Associação Danças na Cidade recebe Prémio Almada no CCB

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A associação Danças na Cidade e a bailarina Vitalina Sousa recebem sábado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, os Prémios Almada e Revelação Ribeiro da Fonte, respectivamente, do Instituto das Artes.

Na cerimónia de entrega dos prémios, que serão entregues pela ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, a associação Danças na Cidade apresenta "a sua nova identidade".

Danças na Cidade é uma associação cultural sedeada em Lisboa que se dedica, desde 1993, ao desenvolvimento da dança contemporânea em Portugal e no estrangeiro sobretudo através de dois projectos: O Festival Danças na Cidade e o intercâmbio "Dançar o que é Nosso".

O projecto mais visível da associação, o Festival Danças na Cidade, realizou-se pela última vez em 2002 e no ano passado acabaria por ser cancelado por falta de financiamento.

Devido à impossibilidade da realização daquele festival, a associação decidiu fazer em 2004 um evento mais pequeno com uma estrutura diferente a que chamou Al Kantara (que significa a "ponte" em árabe).

Depois de mais de uma década de actividade ligada à dança contemporânea, a associação decidiu mudar de nome e de filosofia.

Em entrevista à agência Lusa, o director da Danças na Cidade, o belga Mark Deputter, justificou a mudança de identidade com o alargamento da actividade da associação às artes performativas.

"Para nós não é uma mudança de nome, é uma continuidade, uma evolução do trabalho que a associação tem vindo a fazer ao longo de 13 anos", explicou Mark Deputter.

"Enquanto Danças na Cidade focava a sua acção na dança contemporânea, AlKantara alarga o seu campo de acção ao teatro, à música e todas as formas híbridas", explicou.

Segundo o responsável, Alkantara sublinha a vontade de construir pontes entre artistas, culturas e linguagens artísticas.

"Queremos dar atenção à colaboração internacional e intercâmbio intercultural", salientou.

Mark Deputter disse à Lusa que para já a associação vai permanecer no edifício da Rua Castelo Branco, no centro de Lisboa, mas adiantou estar à procura de uma nova casa para Alkantara.

O responsável explicou que o projecto mais visível e ambicioso da associação é o festival bienal Alkantara que será apresentado sábado no CCB e irá realizar-se em Agosto do próximo ano em vários palcos de Lisboa.

"Será um festival bienal e multidisciplinar dedicado às artes do espectáculo nas suas variadas expressões contemporâneas", disse Mark Deputter.

Nos anos intercalares, entre festivais, Alkantara vai promover encontros, intercâmbios mais profundos, juntando criadores portugueses e estrangeiros, e fomentar parcerias internacionais.

Alkantara tem já previstas algumas actividades, entre as quais residências de artistas estrangeiros em Portugal e de portugueses no exterior e o "Encontro Lisboa", um laboratório artístico com 15 participantes nacionais e internacionais a decorrer de 06 a 28 de Agosto na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa.

O Encontro Lisboa é a primeira etapa do projecto de um ano "Encontros Imediatos 2005-06" que junta em Lisboa vários artistas que vão trocar experiências, trabalhar as suas criações e debater temas.

Em Agosto de 2006 realiza-se o Festival Alkantara, evento que conta com um apoio de 155 mil euros do Instituto das Artes, 100 mil da Câmara Municipal de Lisboa e algumas co-produções com outros teatros.

"O festival vai realizar-se no CCB, nos teatros S. Carlos, Maria Matos e São Luiz, na Culturgest e na Galeria Zé dos Bois", disse Mark Deputter, acrescentando que "+tem em cima da mesa+ algumas co-produções que ainda não estão confirmadas".

No sábado, dia em que a associação recebe o Prémio Almada, será apresentado no CCB o espectáculo de Vitalina Sousa "o belo é apenas o começo do terrível" e fragmentos da nova criação da coreógrafa turca Aydin Teker "Al-Kabi".

Depois de ter ganho em 1999 o Prémio Almada (ex aequo com o Balleteatro e com o CRAE das Beiras - Teatro Viriato), a associação Danças na Cidade voltou a ser galardoada em 2004.

"Apesar de ter sido atribuído à associação no ano em que tivemos de cancelar o festival Danças na Cidade por falta de dinheiro, sinto-me orgulhoso porque é um reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo de mais de uma década", afirmou Mark Deputter.

Os Prémios Almada e Revelação Ribeiro da Fonte, com um valor pecuniário de 25 mil e cinco mil euros, respectivamente, foram criados em 1998 pelo ex-Instituto Português das Artes e Espectáculos.

Os prémios têm por objectivo destacar anualmente os artistas, criadores ou intérpretes, estruturas de produção, difusão ou formação que se tenham distinguido no panorama artístico nacional nas artes do espectáculo.

O Instituto das Artes atribuiu em Março o Prémio Almada à associação Danças na Cidade, na área da dança, ao fundador da companhia O Bando, João Brites, no teatro, e ao compositor Filipe Pires na música.

O Prémio Revelação Ribeiro da Fonte distinguiu a coreógrafa Vitalina Sousa, na dança, o actor Igor Gandra, no teatro, e o compositor Ricardo Rocha, na música.

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