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Complexo arqueológico dos Perdigões vai servir aos visitantes uma ceia da Idade da Pedra

Complexo arqueológico dos Perdigões vai servir aos visitantes uma ceia da Idade da Pedra

Reguengos de Monsaraz, Évora, 05 ago (Lusa) -- O complexo arqueológico dos Perdigões, na herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, está de portas abertas ao público, servindo, na sexta-feira, uma ceia neolítica, no âmbito de iniciativas sobre o quotidiano da chamada Idade da Pedra.

Lusa /

Os Perdigões estão esta semana de portas abertas ao público, permitindo conhecer no local o trabalho que está a ser feito e o museu instalado na torre medieval da herdade, disse à Lusa a arqueóloga Mafalda Capela.

Na sexta-feira, realizam-se "workshops" de manufatura de cerâmica e de adornos pré-históricos, assim como uma ceia neolítica, sugerindo o tipo de alimentação das populações que viveram nos Perdigões, há 5.000 anos.

"Moldando a argila, as pessoas com o apoio de um arqueólogo, usando as mesmas técnicas da Pré-História e o mesmo tipo de barros, vão poder fazer peças de cerâmica, e o mesmo relativamente aos adornos, com o fabrico de colares, brincos e pulseiras, com recurso a matérias-primas que eram usuais neste período", disse a arqueóloga.

A fechar o dia "é servida uma ceia neolítica" constituída por "carne com mexilhões, amêijoas, berbigão e lambujinha, cozinhada numa estrutura de cuvete forrada a seixos do rio previamente aquecidos, e coberta por uma pele de animal e folhas".

Da ementa, fará ainda parte "coelho temperado com ervas, cozinhado com cogumelos e acompanhado com lentilhas cozidas em panela de barro neolítica, truta salmonada temperada com ervas aromáticas, enrolada em folhas largas e cozinhada sobre casca de árvore coberta com argila".

Será igualmente servido "coelho na grelha de madeira sobre o fogo, barrado permanentemente com mel e ervas, até estar pronto", um "naco de carne de vários quilogramas espetado em paus", cozinhado no fogo durante várias horas, e os "acompanhamentos: frutos silvestres, frutos secos, águas e infusões", especificou Mafalda Capela.

A ementa foi concretizada com base nos dados provenientes das escavações, segundo a arqueóloga.

No sábado, durante a visita ao complexo, o público vai poder diretamente falar com os arqueólogos, que estão a trabalhar no terreno, antes da visita ao museu.

Os visitantes poderão, depois, participar numa conversa com o arqueólogo responsável pelas escavações, António Valera, sob o mote "Religião, animismo ou totemismo: aspectos das produções iconográficas dos Perdigões", disse Mafalda Capela.

À tarde é realizada uma demonstração de práticas pré-históricas, pelo arqueólogo Pedro Cura, como talhe de pedra e fazer fogo com pirite e madeira, assim como manufatura de cerâmica mais complexa.

Estas iniciativas promovem "um vínculo entre o visitante e o processo de investigação, o que é muito importante e gratificante", sublinhou a arqueóloga à Lusa.

"As pessoas quando vêm pela primeira vez [ao sítio das escavações], vêm um pouco sem convicção, mas depois não deixam de vir e passam a palavra, e ganham a noção de que a arqueologia é um processo em evolução, e de que todos os anos há coisas novas".

A ideia destes "dias abertos", explicou à Lusa a arqueóloga Mafalda Capela, "é sensibilizar a comunidade local e fazer um encontro com as suas origens".

"Falar dos Perdigões causa maior impacto fora das fronteiras do que em Portugal", disse a arqueóloga, lembrando que, ao contrário de "Inglaterra, França ou Espanha", aqui "o complexo é ainda pouco conhecido, e não tem o impacto que deveria ter - daí procurarmos aproximar as pessoas ao sítio arqueológico", concluiu.

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