Mundo
Ex-comandante do Costa Concordia condenado a 16 anos de prisão
Francesco Schettino, o ex-comandante do navio de cruzeiro Costa Concordia, foi esta quarta-feira condenado a 16 anos de prisão após ser declarado culpado de homicídio involuntário.
Schettino foi condenado a dez anos de prisão pela morte de 32 pessoas, cinco anos por causar o naufrágio quando navegou demasiado perto da costa, um ano por ter abandonado o navio quando centenas de pessoas ainda estavam a bordo e um mês por prestar falsas informações às autoridades marítimas sobre a gravidade do desastre, o que terá atrasado a chegada de ajuda.
O antigo comandante do Costa Concordia estava acusado de homicídio, de ter provocado o acidente e de abandono de navio quando muitos dos 4.200 passageiros e tripulantes ainda estavam a bordo.
O ex-comandante do Costa Concordia não compareceu em tribunal para ouvir a sentença ditada pelo coletivo de três juízes.
O Ministério Público italiano tinha pedido uma pena de 26 anos e três meses de prisão para Francesco Schettino. O procurador Stefano Pizza tinha apelidado a conduta do antigo comandante do navio de “repreensível” e considerou haver “um tsunami de provas contra Schettino, apesar de ele não ter admitido nada”.
Em causa o acidente do navio de cruzeiros Costa Concordia que provocou a morte a 32 pessoas. O navio colidiu contra uma rocha em janeiro de 2012, provocando o naufrágio, muito perto da costa da ilha de Giglio, ao largo da Toscânia. Schettino é acusado de navegar demasiado depressa e demasiado perto da costa.Vítimas vão recorrer da decisão
“Trinta e dois mortos. A pena equivale a seis meses de prisão por cada pessoa que morreu”, denuncia Anne Decre, uma francesa citada pela Associated Press. Uma mulher que sobreviveu ao naufrágio do Costa Concordia porque conseguiu entrar num barco salva-vidas antes que se tornasse impossível baixar para o mar mais embarcações.
Massimiliano Gabrielli, membro do grupo "Justiça para as vítimas do Concordia”, garantiu que haverá recurso da decisão. “O tribunal podia ter feito muito mais. Decidiram entre as responsabilidades do ex-comandante e a compensação aos passageiros. Podiam ter feito muito mais e vão provavelmente fazer, porque vamos recorrer de certeza”, afiançou.
O advogado da empresa proprietária do Costa Concordia, Marco de Luca, considerou que “estamos a falar de um crime não intencional. Por isso, o castigo é proporcional a este tipo de crime. O pedido do Ministério Público era exagerado”.
A acusação considerou que o desfecho do processo era o esperado. Por razões diferentes, o advogado de defesa de Schettino considera o mesmo. Donato Laino justifica a ausência do seu cliente em tribunal na altura da leitura da sentença por estar “fisicamente cansado”. “Olhem à volta. Um homem condenado como ele foi, como é que poderia ter ficado aqui?”, perguntou Donato aos jornalistas, à saída do tribunal.
Schettino disse ser o “bode expiatório”
Na manhã de quarta-feira, antes da decisão do tribunal, Francesco Schettino, de 54 anos, leu uma declaração ao tribunal, uma espécia de "último apelo". Alegou que a “sua cabeça foi sacrificada para salvaguardar interesses económicos”, considerando que toda uma organização, a empresa “Costa Cruzeiros”, deveria ter sido envolvida, não apenas ele.
O antigo comandante do navio naufragado considerou ser alvo Francesco Schettino é chamado de “capitão cobarde” em vários jornais.de “perseguição” desde as primeiras horas depois do naufrágio, passando pela revelação de documentos até ao julgamento, durante o qual diz terem sido proferidas palavras contra si que atacam a dignidade. Schettino argumenta que esta foi “uma tentativa de corroborar a todo o custo a imagem de um homem que merecia ser condenado, em linha com o plano inicial”.
Falou de uma “máquina de picar mediática”, difícil de compreender. “Isto, além do sofrimento que sinto sobre o que aconteceu, torna difícil definir como vida aquilo que estou a passar”, acrescentou, para pouco depois chorar. “Basta”, disse Francesco Schettino, antes de interromper a leitura da declaração perante os três juízes do caso.
A defesa do ex-comandante alegou, durante o julgamento, que o acidente aconteceu devido a uma série de eventos, entre eles erros de outros membros da tripulação e mau funcionamento do equipamento de emergência do navio. Schettino garantiu que adiou a evacuação para evitar o pânico dos passageiros, que navegar perto da costa era algo encorajado pelo proprietário do cruzeiro. Contestou a acusação de ter abandonado o navio, dizendo que caiu em consequência de este ter adernado. (Reportagem de 12 de janeiro de 2013)
O julgamento começou em julho de 2013. Realizou-se num teatro em Grosset, na Toscânia, para poder acomodar mais pessoas que quisessem assistir ao desenrolar do processo. Quatro membros da tripulação do navio foram autorizados a chegar a um acordo com a acusação. Nenhum está a cumprir tempo de prisão.
