Bonecas de Ataúro foram estrelas em espetáculo na capital timorense

| Cultura

Um grupo de mulheres da cooperativa Bonecas de Ataúro, a compositora e cantora norte-americana de ascendência timorense Jen Shyu e a estreia de um filme do espanhol David Palazon convergiram num espetáculo esta semana em Díli.

A iniciativa "Artaúro" reuniu trabalhos de Jen Shyu, as vozes das artistas da cooperativa das `bonecas` de trapo que se tornaram símbolo da ilha de Ataúro e um filme de animação.

O projeto, realizado gratuitamente por David Palazon, pretende angariar fundos para a cooperativa Boneca de Ataúro, um projeto que envolve mais de 60 mulheres no fabrico de bonecas de pano.

A cooperativa está sediada em Vila Maumeta, na pequena ilha de Ataúro, localizada a cerca de 25 quilómetros ao largo de Díli.

Com quase uma década de operação, a cooperativa tornou-se uma das principais fontes de recursos para a pequena ilha, apoiando diretamente mais de 500 pessoas e 50 famílias.

O objetivo do projeto - que pode ser visto online (https://www.generosity.com/community-fundraising/boneca-de-atauro--4) - é angariar fundos para as Bonecas de Ataúro que estão em risco de perder o espaço onde atualmente trabalham, que é do Governo.

Palazon, que chegou a Timor-Leste em 2008 "para ficar três meses" e acabou por ficar oito anos, disse que quis ajudar o projeto por "causa do amor que estas mulheres metem diariamente no seu trabalho".

"Comecei por ajudá-las com fotos e vídeos e a promover o projeto. E de repente surgiu a ideia de fazer um filme. E surgiu este projeto que acabou por se tornar muito grande", explicou.

O filme - "Boneca de Ataúro - à procura do amor perdido", que inclui música de Jen Shyu e de Gil Madeira, entre outros - conta a história da boneca Atuarina e da sua viagem cheia de humor pelas maravilhas da ilha - que é já um dos principais destinos turísticos em Timor-Leste -, incluindo um encontro com as `wawata topu`, as mulheres mergulhadoras de Ataúro.

"É o meu contributo a Timor e a Ataúro em particular, que é um sítio muito especial, onde parece que se está sempre de férias. Espero que haja cada vez mais artesanato, mais trabalhos destes, mais ecoturismo na ilha", afirmou.

O espetáculo de quarta-feira contou ainda com várias peças de Jen Shyu.

Filha de pai taiwanês e mãe timorense, Shyu é uma vocalista de jazz experimental e uma multi-instrumentista que canta em inglês, coreano, indonésio e tétum.

No ano passado lançou "Sounds and Cries of the World", que como explicou à Lusa foi influenciado por sonhos de Timor-Leste, um cabaz de experiências musicais do continente asiático e uma viagem às raízes da sua família timorense.

Este ano voltou a Timor-Leste e passou algum tempo em Ataúro onde contactou com a equipa das `Bonecas`, aprendendo canções locais que integrou depois no espetáculo apresentado na noite de quarta-feira na Fundação Oriente, em Díli.

Tópicos:

Boneca, Bonecas, Gil, Oriente Díli ASP, Timor Leste,

A informação mais vista

+ Em Foco

Nas eleições primárias, alguns dos mais conceituados senadores democratas foram vencidos por candidatos mais jovens, progressistas e, alguns deles, socialistas.

    Em 1995, dois estudantes desenvolveram um motor de pesquisa. Dois anos depois, Andy Bechtolsheim passou um cheque no valor de 100 mil dólares. Nesse dia, fez-se história: a Google nasceu.

      A Austrália enfrenta a maior seca de que há memória, afetando agricultores e criação de gado.