Barragem Foz Tua arranca envolta em polémica

| Ambiente

Arranca hoje a construção da Barragem Foz Tua com o lançamento da primeira pedra que contará com a presença do primeiro-ministro. A obra tem um investimento estimado de 305 milhões de euros e a criação de quatro mil postos de trabalho ao longo de cinco anos, mas também muita polémica à sua volta com a Associação Ambiental Quercus a dizer que não traz benefícios nem para a região, nem para a economia.

Uma primeira pedra muito polémica, esta que hoje será lançada no arranque da construção da Barragem que se situa na confloência dos rios Foz e Tua. De um lado a construção, os postos de trabalho a ela associados e a produção de energia elétrica, e do outro os ambientalistas e o impacto negativo onde se inclui os 16 quilómetros da linha do Tua que vão ficar submergidos e que levaram ao atraso no início da construção em, pelo menos, dois anos.

Hoje Governo e autarcas da região assinalam o lançamento das obras de um investimento estimado em 305 milhões de euros, a criação de quatro mil postos de trabalho ao longo dos próximos cinco anos e ainda com a EDP a gastar 10 milhões de euros no financiamento de vários projetos de transportes alternativos à Linha do Tua que vai ficar submersa.

No Vale do Tua vai ser ainda criado um Fundo de Desenvolvimento Regional que prevê a atribuição de três por cento da produção de energia aos cinco municípios abrangidos pela barragem com parte das verbas deste fundo a servirem para a criação de um parque natural.

A barragem só deve começar a produzir energia em 2015, mas a polémica começa já hoje com a Associação Ambiental Quercus a afirmar que a construção desta barragem não traz benefícios nem para a região, nem para a economia já que o impacto do projeto vai ser muito negativo.

Em oposição aos argumentos da Quercus o presidente da EDP, António Mexia, já adiantou as vantagens desta construção, a primeira integrada no novo plano nacional de barragens.

"Este é o primeiro projeto lançado ao abrigo do novo plano nacional de barragens, é um investimento de 305 milhões de euros, que cria quatro mil empregos diretos e indiretos, o que num momento em que se fala em substituição de importações, neste caso com energia gerada em Portugal e criação de emprego, acho que estamos a tratar das principais questões em Portugal", considerou Mexia.

José Sócrates presente
O primeiro-ministro aproveitou o arranque formal da construção da Barragem Foz Tua para dar início à primeira iniciativa do Governo Presente de 2011, que decorre entre sábado e domingo, tendo escolhido os distritos de Vila Real e Bragança.

Em Alijó, primeira paragem de José Sócrates, o primeiro-ministro deu conta de que a construção de uma barragem significa dar mais oportunidade de emprego às empresas, reduzir a dependência energética externa e reduzir emissões de CO2.

"São os projetos mais difíceis em que nos devemos empenhar, porque são eles que podem mudar as coisas", afirmou o líder do Governo.

Para o primeiro-ministro construir uma barragem em Portugal significa "recuperar o tempo perdido e corrigir o erro que cometemos quando nos últimos 30 anos decidimos não aproveitar o potencial hídrico do nosso país. Portugal é o país na União Europeia cujo potencial hídrico é menos explorado e não há nenhuma boa razão para isso".

"O problema de Portugal foi não se construírem os empreendimentos polémicos. Esse foi o erro que cometemos durante demasiado tempo", adiantou José Sócrates que fez questão de enumerar os benefícios de construir uma barragem.

"Porque vai reduzir a nossa dependência externa, vai dar oportunidade de emprego às empresas, vai transformar Portugal num país com um indicador maior de utilização das renováveis e vai reduzir emissões de CO2", referiu.

José Sócrates destacou ainda a aposta nas energias renováveis como um fator de poupança para a economia portuguesa considerando os 800 milhões de euros de importações que foram poupados no ano passado.

"Se nós olharmos para a nossa energia nestes últimos anos e para a mudança que aconteceu, internacionalmente Portugal pode ser apresentado como um caso de estudo porque o que se mostra em Portugal é que é possível fazer mudanças na energia em pouco tempo", destacou o primeiro-ministro aos jornalistas.

No local José Sócrates destacou ainda o facto de o país estar a competir pela liderança na área das energias renováveis, o que acontece em apenas cinco anos, e que espera daqui a cinco anos regressar ao Tua para a inauguração do empreendimento.

"Virei aqui e tenho a certeza que me ocorrerá porque andamos tanto tempo a discutir a Barragem Foz Tua", salientou.

Depois da inauguração em Alijó, a comitiva governamental seguiu para Murça para a inauguração do centro escolar em funcionamento desde janeiro, o primeiro equipamento social que irá usufruir das Redes de Nova Geração no nordeste transmontano.

José Sócrates termina o dia com um jantar-debate em Vidago onde vai reunir cerca de 150 autarcas e empresários da região de Trás-os-Montes.

Tópicos:

Associação Ambiental Quercus, José Sócrates, primeira pedra, primeiro-ministro, Barragem da Foz do Rio Tua,

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