Sócrates e Jerónimo divergem sobre acordo de partidos

Sócrates e Jerónimo divergem sobre acordo de partidos

O primeiro-ministro demissionário lembrou que as medidas de austeridade que a missão internacional estará a preparar para Portugal têm de ser aprovadas pelos partidos do arco governativo. Na RTP, Jerónimo de Sousa alega que as “negociações” com o FMI não passam de um “simulacro”. A imprensa desta manhã avança com novas propostas do FMI.

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RTP/TVI

Jerónimo de Sousa não reconhece legitimidade ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e sustenta que a missão internacional, que ainda está a avaliar as contas do Estado português, vai impor velhas receitas: “É um simulacro de negociações, para além de considerarmos que se trata de uma intervenção ilegítima, que é preciso que alguém diga não”, afirmou Jerónimo de Sousa que rejeita a designação de “negociação” e opta pela de “imposição” para classificar as medidas exigidas pelo FMI em troca do empréstimo a Portugal para que este salde as suas dívidas já nos próximos meses.

Na perspetiva do secretário-geral do PCP, a entrada do FMI em Portugal foi impulsionada por uma “campanha fortíssima de quatro ou cinco banqueiros que, numa autêntica posição de cartel, procuraram determinar, influenciar, impor essa intervenção externa”. O líder do PCP também disse que não ficaria surpreendido se o próximo governo reunisse PS, PSD e CDS-PP. “Há uma grande identificação, tal como também há uma grande responsabilização desses três partidos pelo Estado em que deixaram o país”, afirma.

O secretário-geral comunista rejeitou que o PCP venha a integrar uma solução de governo com estes partidos, porque “seria para fazer a política de direita (…) Não nos ofereçam lugares, não nos ofereçam prendas”. Após uma análise das linhas aprovadas nos congressos, Jerónimo de Sousa considera que “só com uma grande reviravolta” o PCP poderia integrar um governo em conjunto com PS, PSD e CDS-PP.

Sócrates defende entendimento entre todos os partidos
O primeiro-ministro demissionário declarou, durante uma entrevista à TVI, estar disponível para um entendimento com os partidos depois das eleições. “Acho possível e desejável um entendimento entre o PS, o PSD e outros partidos que se disponham a cooperar para que se definam áreas de referência, para que o país possa enfrentar os seus problemas”, disse José Sócrates, defendendo antes “unidade” entre partidos.

“Podíamos ter evitado toda esta situação se tivéssemos negociado quando apresentamos o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), porque o PSD nem precisava de ter votado a favor, bastava-lhe uma atitude de abstenção”, acrescentou.

Questionado sobre o motivo do adiamento do pedido de ajuda externa já após a rejeição do PEC na Assembleia da República, que originou a sua demissão, Sócrates retorquiu ter defendido que, "se fosse possível financiar, quer o Estado, quer as nossas instituições bancárias, até haver eleições, teria sido preferível pedir ajuda depois das eleições".

O primeiro-ministro reconheceu que a posição dos banqueiros - em virtude dos sucessivos cortes no rating dos bancos e do aumento das dificuldades para obter financiamento externo - foi determinante para o pedido de intervenção da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI. No entanto, Sócrates também refere que a crise política foi o elemento impulsionador para o pedido de recurso a uma intervenção externa.

"A verdade é que os nossos bancos tinham já dificuldade em financiar-se junto do Banco Central Europeu (BCE). Isso poria Portugal exposto a riscos que achei que não podíamos continuar a correr -- e esses riscos são muito rápidos", justificou.

“Desde que foi aberta a crise política tornou-se quase inevitável que Portugal, mais tarde ou mais cedo, teria de pedir ajuda externa mas sempre tentei que fosse necessário. Então deveria ser um governo legitimado, resultante de eleições que deveria negociar esse programa”, disse.

Sócrates desvaloriza afastamento de Teixeira dos Santos

Sócrates garante que o ministro das Finanças chefia a delegação do Governo nos encontros com o FMI, cabendo ao ministro da Presidência a coordenação no diálogo com o Presidente da República e com os diferentes partidos, e classificou de “intriga" a ideia que o ministro das Finanças se encontre subalternizado nas negociações com os representantes internacionais.

“Nunca deixo cair um ministro”, afirmou, garantindo ainda que Jaime Gama e Luís Amado não constam das listas de candidatos a deputados socialistas por vontade própria.

Sócrates desvalorizou a ausência de Teixeira dos Santos nas listas do PS, considerando que “não tem significado político especial. Há sempre renovação nas listas de deputados”. Instado a comentar porque deixou caiu o número 2 da lista de deputados pelo Porto há um ano e meio, o primeiro-ministro refere que a situação política “é diversa” e que os partidos decidem sobre os convites a independentes “em função do momento”.

Na entrevista à TVI, José Sócrates acusou o PSD de fazer guerrilha ao governo com as sucessivas cartas a pedir esclarecimentos sobre as contas do Estado português, acusando os social-democratas de desejarem o pior programa de ajuda para Portugal. O também secretário-geral socialista criticou o PSD por apresentar condições às negociações pós-eleitorais.

Sócrates lembra que medidas têm de ser aprovadas por partidos

José Sócrates desmentiu e desvalorizou as notícias que diariamente a imprensa económica avança sobre medidas de austeridade em estudo pela missão internacional.

O primeiro-ministro demissionário aludiu à condição de gestão do atual Governo, motivo que obriga o programa de ajustamento ao acordo dos partidos do arco governativo.

A imprensa desta manhã imprensa avança com novas eventuais propostas dos técnicos da Comissão Europeia-Banco Central Europeu-FMI.

O “Diário Económico” escreve que os peritos internacionais querem o fim das deduções nas despesas com casa própria no IRS, cortando os apoios à compra e promovendo medidas de incentivo ao arrendamento.

A exposição da Caixa Geral de Depósitos (CGD) ao Banco Português de Negócios (BPN) esteve em debate na semana passada, segundo o “Público”, que cita o presidente da CGD. O plano de resgate poderá incluir uma linha específica destinada a liquidar os empréstimos que a CGD concedeu ao BPN, deixando o futuro deste banco de depender unicamente do Governo.

O “Correio da Manhã” avança que os negociadores ponderam a extinção do subsídio de férias dos reformados, para evitar penalizar ainda mais os trabalhadores no ativo. O corte total do 14.º mês poderá permitir a poupança de 1,6 mil milhões de euros na Segurança Social e na Caixa Geral de Aposentações.
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