeu se pediria o apoio do PCP caso as eleições ditassem um governo socialista minoritário.

Relação com sindicatos

As "maiores mobilizações desde o 25 de Abril" tiveram origem "nas políticas erradas contrárias a esses interesses e direitos", explicou Jerónimo de Sousa, em relação à adesão os protestos de rua convocados pelo PCP. As manifestações verificaram-se porque as pessoas "se sentiam atingidas em direitos legítimos", acrescenta.

Às críticas de Jerónimo relativas a uma "má relação do Governo com os sindicatos", responde Sócrates com o elogio do papel dos sindicatos nas sociedades contemporâneas, "desde" que "sejam autónomos", "que não estejam ao serviço de nenhuma estratégia partidária".

Caso TVI

A polémica em torno da TVI e o aproveitamento político da suspensão do jornal de Manuel Moura Guedes foi um dos temas do debate. Tanto Sócrates como Jerónimo de Sousa esperam que o caso não tenha efeitos no momento do voto.

Jerónimo de Sousa defende a importância de uma averiguação para serem apurados todos os contornos do caso.

"Surgir uma notícia desta natureza, a confirmar-se seria muito preocupante no plano da liberdade de expressão", afirmou o representante do PCP, deixando claro que não insinua responsabilidades de Sócrates no cancelamento do noticiário de Moura Guedes.

"Eu nada tenho a ver com nenhuma mudança na TVI, nem o Governo, nem o Partido Socialista. O PS não se mete nisso, não é nossa responsabilidade. Por estarmos próximo de eleições e num período de campanha eleitoral também queremos que a administração da empresa se explique, que diga quais foram as razões e ver se estas explicações estão de acordo com a lei. Há uma entidade para isso: a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC)", quis sublinhar Sócrates.

O primeiro-ministro quis, ainda, garantir que não nunca teve contactos com a administração da Prisa e da Media Capital.

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