Sondagem mostra PSD a perder terreno

Sondagem mostra PSD a perder terreno

A sondagem da Universidade Católica, divulgada na sexta-feira, está focada em hipotéticas eleições legislativas e indica uma consolidação do PS à cabeça das intenções de voto, com o PSD, na segunda posição, a ficar mais longe da dianteira. A CDU consolida o terceiro lugar e o CDS, em quinto, atrás do BE, regista uma ligeira subida, insuficiente para compensar o recuo do PSD. Somadas as votações dos dois partidos de Governo, elas continuariam a ficar abaixo da votação do PS.

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Em relação a uma sondagem de Julho passado, o PS poderá subir ligeiramente, de 35 para 36 por cento, ao passo que o PSD deverá descer de 32 para 30 por cento. A diferença entre ambos, que era de 3 por cento, atinge agora os 6 por cento.

As três forças políticas seguintes do ranking têm oscilações menores ou dentro da margem de erro. Tomando ainda como referência Julho de 2013, a CDU sobe de 11 para 12 por cento, o BE mantém os 7 por cento e o CDS-PP sobe de 3 para 4 por cento. Coligado nas próximas eleições europeias com o PSD, o CDS não atinge, mesmo com esta ligeira subida, suficientes intenções de voto para fazer maioria com o PSD no cenário de eleições legislativas a que a sondagem se refere.

A intenção de votar branco ou nulo recua, dos 9 por cento anteriores para 7 por cento – o que continua próximo do máximo histórico atingido nas anteriores eleições europeias. A abstenção poderia andar pelos 34 por cento, se se somarem os inquiridos que têm a certeza de não ir votar (20 por cento), com os que não sabem se irão (14 por cento). Mas a margem de incerteza pode ser maior neste caso: parte dos que não sabem se irão pode finalmente decidir-se a votar, sendo que parte dos que “em princípio” iriam pode também mudar de ideias em sentido inverso.
Mau Governo, primeiro-ministro impopularA avaliação de desempenho do Governo mantém-se relativamente próxima da que transparecia na sondagem de Julho passado. Desce ligeiramente a percentagem de inquiridos que o consideram “muito mau” (de 42 para 40 por cento) tal como a dos que o consideram “mau” (de 35 para 33 por cento). Correlativamente, sobe, com um pouco mais de significado, a percentagem dos que o consideram “bom” (de 15 para 19 por cento), e de forma pouco expressiva a minoria residual que o considera “muito bom” (de 1 para 2 por cento). Em qualquer caso, o total dos inquiridos que consideram o Governo “mau” ou “muito mau” mantém-se nuns muito eloquentes 73 por cento.

Com este pano de fundo, não surpreende que o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e o vice-primeiro-ministro Paulo Portas sejam as figuras políticas mais negativamente avaliadas pelos inquiridos, ambos com uma avaliação média de 6,5 numa escala de 0 a 20. Segue-os de perto, nessa posição de lanterna vermelha, o presidente da República, Cavaco Silva, com uma avaliação de 7,6. E, logo a seguir, vem o líder do PS, com 7,7. O “chumbo” atinge especialmente, por esta ordem, os partidos do Governo, o presidente e o partido oposicionista do chamado “arco da governação”.

Note-se, enfim, que esse “chumbo” só muito ligeiramente se atenua devido ao aumento das avaliações positivas registado desde Julho passado: Passos Coelho sobe de 34 para 37 por cento, Paulo Portas de 31 para 35, Cavaco de 46 para 48 e Seguro de 42 para 44.
Subida à esquerda, mas em ambiente de cepticismoNa avaliação média das figuras políticas, o comunista Jerónimo de Sousa fica à frente dos outros líderes partidários, com 9,0 na já citada escala de 0 a 20, seguido pelos bloquistas Catarina Martins (com 8,5) e João Semedo (com 8,1). Nas suas avaliações médias e positivas, os dirigentes das oposições anti-Governo e anti-memorando são também os que registam avanços verdadeiramente inequívocos – por contraste com as oscilações mornas, embora de tendência ascendente, nos partidos do “arco da governação”.

Contudo, nenhum partido tem motivos para euforia na leitura desta sondagem. As figuras políticas, mesmo as da oposição mais determinada, têm, todas, avaliação média negativa na escala de 0 a 20, sendo Jerónimo de Sousa e Catarina Martins os únicos que, tangencialmente, obtêm avaliação positiva de mais de metade dos inquiridos que os conhecem (algo que, no caso de Catarina Martins, tem um significado relativo, porque apenas 43 por cento dos inquiridos declaram conhecê-la).

O cepticismo sobre as figuras partidárias bate certo com a visão pessimista que a maioria dos inquiridos manifesta sobre o futuro próximo. Só 35 por cento acreditam na chamada “saída limpa”, ao passo que 43 por cento pensam que será necessário um novo programa de assistência. Perante esta perspectiva, quase metade (49 por cento) prevê para o próximo ano medidas de austeridade mais duras, mais de um terço (34 por cento) prevê que essas medidas se mantenham, e só uma pequena minoria (11 por cento) espera um desagravamento da austeridade.

Sobre os efeitos da política de austeridade, mais de metade continua a considerá-los negativos, ao passo que um pouco mais de um terço (34 por cento) os considera positivos. Tomando como referência a sondagem de Julho passado, o pessimismo atenuou-se apesar de tudo - mas continua profundamente enraizado.

E é um pessimismo que se estende também à oposição: só 23 por cento respondem afirmativamente à pergunta sobre se algum outro partido faria melhor que o actual Governo. Para 58 por cento, nenhum partido de oposição faria melhor.

Quando se trata de saber qual dos partidos de oposição teria uma alternativa à política deste Governo, naturalmente é o PS a liderar as respostas afirmativas, com 49 por cento, contra 16 da CDU e 11 do BE. Mas esta percentagem do PS é metade dos 23 por cento que confiam numa oposição capaz de fazer diferente. Ou seja: uma parte muito significativa dos inquiridos que manifestaram uma intenção de voto favorável ao PS não confiam em que o mesmo PS, uma vez no Governo, vá adoptar uma política substancialmente diversa da actual.


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