Trabalhos do Livre marcados por divergências sobre a rede de autarcas

Trabalhos do Livre marcados por divergências sobre a rede de autarcas

O partido está reunido em Sintra para escolher um novo porta-voz.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: António Pedro Santos - Lusa

Os trabalhos do 17.º Congresso do Livre ficaram esta tarde marcados por divergências sobre o funcionamento da rede de autarcas do partido, além de apelos para uma maior autonomia dos núcleos territoriais.

O encontro decorre em Sintra e é marcado pela saída de Rui Tavares do cargo de porta-voz do partido.


As listas que se candidatam à direção apelam a uma maior democracia interna. criticando o que dizem ser a excessiva centralização nas figuras dos porta-vozes.

Jorge Pinto e Isabel Mendes Lopes lideram uma das listas candidatas ao Grupo de Contacto e apresentaram perante o congresso a sua visão para o futuro do partido.

Jorge Pinto defende que o partido "é o futuro da esquerda" e acusou o PS de "passar cheques em branco" ao Governo, avisando que não o fará: "É graças a cada uma e a cada um de vocês que provou que o Livre é o partido que Portugal precisa, que o Livre é o futuro da esquerda, quer queiram, quer não queiram", defendeu.

No seu primeiro discurso perante o congresso, o candidato à liderança acusou o PS de "passar cheques em braço" ao Governo e de pré-aprovar orçamentos de Estado "independentemente do que lá está".

"Não é esta a nossa política, não é esta a maneira de nós vermos a política. Uma esquerda que esteja na oposição tem de ser uma esquerda muito mais forte, muito mais ágil e muito mais clara em relação àquilo que defende. E connosco vos garanto, amigas e amigos, não haverá nunca nenhum cheque em branco, seja a quem seja", assegurou.

Pela mesma lista, a atual porta-voz e recandidata, traçou como objetivo fazer o Livre crescer e defendeu que "está aqui a refundação da esquerda".

Nem tudo foi consenso

Depois de uma manhã marcada pelos discursos de Rui Tavares, e dos candidatos à direção do Livre Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, a discussão das moções de caráter específico decorreram ao longo de três horas, num ambiente morno, sem grandes divergências, até à intervenção de Martim Freitas.

Martim Freitas apelou ao voto contra duas moções: uma que propõe a criação da "Rede GEI - Género, Emancipação, Interseccionalidade" no partido, e outra de uma Linha de Contacto, Acolhimento e Solidariedade Ativa do Livre, intitulada CASA, para apoiar pessoas que sejam alvo de discurso de ódio.

Martim Freitas alertou que o partido cria estruturas e depois não lhes dá continuidade, dando como exemplo a rede de autarcas, criada em outubro "mas que ainda não está a funcionar".

"Não chega plantar a semente".

Safaa Dib, do núcleo duro do Livre, classificou esta crítica como "injusta e descabelada", admitindo que a rede ainda não está a funcionar em pleno mas "ainda está a dar os primeiros passos".

O deputado Paulo Muacho defendeu que o Livre "está a crescer e precisa de responder aos problemas" que encontra. Defendendo que é preciso "melhorar o que está mal", o parlamentar apelou a um trabalho conjunto: "Não é uns fazerem e outros ficarem a criticar".

c/ Lusa
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