Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes junta oculto e artesanato

| Cultura

O Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, em Montalegre, que desde 1983 atrai curandeiros, bruxos, videntes e cartomantes tem, este ano, e pela primeira vez, artesãos da aldeia a trabalhar "ao vivo" nas ruas.

Durante quatro dias, de 05 a 08 de setembro, as pessoas poderão, além de sessões de `tarot´, cartomancia ou astrologia, ver artesãos a fazer meias, socas, louças em barro, objetos em madeira, licores ou compotas.

O mentor do congresso, padre Fontes, disse hoje à Lusa que o objetivo é envolver os habitantes da aldeia no evento e conservar os seus saberes, alguns em "vias de extinção", dando-os a conhecer aos visitantes de norte a sul do país.

Conhecido por "Dom Bruxo", o sacerdote frisou ser "muito importante" a aldeia de Vilar de Perdizes, que saiu do anonimato com o congresso, saber "tirar partido" deste evento turístico.

A criação de restaurantes, hospedarias, padarias, produtores de licores, chás, compotas e, até, uma discoteca na aldeia são conquistas do congresso, mas o padre quer "mais".

"Vilar de Perdizes têm muitas potencialidades e as suas gentes imensos saberes, por isso, é importante profissionalizarem-se para obterem rendimento", considerou.

A 27ª edição do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes tem, este ano, 20 expositores de "profissionais do culto" com massagens, fotografias da aura e ervas para os males do corpo e da alma.

Além disso, um misto de investigadores, especialistas de medicinas alternativas e doenças da mente e do espírito debatem temas como o exorcismo, tanatologia, reumatismo, ataques de pânico, medicinas alternativas e novas plantas medicinais.

A crise económica, sublinhou Fontes, provocou uma diminuição dos expositores e, provavelmente, refletir-se-á no número de visitantes.

Apesar disso, o congresso vai resistindo há 27 anos nos mesmos moldes e assente, na sua opinião, no ditado popular "o fruto proibido é o mais apetecido".

O sucesso, acrescentou, reside no facto de abordar temas relacionados com o oculto e o místico, condenáveis pela igreja, ciência e poder, porque o desconhecido atraí gente.

O "pai e alma" do congresso referiu ainda que a distinção entre a verdade e a mentira deverá ser feita pelos visitantes pois, disse, há "muitos vendedores" de falsas soluções.

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