Díli acolhe as sonoridades de quatro `terras de sal` com concerto dos Sal de Terra

| Cultura

As heranças comuns e as diferenças nacionais das sonoridades de quatro `terras de sal` (Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) apresentaram-se este fim-de-semana unidas, em Díli, num concerto do projeto Sal de Terra.

O grupo é formado por sete músicos: os cabo-verdianos, Armindo Santos (cavaquinho) e Rogério Paulo (guitarra e voz), os portugueses Paulo Pereira (sopro e vozes) e António Bexiga (viola campaniça) e ainda os são-tomenses Bibiano Martins da Silva e Givilson Soares Viegas e o timorense Nelson Turquel, os três na percussão e voz.

O concerto do fim de semana no Hotel Timor em Díli (na terça-feira há um segundo na Universidade Nacional Timor Lorosa`e) marcou o fim de uma digressão pelos quatro países de onde são naturais os músicos.

Perante um público também multinacional, de praticamente todos os países da CPLP, os músicos reinventaram a música tradicional dos seus países, unindo sonoridades diferentes mas que, em muitos aspetos, se mostravam comuns.

"Ter a sonoridade timorense a ser tocada por músicos de países irmãos é muito interessante", disse à Lusa Nelson Turquel.

"Hoje senti um orgulho muito grande em cantar a minha música tradicional timorense, tocada por uma viola campaniça, um instrumento tradicional português. Por isso este é um projeto que tem que continuar", acrescentou.

Antonio Bexiga explicou que o primeiro álbum do projeto está na fase de mistura e masterização e que até ao final do ano já poderá começar a ser distribuído.

"Nós não fazemos uma fusão de estilos. Nós unimos, regressamos ao início. Há aqui um passado comum, não apenas pela língua, mas por melodias e elementos rítmicos comuns e tudo isso acaba por se reencontrar neste projeto", disse.

"As coisas saem todas naturalmente. Acho que todos nos revemos em todas as músicas. Quando as começamos a tocar elas fazem-nos todas sentido. É quase como um regresso a um passado comum", explicou, notando que talvez por isso tenha sido fácil escolher o reportório.

Tal como António Bexiga, também Paulo Pereira leva a sonoridade portuguesa, nomeadamente a alentejana, ao grupo, complementando a "natureza universalista" da música dos Sal de Terra.

"Partilhamos a língua e a jinga. Os portugueses têm mais a jinga do sul, do sul todo do mundo. Esta música que fazemos, não se escreve. Se a quiséssemos verter em partitura para um holandês tocar, ele não conseguiria com a facilidade com que nós tocamos", explicou o homem do sopro.

"Para nós isto é natural. Temos muitas vezes o preconceito de fazer as caixinhas que neste caso são muito ténues. Aqui o mais custoso, não foi a jinga, foi o de que todos cantemos as músicas de todos, especialmente pelas diferentes línguas que usamos", disse.

O Sal de Terra surgiu a partir de uma residência artística realizada em outubro de 2015 em Cabo Verde no âmbito do projeto Musica Tradicional, que pretende "contribuir para a redução da pobreza, através da promoção e consolidação de indústrias culturais viáveis nos países ACP (África, Caribe e Pacífico)".

A iniciativa pretende "promover o desenvolvimento social e económico, tendo em consideração a preservação da identidade e diversidade cultural", fomentando iniciativas que usem as artes culturais como catalisador deste desenvolvimento.

O grupo envolve sete músicos que conjuntamente criaram versões de músicas de cariz tradicional de cada país, divulgando depois essa produção musical e artística pelos países envolvidos, para assim ajudar a "promover a música tradicional".

Além dos concertos, o objetivo é promover encontros de intercâmbio cultural com músicos locais e ainda oficinas de música e dança tradicionais com professores e crianças de Timor-Leste.

Em Timor-Leste, o projeto Música Tradicional conta com a participação das organizações timorenses Abut e ETBU que apoiam várias ações de investigação e promoção de instrumentos de música tradicional e práticas culturais associadas, ações para a educação musical, organização de festival de música tradicional e ações de formação culturais.

Tópicos:

ACP, Abut, Givilson, Príncipe, Rogério, Timor Leste, Timor Lorosa, Verde,

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