Ambientalistas pedem a Elton John que boicote festival "Marés Vivas"

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Uma carta aberta enviada a músicos em cartaz para o próximo festival "Marés Vivas" pede-lhes que boicotem aquele evento, por se realizar em zona de reserva natural e poder causar danos graves à preservação de espécies que aí habitam.

O festival "Marés Vivas" está agendado para Julho próximo, em Gaia, a uma distância de 100 metros apenas do estuário do Douro. O local constitui um habitat privielgiado para 220 espécies de aves e constitui ponto habitual de destino para grupos de observação dessas espécies. Ornitólogos de todo o mundo costumam demandá-lo e ambientalistas portugueses consideram-no como uma reserva natural de características únicas.

Receia-se sobretudo que os 30.000 visitantes diários esperados para o festival, com o ruído e com as luzes feéricas que os acompanham, constituam grave factor de perturbação, com consequências duradouras e potencialmente irreversíveis para as aves aí existentes e para a espécie ibérica conhecida como "lagarto-esmeralda". Para já, estão em curso trabalhos de terraplanagem, com bulldozers, e de abate de árvores.

A carta aberta enviada a Elton John e a músicos como os britânicos James Bay e Tom Odell lança, segundo citação do diário The Guardian, o seguinte apelo: "Acima do vosso trabalho e da vossa arte, pedimo-vos que considerem a importância ambiental do local. A reserva é muito delicada, especial e vulnerável ... É uma área muito especial para algumas espécies de pássaros, para escala migratória e para nidificação".

Entre os subscritores contam-se o biólogo Serafim Riem, a vice-presidente do Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens, Lucília Guedes, e o director da Quercus, João Branco.

Os subscritores receiam que a realização do festival seja o ponto de viragem para o desmantelamento da reserva natural, como área protegida e santuário da vida selvagem.

Na carta é incluído um apelo muito especial a Elton John, com as palavras: "Acreditamos que, se alguém pode mudar a mentalidade teimosa dos gestores do festival, esse alguém é você".
Primeiro sucesso da campanha
A campanha em que a carta se inscreve vem de trás e já deu azo a uma queixa judicial por parte da Quercus e obteve um primeiro sucesso, com uma ordem de suspensão dos trabalhos de terraplanagem emitida pelo tirbunal.

O iniciador da campanha "SOS Estuário do Douro", Bernd Markowsky, acusou o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Rodrigues, e a sua equipa de "não estarem preocupados com o ambiente; não querem saber, não se preocupam".

E acrescentou: "Temos fotógrafos que mostram quantos lagartos foram mortos no curto lapso de tempo desde que começaram a terraplanar a área, e eles disseram que não importa quantos foram mortos porque ainda há milhares. Esta área está protegida por lei, mas isso não os deteve".
"Comportamento terrorista"
O autarca, no entanto, disse estar "muito preocupado com questões ambientais". E, referindo-se a um estudo recente, acrescentou: "Este relatório mostra que não há consequências, não há impactos". Dito isto, acusou também os promotores da campanha por, alegadamente, "usarem o pânico público para obterem vantagens políticas ... Vocês devem saber que as aves migratórias passam pela reserva em Setembro, não em Julho".

E culminou as suas declarações acusando os subscritores da carta de "comportamento terrorista" que espera venha a ficar sem efeito, pela indiferença de Elton John.

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