Política
Ventura culpa Governo e PS por preços "imorais"
Na abertura do debate parlamentar de urgência sobre o cabaz alimentar, combustíveis e habitação, marcado pelo Chega, o presidente do partido culpou o Governo e o PS pelo aumento do custo de vida, traduzido em preços que atingiram um nível "imoral” na sequência do conflito no Médio Oriente.
O presidente do Chega responsabiliza o Governo e o PS pelo aumento do custo de vida, com a bancada socialista a acusar André Ventura de apoiar “o amigo Donald Trump” na guerra contra o Irão.
Na abertura do debate parlamentar de urgência marcado pelo Chega, André Ventura considerou que os preços do cabaz alimentar, combustíveis e habitação atingiram “um nível verdadeiramente imoral” em resultado do conflito no Médio Oriente.
“A receita do Estado com o ISP (imposto sobre os produtos petrolíferos) está no seu valor mais elevado de sempre. Isso significa que o Estado está a lucrar mais do que nunca com o ISP cobrado aos portugueses. Isto significa também que o Governo pode e deve fazer mais nesta matéria”, acusou o líder do Chega.
Neste contexto, Ventura apresentou exemplos de países como Espanha, França e Grécia, que “anunciaram medidas implacáveis” para conter o aumento dos combustíveis, e destacou sobretudo o caso de Itália, país liderado por um Governo “liberal e de direita, que sabe que […] não podemos ter uma guerra da qual não fomos culpados, da qual não temos responsabilidade, mas em que o Estado, em vez de ajudar os seus cidadãos, lucra à conta dos seus cidadãos”.
Ventura comparou o atual Governo com o anterior executivo socialista, dizendo que ambos atuaram da mesma forma na resposta às crises energéticas, enquanto da bancada do PS de ouviam apartes como “diz ao Trump”, numa referência ao presidente dos Estados Unidos, país que, juntamente com Israel, começou o conflito com o Irão.
“É verdade, talvez Donald Trump tenha a sua culpa, mas António Costa tem muito mais culpa do que Donald Trump na miséria que causou aos portugueses”, afirmou, referindo-se ao anterior primeiro-ministro socialista.
O líder do Chega defendeu que deve ser aplicada uma taxa de 0% de IVA ao cabaz alimentar, avisando os deputados que se o parlamento nada fizer, será também responsável “pela maior miséria dos nossos concidadãos”.
Num pedido de esclarecimento, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, defendeu que o principal culpado do aumento de combustíveis “é o atual Presidente dos Estados Unidos”, Donald Trump.
“É o seu amigo, de quem foi à posse. E a responsabilidade é, do ponto de vista político nesta casa, em primeira ordem sua. É certo, o Governo podia ser mais lesto, mas cada vez que um português vai à bomba de gasolina e olha para o preço diz: cá está o preço de André Ventura e do seu amigo”, ironizou.
Brilhante Dias considerou que, se um dia “a extrema-direita chegasse ao poder” em Portugal, seria este o resultado: “um aumento de preços irresponsável”.
Na resposta, Ventura defendeu que Portugal e a maioria dos países europeus “estiveram bem em não alinhar totalmente com aquilo que tinha sido uma ação americana no Irão”.
Este debate parlamentar de urgência aconteceu na tarde em que a DECO contabilizou um novo valor máximo do cabaz essencial de 63 produtos, que, segundo um comunicado divulgado pela associação de defesa do consumidor, atingiu esta semana um recorde de 257,95 euros, mais 2,95 do que na semana passada. É o valor mais alto desde 2022, quando a DECO Proteste começou a fazer esta monitorização.
A cesta alimentar inclui carne, peixe, congelados, frutas e legumes, laticínios e mercearia. Entre outros, são considerados produtos como peru, frango, carapau, pescada, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.
Há um ano, comprar estes produtos custava menos 19,79 euros. No início de 2022, os consumidores gastavam menos 70,25 euros com as mesmas aquisições.
Nas maiores subidas verificadas entre 1 e 8 de abril, destacam-se produtos como a massa esparguete, que aumentou 24% para 1,18 euros, a massa espiral, que encareceu 18% para 1,37 euros e o atum posta em óleo vegetal, que ficou mais caro 16% para 1,65 euros.
Já em comparação com o mesmo período do ano passado, a maior subida verificou-se no carapau (55%), seguido pela couve-coração (49%) e pelos brócolos (42%).
Na abertura do debate parlamentar de urgência marcado pelo Chega, André Ventura considerou que os preços do cabaz alimentar, combustíveis e habitação atingiram “um nível verdadeiramente imoral” em resultado do conflito no Médio Oriente.
“A receita do Estado com o ISP (imposto sobre os produtos petrolíferos) está no seu valor mais elevado de sempre. Isso significa que o Estado está a lucrar mais do que nunca com o ISP cobrado aos portugueses. Isto significa também que o Governo pode e deve fazer mais nesta matéria”, acusou o líder do Chega.
