Política
Presidenciais 2026
Ventura contra país "sem rei nem roque" recusa apelar ao voto
"Está tudo alagado", descreve José Gonçalves, diretor de enoturismo da herdade da Figueirinha, distrito de Beja, perante um cenário de videiras alagadas e debaixo de uma chuva intensa que não dá tréguas.
Foto: Tiago Petinga/LUSA
Estima que mais de metade dos 300 hectares da empresa, que se dedica à produção de vinho e azeite, tenham sido afetados pelo agravamento das condições meteorológicas nos últimos dias. As vinhas, habituadas ao clima quente e seco do Baixo Alentejo, estão rodeadas de lama. “Isto vai fazer com que a própria planta vá apodrecer. Porque a vinha e o olival não quer muita água”, acrescenta José Gonçalves.
É mais uma empresa afetada pela tempestade e que André Ventura faz questão de visitar em campanha – campanha que, assumiu o próprio na semana passada, foi adaptada com a passagem da depressão Kristin. O candidato à Presidência da República insiste que se quer focar na “crise” que o país atravessa. As críticas são dirigidas, sobretudo, ao Governo. “A atuação do Estado foi também uma depressão, verdadeiramente. Acho que foi tudo desastroso”, atira o líder do Chega.
Sobre o adversário António José Seguro, repete que o candidato apoiado pelo PS só diz “generalidades” e desafia os portugueses a fazerem uma escolha. “Se querem um presidente que diz sempre a mesma coisa, ali num ambiente tipo de conversas à lareira, ou se querem alguém que tome mesmo decisões, que faça as coisas e que diga o que tem que ser dito, mesmo que isso às vezes custe ouvir”, sublinha Ventura.
Num dia em António José Seguro defendeu que a eleição de André Ventura irá representar cinco anos de turbulência e divisão, o presidente do Chega rejeita apelar ao voto. "Não me parece fazer sentido que a minha mensagem seja de apelo ao voto, parece-me que a minha mensagem deve ser: resolvam os problemas destas pessoas”, afirma, em declarações aos jornalistas. “Quando chegar o momento, as pessoas decidirão quem tem o melhor perfil. E eu acho que já dei provas de que tenho o perfil que decide e não de deixar tudo na mesma”, acrescenta o líder do Chega, admitindo que a estratégia acarreta “riscos políticos”. ”É uma questão que domingo cá estaremos para analisar”, acrescenta.
Durante a manhã, André Ventura aproveitou uma visita ao Comando Territorial da GNR de Beja – visita que a comunicação social não pôde acompanhar – para recuperar uma bandeira antiga do Chega: a segurança. “Nós temos tido relatos de roubos e assaltos [nas zonas afetadas pela tempestade], mesmo de pessoas que se estão a juntar para reunir bens essenciais”, afirma o candidato a Belém. “Espero que as forças policiais e também o sistema de justiça sejam muito, muito firmes. Porque estamos numa altura muito particular em que roubar neste momento não é a mesma coisa do que fazê-lo noutra altura”, conclui.
Ainda à boleia da resposta à crise, André Ventura pede “ordem” e defende que o país está “sem rei nem roque”. “Nós temos de ter um estado em prontidão. E o que temos tido, infelizmente, parece um bocado uma república das bananas. Com um comandante da Proteção Civil a ausentar-se enquanto estamos a enfrentar tempestades. Com o Presidente da República a ir para fora quando as pessoas estão a precisar de ajuda. Com o Presidente da Proteção Civil a dizer que não precisamos nada de acionar o Mecanismo Europeu de Proteção mas os autarcas a dizer que sim”, exemplifica o candidato presidencial.