Maternidade Alfredo da Costa abre novo centro com tudo, menos médicos suficientes

Maternidade Alfredo da Costa abre novo centro com tudo, menos médicos suficientes

Lisboa, 08 Mar (Lusa) - O novo centro de Procriação Medicamente Assistida (PMA) da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, abre segunda-feira e está um luxo. Tem equipamentos novos e tecnologia avançada que custaram mais de meio milhão de euros. Apenas faltam médicos.

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Remodelado no âmbito do apoio do Estado ao combate à infertilidade - para o qual o Serviço Nacional de Saúde (SNS) disponibiliza uma verba de 12 milhões de euros para 2009 -, o novo centro foi desenvolvido na mesma zona do antigo, que há muito reclamava obras.

Pintado de fresco com a tranquila cor lilás, o centro tem várias salas e algumas inovações, como a existência de dois laboratórios, um dos quais atribuído às técnicas a aplicar em casais com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH).

Uma sala de colheita de esperma vem substituir a decadente casa de banho onde dantes se realizava este procedimento.

Pelo menos dois microscópios são novos, bem como material de apoio, marquesas e instrumentos ecográficos.

As obras custaram 530 mil euros, conforme revelou à Agência Lusa o director da Maternidade Alfredo da Costa (MAC).

Segundo Jorge Branco, no ano passado foram feitos 172 ciclos (tratamentos com técnicas de PMA), menos que os 200 habitualmente realizados por ano, uma vez que o centro encerrou em Setembro para obras.

Para o corrente ano, a MAC espera realizar 300 a 330 ciclos, um objectivo que pode estar comprometido dada a actual falta de médicos e biólogos. Isto porque nos últimos tempos saíram vários clínicos que se encontram agora a trabalhar na área da infertilidade do privado Hospital dos Lusíadas, que está a apostar forte nesta área.

Deixaram a MAC para trabalhar neste hospital os médicos António Neves, Paula Maia, Daniela Sobral e Luís Vicente, segundo várias fontes contactadas pela Lusa.

Para Jorge Branco, apenas saíram dois: Paula Maia e Daniela Sobral, pois os restantes já tinham saído (António Neves) ou encontravam-se a trabalhar em outras áreas (Luís Vicente).

À Lusa, Daniela Sobral e Luís Vicente confirmaram que estão a trabalhar na área da infertilidade do Hospital dos Lusíadas. A primeira disse que tinha um contrato precário na MAC e que, por isso, optou pelas melhores condições que o privado lhe oferecia.

Por seu lado, Luís Vicente assume que estava desiludido com o trabalho na MAC e enaltece o projecto nesta unidade privada.

A MAC conta agora com três médicos, mas as fontes contactadas pela Lusa confirmaram que um deles pediu transferência para outro serviço da maternidade. Em relação aos biólogos, fundamentais para as técnicas de PMA, Jorge Branco disse dispor de três, mas uma encontra-se em licença de parto e outro também vai optar pelo privado, restando apenas um.

A direcção da MAC assume que tem feito contactos para encontrar profissionais em Portugal e em Espanha. "É muito difícil encontrar estes médicos. Não há mais e não conseguimos inventá-los", assume Jorge Branco.

O director revelou que tem a promessa da vinda de um médico que trabalha num hospital público e que fez convites a dois colegas espanhóis.

Jorge Branco diz ainda que, para poder competir com os privados, poderá, "a título excepcional e com a superior autorização do gabinete da ministra da Saúde", oferecer um salário mais elevado do que o praticado por uma instituição do Sector Público Administrativo (SPA) como é a MAC.

Apesar destas dificuldades sentidas na véspera da abertura do centro de PMA da MAC, o director garante que este "vai abrir como está", ou seja, com três médicos.

Sem mais pessoal, Jorge Branco reconhece que dificilmente atingirá o propósito de "triplicar o que foi feito no ano passado". Mas, mesmo que o faça, a MAC não conseguirá resolver o problema da lista de espera, na qual há 898 casais inscritos desde o início de 2007.

Jorge Branco conta resolver esta lista, respeitando os casais há mais tempo em espera, mas intercalando-os com aqueles em que a mulher pode estar muito perto do limiar da idade (37 anos) para engravidar.

O director da MAC assume, contudo, que metade dos casais inscritos na actual lista deverá ser encaminhada para os centros privados, mas apenas quando esta possibilidade anunciada pelo Governo há mais de um ano estiver em vigor.

"Se não houvesse a possibilidade de encaminhar os casais para os centros privados, isto [a lista de espera] demoraria três anos a pôr em dia", disse.

Lusa/Fim

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