Neste contexto, Ventura apresentou exemplos de países como Espanha, França e Grécia, que “anunciaram medidas implacáveis” para conter o aumento dos combustíveis, e destacou sobretudo o caso de Itália, país liderado por um Governo “liberal e de direita, que sabe que […] não podemos ter uma guerra da qual não fomos culpados, da qual não temos responsabilidade, mas em que o Estado, em vez de ajudar os seus cidadãos, lucra à conta dos seus cidadãos”.
Ventura comparou o atual Governo com o anterior executivo socialista, dizendo que ambos atuaram da mesma forma na resposta às crises energéticas, enquanto da bancada do PS de ouviam apartes como “diz ao Trump”, numa referência ao presidente dos Estados Unidos, país que, juntamente com Israel, começou o conflito com o Irão.
“É verdade, talvez Donald Trump tenha a sua culpa, mas António Costa tem muito mais culpa do que Donald Trump na miséria que causou aos portugueses”, afirmou, referindo-se ao anterior primeiro-ministro socialista.
O líder do Chega defendeu que deve ser aplicada uma taxa de 0% de IVA ao cabaz alimentar, avisando os deputados que se o parlamento nada fizer, será também responsável “pela maior miséria dos nossos concidadãos”.
Num pedido de esclarecimento, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, defendeu que o principal culpado do aumento de combustíveis “é o atual Presidente dos Estados Unidos”, Donald Trump.
“É o seu amigo, de quem foi à posse. E a responsabilidade é, do ponto de vista político nesta casa, em primeira ordem sua. É certo, o Governo podia ser mais lesto, mas cada vez que um português vai à bomba de gasolina e olha para o preço diz: cá está o preço de André Ventura e do seu amigo”, ironizou.
Brilhante Dias considerou que, se um dia “a extrema-direita chegasse ao poder” em Portugal, seria este o resultado: “um aumento de preços irresponsável”.
Na resposta, Ventura defendeu que Portugal e a maioria dos países europeus “estiveram bem em não alinhar totalmente com aquilo que tinha sido uma ação americana no Irão”.
“Nós somos, acima de tudo, europeus e defendemos, acima de tudo, os interesses do nosso continente europeu”, afirmou.
Executivo contra “facilitismos”
Pelo Governo, o ministro dos Assuntos Parlamentares rejeitou a adoção de “soluções ilusórias” que arrisquem a “estabilidade orçamental” do país, depois de a oposição ter pedido mais ação ao executivo. Carlos Abreu Amorim afirmou que o executivo “compreende bem a angústia” dos portugueses mas rejeitou “o caminho do facilitismo”, argumentando que o equilíbrio orçamental é “a chave do sucesso” para Portugal enfrentar esta crise.
“E quem não perceber isto acaba por não perceber nada porque nas horas de maior aflição, se não tivermos este cuidado então ficaremos desprevenidos”, alertou. Garantias de preparação foram também verbalizadas pelo Secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Barroca, afirmando o foco na “segurança do abastecimento nacional e na minimização do impacto desta crise na competitividade das empresas e no bem-estar das famílias”.
O social-democrata Emídio Guerreiro lembrou circunstâncias extraordinárias recentes que colocaram o país perante três acontecimentos graves: as tempestades, depois as cheias, e agora a guerra no Médio Oriente, para concluir que o Governo “tem estado a agir na medida dos seus recursos e o Orçamento do Estado não é um saco sem fundo”.
Pelo CDS, João Almeida refutou a ideia de que o Governo está a ganhar com esta situação através da carga fiscal e sublinhou que o executivo tem de ir adaptando a sua resposta perante a imprevisibilidade do contexto.
Paralisia, remendos e contradições
Contudo, do lado da oposição, todos pediram mais ação ao executivo. Pelo Chega, André Ventura considerou que o país precisa de “um Governo que aja” e considerou que o executivo “tem sido ineficaz”.
Já o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, apontou que “responsabilidade não é um sinónimo de paralisia”.
Ambos apontaram ao Governo que em 2022, Luís Montenegro, ainda na oposição, disse ser contra a criação de uma nova taxa sobre os lucros extraordinários em setores como a banca ou as energéticas, mas agora integra uma proposta europeia nesse sentido.
Pela IL, a presidente Mariana Leitão criticou o Governo por “continuar a ganhar dinheiro com a subida do preço dos combustíveis” através da receita fiscal e pediu uma diminuição dos impostos, afirmando que “remendos não chegam”.
A deputada Patrícia Gonçalves, do Livre, considerou “no mínimo irónico” que o Chega tenha agendado o debate, que não seria necessário “não fosse a agenda de Donald Trump”, e apontou que Ventura “não fala dos lucros das grandes empresas com o aumento das margens de lucro” porque “isso já não lhe interessa”.
