Verdes e GUE pedem demissão de presidente do PE após declarações sobre Mussolini

por Lusa

Os grupos dos Verdes e do GUE no Parlamento Europeu (PE) pediram hoje a demissão do presidente do hemiciclo, após declarações de Antonio Tajani sobre Mussolini que o próprio já disse terem sido retiradas do contexto.

"As declarações do presidente do Parlamento Europeu são indignas e absolutamente inaceitáveis. Antonio Tajani deve desdizer as suas declarações que banalizam o fascismo ou demitir-se", declarou a presidente do grupo dos Verdes, Ska Keller.

Por seu lado, o GUE (grupo que integra os eurodeputados eleitos pelo PCP e a do Bloco de Esquerda) salientou que as declarações de Tajani são "ultrajantes e completamente inaceitáveis".

"Como é que alguém que representa a principal instituição democrática na UE repete os mesmos velhos `slogans` que os fascistas e a extrema-direita têm usado desde o fim da guerra para justificar o regime de Mussolini?", questiona o grupo em comunicado.

Na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, o porta-voz do executivo comunitário, questionado sobre o tema, disse que Tajani "já explicou a sua posição", adiantando nada haver a acrescentar.

Antonio Tajani defendeu esta quarta-feira que o ditador italiano Benito Mussolini "fez coisas positivas", designadamente ao nível das infraestruturas, declarando-se, contudo, um "antifascista convicto".

"Até ter declarado guerra ao mundo inteiro, secundando Hitler, e ter promovido as leis raciais (contra judeus, a partir de 1938), à parte do assunto dramático do [assassínio do líder socialista Giacomo] Matteotti, fez coisas positivas", disse Tajani no programa de rádio "La Zanzara", em resposta a uma pergunta.

Após receber as primeiras críticas por estas declarações, o político conservador italiano defendeu-se numa publicação na sua conta oficial da rede social Twitter que mantém enquanto presidente do Parlamento Europeu.

"Cobre-se de vergonha quem manipula aquilo que eu alegadamente disse sobre o fascismo. Sempre fui um convicto antifascista, não admito que ninguém sugira o contrário. A ditadura fascista, as leis raciais, as mortes que causaram são a página mais negra da história italiana e europeia", declarou.

 

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