Concerto dos Resistência no Bataclan foi "uma homenagem importante"

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A mãe de uma das vítimas do ataque ao Bataclan, em 2015, assistiu hoje ao concerto dos Resistência, em Paris, e disse à agência Lusa que foi "uma homenagem importante", tendo ido à sala de espetáculos, pela filha, "por ela".

"Tenho coragem para vir, porque venho aqui recolher-me pela minha filha e pelo namorado dela", disse Patrícia Correia, mãe de Precilia, que assistiu ao concerto a partir da bancada superior.

"É importante para mim. É importante saber que pronunciámos o seu nome, porque foi aqui que ela perdeu a vida. Esta homenagem é fazer viver a sua memória e não hesitei em vir. Estarei sempre onde falarem dela", afirmou, emocionada.

A homenagem deixou muitos, no público, emocionados, como Cristina Fernandes que disse à Lusa que o espetáculo "superou as expectativas" e que decidiu vir ao Bataclan, mesmo grávida, para mostrar que se está vivo e "há que ter esperança".

José Constantino, de 39 anos, veio de Versalhes, nos arredores de Paris, para ver os Resistência, e disse à agência Lusa não ter medo, porque "as probabilidades são mínimas de voltar a acontecer [um ataque]" e que não se deve "ter medo de sair e ouvir boa música portuguesa".

De bandeira colocada em forma de cachecol, António Ferreira foi ao Bataclan, pela primeira vez, para "rever o passado", porque conhece "a maior parte dos músicos, são músicos da infância, desde os Xutos, a Delfins, a Madredeus", mas hesitou em assistir ao concerto, "por causa do que se passou cá".

Mário Martins, de 45 anos, faz parte da "primeira geração da Cap Magellan" e já tinha visto o grupo em 1994, em Paris, num concerto organizado pela associação, tendo decidido "voltar a ver este grupo mítico em França", porque "é uma coisa mágica".

"E depois também há um lado muito emotivo em relação à sala. Não podemos esquecer aquilo que houve aqui durante os atentados de Paris. A vida continua, mas também é muito simbólico isto", indicou o árbitro de futebol da segunda liga francesa.

Também José Meixedo, de 45 anos, já tinha assistido ao concerto dos Resistência na sala Zénith, em 1994, e quis voltar a ouvi-los, considerando que se trata de uma forma de "enfrentar este tipo de fatalidade" e "uma maneira de resistir a essas formas de pensar que são obscuras", porque "os portugueses e os lusodescendentes são uns combatentes".

Luciana Gouveia, delegada-geral da Cap Magellan, disse à Lusa que o grupo Resistência está "historicamente ligado à associação" que organizou o concerto de há 22 anos e que foi escolhida a sala Bataclan "pelo simbolismo".

O concerto culminou as iniciativas que assinalaram os 25 anos de existência da Cap Magellan

A sala Bataclan, localizada no centro da capital francesa, foi alvo dos atentados da noite de 13 de novembro de 2015, que causaram 130 mortos. O assalto armado à sala de espetáculos causou a morte de 90 pessoas.

Um ano depois, a 12 de novembro, o Bataclan reabriu com um concerto do cantor britânico Sting.

Para assinalar os 25 anos de existência, além do concerto no Bataclan, a Cap Magellan organizou ateliês, este sábado e domingo, em torno do conceito de lusodescendência, na Maison du Portugal - André de Gouveia, sob o título "Primeiros Estados Gerais da Lusodescendência".

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