Thomati, João Carlos Silva e Rui Pedro Soares deixam Administração
Um acordo entre os accionistas do Taguspark levou à saída de todos os administradores - Américo Thomati, João Carlos Silva e Rui Pedro Soares - à excepção de um vogal, que não aceitou a negociação. Estes administradores foram constituídos arguidos por suspeita de corrupção passiva para acto ilícito no caso das contrapartidas alegadamente dadas a Figo para que o ex-jogador apoiasse José Sócrates nas Legislativas de 2009.
A saída dos administradores foi decidida por unanimidade no decorrer de uma assembleia-geral de accionistas. O acordo, visando a dissolução do Conselho de Administração da empresa, que gere o parque tecnológico de Oeiras, tinha primeiramente como objectivo afastar Américo Thomati e João Carlos Silva, acabando por ser depois decidida também a saída de Rui Pedro Soares e restantes administradores não executivos, que colocaram em cima da mesa os pedidos de demissão.
Estes três administradores foram constituídos arguidos pelo Ministério Público por suspeita de corrupção passiva para acto ilícito num processo que surgiu das escutas telefónicas do Face Oculta, quando surgiram suspeitas de contrapartidas que a PT e a Taguspark terão dado a Luís Figo para garantir o seu apoio a José Sócrates durante a campanha das Legislativas de 2009.
O acordo que verteu da decisão dos accionistas foi anunciado pelo presidente da assembleia-geral, Isaltino Morais, igualmente presidente da Câmara de Oeiras, que é accionista de referência da Taguspark.
Isaltino recusa comentar "questões que são da justiça"
De acordo com Isaltino Morais, o afastamento da Administração justifica-se face ao "mediatismo negativo" que está a envolver o parque tecnológico e que "não é vantajoso para o Taguspark".
"Na sequência de toda esta polémica, (a Administração) entendeu por bem apresentar proposta de cessação", explicou o autarca e presidente da assembleia-geral aos jornalistas.
No entanto, Isaltino acrescentaria que não foi o "envolvimento judicial" dos seus elementos que originou a dissolução do Conselho de Administração, preferindo apontar a "avaliação feita" neste momento pelos accionistas.
Ficou ainda decidido que os administradores de saída não terão direito a indemnizações, assegurando apenas os vencimentos de Maio e Junho. Para 8 de Junho ficou convocada uma nova assembleia-geral, durante a qual será eleito o novo Conselho de Administração do Taguspark.