Alfredo Maia, do PCP, notou que muitos partidos defendem a diminuição da carga fiscal no preço dos combustíveis, mas “as margens de lucro são intocáveis e ninguém parece estar disposto a abolir nesse terreno sagrado”, alertando que “sem essa redução não está garantido que qualquer alívio fiscal não seja absorvido pelas grandes empresas”.
O deputado único do BE, Fabian Figueiredo, pediu ao Governo que veja as medidas aplicadas em Espanha, a líder do PAN, Inês Sousa Real, alertou para a necessidade de aumentar os apoios sociais do cartão social de refeição, e o deputado do JPP, Filipe Sousa, defendeu que “é tempo de esquecer a norma-travão” para auxiliar empresas e famílias.
Pelo Governo, o ministro dos Assuntos Parlamentares rejeitou a adoção de “soluções ilusórias” que arrisquem a “estabilidade orçamental” do país, depois de a oposição ter pedido mais ação ao executivo. Carlos Abreu Amorim afirmou que o executivo “compreende bem a angústia” dos portugueses mas rejeitou “o caminho do facilitismo”, argumentando que o equilíbrio orçamental é “a chave do sucesso” para Portugal enfrentar esta crise.
“E quem não perceber isto acaba por não perceber nada porque nas horas de maior aflição, se não tivermos este cuidado então ficaremos desprevenidos”, alertou. Garantias de preparação foram também verbalizadas pelo Secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Barroca, afirmando o foco na “segurança do abastecimento nacional e na minimização do impacto desta crise na competitividade das empresas e no bem-estar das famílias”.
O social-democrata Emídio Guerreiro lembrou circunstâncias extraordinárias recentes que colocaram o país perante três acontecimentos graves: as tempestades, depois as cheias, e agora a guerra no Médio Oriente, para concluir que o Governo “tem estado a agir na medida dos seus recursos e o Orçamento do Estado não é um saco sem fundo”.
Pelo CDS, João Almeida refutou a ideia de que o Governo está a ganhar com esta situação através da carga fiscal e sublinhou que o executivo tem de ir adaptando a sua resposta perante a imprevisibilidade do contexto.
Paralisia, remendos e contradições
Contudo, do lado da oposição, todos pediram mais ação ao executivo. Pelo Chega, André Ventura considerou que o país precisa de “um Governo que aja” e considerou que o executivo “tem sido ineficaz”.
Já o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, apontou que “responsabilidade não é um sinónimo de paralisia”.
Ambos apontaram ao Governo que em 2022, Luís Montenegro, ainda na oposição, disse ser contra a criação de uma nova taxa sobre os lucros extraordinários em setores como a banca ou as energéticas, mas agora integra uma proposta europeia nesse sentido.
Pela IL, a presidente Mariana Leitão criticou o Governo por “continuar a ganhar dinheiro com a subida do preço dos combustíveis” através da receita fiscal e pediu uma diminuição dos impostos, afirmando que “remendos não chegam”.
A deputada Patrícia Gonçalves, do Livre, considerou “no mínimo irónico” que o Chega tenha agendado o debate, que não seria necessário “não fosse a agenda de Donald Trump”, e apontou que Ventura “não fala dos lucros das grandes empresas com o aumento das margens de lucro” porque “isso já não lhe interessa”.
Alfredo Maia, do PCP, notou que muitos partidos defendem a diminuição da carga fiscal no preço dos combustíveis, mas “as margens de lucro são intocáveis e ninguém parece estar disposto a abolir nesse terreno sagrado”, alertando que “sem essa redução não está garantido que qualquer alívio fiscal não seja absorvido pelas grandes empresas”.
O deputado único do BE, Fabian Figueiredo, pediu ao Governo que veja as medidas aplicadas em Espanha, a líder do PAN, Inês Sousa Real, alertou para a necessidade de aumentar os apoios sociais do cartão social de refeição, e o deputado do JPP, Filipe Sousa, defendeu que “é tempo de esquecer a norma-travão” para auxiliar empresas e famílias.
Cabaz alimentar em valores recorde
A cesta alimentar inclui carne, peixe, congelados, frutas e legumes, laticínios e mercearia. Entre outros, são considerados produtos como peru, frango, carapau, pescada, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.
Há um ano, comprar estes produtos custava menos 19,79 euros. No início de 2022, os consumidores gastavam menos 70,25 euros com as mesmas aquisições.
Nas maiores subidas verificadas entre 1 e 8 de abril, destacam-se produtos como a massa esparguete, que aumentou 24% para 1,18 euros, a massa espiral, que encareceu 18% para 1,37 euros e o atum posta em óleo vegetal, que ficou mais caro 16% para 1,65 euros.
Já em comparação com o mesmo período do ano passado, a maior subida verificou-se no carapau (55%), seguido pela couve-coração (49%) e pelos brócolos (42%).
(Com Lusa)