Em julho passado, o navio, que estava parcialmente submerso, foi posto a flutuar e transportado até ao porto de Génova, onde está ainda a ser desmantelado.
(com agências)
O antigo comandante do Costa Concordia estava acusado de homicídio, de ter provocado o acidente e de abandono de navio quando muitos dos 4.200 passageiros e tripulantes ainda estavam a bordo.
O ex-comandante do Costa Concordia não compareceu em tribunal para ouvir a sentença ditada pelo coletivo de três juízes.
O Ministério Público italiano tinha pedido uma pena de 26 anos e três meses de prisão para Francesco Schettino. O procurador Stefano Pizza tinha apelidado a conduta do antigo comandante do navio de “repreensível” e considerou haver “um tsunami de provas contra Schettino, apesar de ele não ter admitido nada”.
Em causa o acidente do navio de cruzeiros Costa Concordia que provocou a morte a 32 pessoas. O navio colidiu contra uma rocha em janeiro de 2012, provocando o naufrágio, muito perto da costa da ilha de Giglio, ao largo da Toscânia. Schettino é acusado de navegar demasiado depressa e demasiado perto da costa.Vítimas vão recorrer da decisão
“Trinta e dois mortos. A pena equivale a seis meses de prisão por cada pessoa que morreu”, denuncia Anne Decre, uma francesa citada pela Associated Press. Uma mulher que sobreviveu ao naufrágio do Costa Concordia porque conseguiu entrar num barco salva-vidas antes que se tornasse impossível baixar para o mar mais embarcações.
Massimiliano Gabrielli, membro do grupo "Justiça para as vítimas do Concordia”, garantiu que haverá recurso da decisão. “O tribunal podia ter feito muito mais. Decidiram entre as responsabilidades do ex-comandante e a compensação aos passageiros. Podiam ter feito muito mais e vão provavelmente fazer, porque vamos recorrer de certeza”, afiançou.
O advogado da empresa proprietária do Costa Concordia, Marco de Luca, considerou que “estamos a falar de um crime não intencional. Por isso, o castigo é proporcional a este tipo de crime. O pedido do Ministério Público era exagerado”.
A acusação considerou que o desfecho do processo era o esperado. Por razões diferentes, o advogado de defesa de Schettino considera o mesmo. Donato Laino justifica a ausência do seu cliente em tribunal na altura da leitura da sentença por estar “fisicamente cansado”. “Olhem à volta. Um homem condenado como ele foi, como é que poderia ter ficado aqui?”, perguntou Donato aos jornalistas, à saída do tribunal.
Schettino disse ser o “bode expiatório”
Na manhã de quarta-feira, antes da decisão do tribunal, Francesco Schettino, de 54 anos, leu uma declaração ao tribunal, uma espécia de "último apelo". Alegou que a “sua cabeça foi sacrificada para salvaguardar interesses económicos”, considerando que toda uma organização, a empresa “Costa Cruzeiros”, deveria ter sido envolvida, não apenas ele.
O antigo comandante do navio naufragado considerou ser alvo Francesco Schettino é chamado de “capitão cobarde” em vários jornais.de “perseguição” desde as primeiras horas depois do naufrágio, passando pela revelação de documentos até ao julgamento, durante o qual diz terem sido proferidas palavras contra si que atacam a dignidade. Schettino argumenta que esta foi “uma tentativa de corroborar a todo o custo a imagem de um homem que merecia ser condenado, em linha com o plano inicial”.
Falou de uma “máquina de picar mediática”, difícil de compreender. “Isto, além do sofrimento que sinto sobre o que aconteceu, torna difícil definir como vida aquilo que estou a passar”, acrescentou, para pouco depois chorar. “Basta”, disse Francesco Schettino, antes de interromper a leitura da declaração perante os três juízes do caso.
A defesa do ex-comandante alegou, durante o julgamento, que o acidente aconteceu devido a uma série de eventos, entre eles erros de outros membros da tripulação e mau funcionamento do equipamento de emergência do navio. Schettino garantiu que adiou a evacuação para evitar o pânico dos passageiros, que navegar perto da costa era algo encorajado pelo proprietário do cruzeiro. Contestou a acusação de ter abandonado o navio, dizendo que caiu em consequência de este ter adernado. (Reportagem de 12 de janeiro de 2013)
O julgamento começou em julho de 2013. Realizou-se num teatro em Grosset, na Toscânia, para poder acomodar mais pessoas que quisessem assistir ao desenrolar do processo. Quatro membros da tripulação do navio foram autorizados a chegar a um acordo com a acusação. Nenhum está a cumprir tempo de prisão.
Em julho passado, o navio, que estava parcialmente submerso, foi posto a flutuar e transportado até ao porto de Génova, onde está ainda a ser desmantelado.
(com agências)