RTP Antena 1 falou com português que coordena o Mecanismo Europeu de Proteção Civil na Venezuela

RTP Antena 1 falou com português que coordena o Mecanismo Europeu de Proteção Civil na Venezuela

Andrea Neves, RTP Antena 1, Bruxelas / Adicionar como fonte informativa
EU Civil Protection & Humanitarian Aid EU Civil Protection & Humanitarian Aid

João Silva, coordenador de Políticas de logística do Mecanismo Europeu de Proteção Civil foi indicado pela Comissão Europeia para ser o elo de ligação com as autoridades locais.

Saiu de Bruxelas há cerca de dois dias.

Em conversa rápida com a RTP Antena 1 referiu que no terreno estão já todas as equipas de busca e salvamento que o Mecanismo Europeu conseguiu reunir para ajudar nesta primeira fase.


“Neste momento, através de um mecanismo, temos 12 equipas de busca e salvamento que chegaram da Espanha, da França, Lituânia, dos Países Baixos, República Checa, da Alemanha, Itália, Portugal, Eslováquia e da Turquia. Temos também três equipas médicas, uma equipa de engenheiros estruturais e uma equipa de telecomunicações do Luxemburgo que está aqui a prestar apoio a estas equipas".



João Silva admite que o Mecanismo Europeu vai ficar ainda algumas semanas, pelo menos, na Venezuela, mas as “equipas de resgate vão começar a desmobilizar até ao fim da semana”.

“Esta equipas chegaram logo no princípio, logo a partir do segundo dia e vão começar a desmobilizar a partir de meados desta semana, uma vez que vamos começar a entrar na segunda fase das operações e, portanto, uma fase mais dedicada a fazer chegar a assistência em termos de ajuda humanitária e de outro tipo de ajuda que nos foi solicitada pelo governo da Venezuela”.

O Mecanismo Europeu continua aberto a contribuições dos Estados-membros

À Venezuela chegaram já vários geradores e tendas para ajudar nas operações no terreno.
A UE está também a organizar uma ponte aérea humanitária para transportar bens essenciais para as zonas afetadas. 
 
“É uma situação volátil” reforça João Silva, “sendo que agora, obviamente, já não se pedem equipas de resgate”.

“A emergência é uma situação muito dinâmica, portanto, a emergência continua a aberta e continuamos sempre em diálogo com as autoridades da Venezuela e a fazer aqui as nossas avaliações também no terreno. Mas em termos de assistência, temos primeiro um voo que vai chegar amanhã de Copenhaga com 45 toneladas de carga essencialmente humanitária. E depois temos também já bastantes ofertas de Estados-Membros no nosso sistema de proteção civil, nomeadamente tendas, geradores, kits de energia, água, etc…”

“Mas como isto é uma situação dinâmica – estamos em contacto com as autoridades locais – vai seguramente alterar-se nos próximos dias com as necessidades também a evoluir”.

As equipa do Mecanismo Europeu estão agora sedeadas em La Guaira, perto de Caracas, na zona mais atingida pelas consequências do sismo, junto ao aeroporto internacional Simón Bolívar.

João Silva já esteve em vários outros cenários em que a União Europeia foi chamada a contribuir em casos de catástrofes naturais.
 
João Silva admite que “o cenário é muito similar ao que tivemos na Turquia, ou na Síria, com uma complexidade maior que á a logística para fazer chegar muita ajuda nas primeiras horas, numa situação muito difícil. Só havia uma pista disponível no aeroporto internacional. Há duas bases aqui perto, mas que praticamente não conseguimos utilizar porque não tem capacidade de carga e descarga. A logística, neste caso, é um calcanhar de Aquiles quando se quer agir o mais rapidamente possível”.

“há muita ajuda para fazer chegar, há sempre muitos Estados-Membros que oferecem ajuda, mas infelizmente, devido ao evento em si, as condições no terreno complicam-se. E depois também aqui no terreno dificuldades de transporte e de colocar as equipas no terreno, mas com toda a boa vontade e também com a ajuda das autoridades locais vamos tentando superar esses obstáculos e vamos conseguindo fazer a coordenação – não entre nós no mecanismo europeu – mas fazer a cooperação com as autoridades locais durante toda a emergência.
A resposta da União Europeia

Respondendo às crescentes necessidades humanitárias provocadas pelos recentes sismos na Venezuela, a União Europeia enviou 5 milhões de euros de ajuda humanitária para assistência imediata às comunidades mais afetadas. Este financiamento de emergência visa proporcionar abrigo e cuidados de saúde às pessoas afetadas pela catástrofe.

Estas novas iniciativas de assistência vêm juntar-se aos 52 milhões de euros já disponibilizados este ano para responder às consequências humanitárias da crise socioeconómica na Venezuela.

A ajuda humanitária é disponibilizada no seguimento dos esforços contínuos da UE para coordenar a resposta de emergência através do seu Mecanismo de Proteção Civil.

A Comissão Europeia recebeu propostas de 11 Estados-Membros da UE e de 1 Estado participante no mecanismo para o fornecimento de equipas de busca e salvamento, equipas médicas e apoio no domínio das telecomunicações.
 
No total, 14 países da UE contribuíram com equipas de busca e salvamento, equipas médicas, apoio no domínio das telecomunicações e conhecimento técnico.
O serviço de satélite Copernicus foi ativado no seu modo de cartografia de emergência que ajuda a captar imagens de alta resolução das zonas de crise, convertendo dados em bruto para mapas utilizáveis pelas equipas de salvamento, ONG e autoridades de proteção civil. O Copernicus já forneceu 25 mapas e 13 imagens de 13 zonas de interesse distintas.

A Comissária Europeia responsável pela pasta da Preparação para Crises e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, declarou, a este propósito, que: «A UE continua empenhada na ajuda ao povo venezuelano com todos os instrumentos que temos à nossa disposição. O presente financiamento e fornecimentos adicionais vão assegurar uma muito necessária ajuda às famílias que perderam as suas casas, aos doentes que precisam de assistência médica e às crianças cujas escolas foram danificadas. A solidariedade demonstrada pelos Estados-Membros da UE continua a ser notável: 14 países já contribuíram para esta operação de ajuda de emergência, com a União Europeia a coordenar e transportar a ajuda, num verdadeiro espírito “Equipa Europa”.»


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