Edifício `palco` do Tratado de Alcáçovas abre em setembro como espaço cultural

| Cultura

O Paço dos Henriques, edifício histórico onde foi assinado o Tratado de Alcáçovas, na vila alentejana do mesmo nome, reabre em setembro como espaço cultural, após obras de requalificação de cerca de 1,7 milhões de euros.

A cerimónia de inauguração do espaço, no concelho de Viana do Alentejo (Évora), está marcada para 04 de setembro, coincidindo com o dia em que, em 1479, foi assinado o Tratado de Alcáçovas, que pôs termo à Guerra de Sucessão de Castela.

"A obra está concluída. Estão a dar-se os últimos retoques e a instalar o mobiliário e uma exposição que vai abrir na inauguração", disse hoje à agência Lusa o presidente da Câmara de Viana do Alentejo, Bernardino Bengalinha Pinto.

Segundo o autarca, o Paço dos Henriques, em plena vila de Alcáçovas, vai ter novas funções, nomeadamente um centro interpretativo do edifício, uma área de exposições e posto de turismo.

O paço vai acolher ainda um núcleo documental e um espaço dedicado à arte chocalheira, recentemente classificada Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Bengalinha Pinto assinalou que o novo espaço vai ser "apresentado como um local de diálogo e de paz e de encontro de civilizações e culturas", cujo conceito está "alicerçado no Tratado de Alcáçovas e, agora, através do selo da UNESCO".

O futuro espaço cultural, adiantou, poderá também vir a acolher um projeto relacionado com o património imaterial, que está a ser desenvolvido pelo município e pela Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo.

A requalificação do Paço dos Henriques envolveu um investimento de cerca de 1,7 milhões de euros, com apoio do anterior programa operacional regional InAlentejo, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Propriedade do Estado, o edifício passou para as mãos da Câmara de Viana do Alentejo, que desenvolveu o projeto de requalificação em parceria com a Direção Regional de Cultura do Alentejo (DRCAlen), após um protocolo com a Direção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF).

Além de ter sido o local escolhido para a assinatura do Tratado de Alcáçovas, entre D. João II e os reis católicos, o Paço dos Henriques serviu de residência real e foi palco de casamentos reais.

O edifício esteve sempre na posse de famílias ilustres, a última das quais a família dos Henriques, condes de Alcáçovas, tendo sido ocupado, a seguir ao 25 de Abril de 1974, por Unidades Coletivas de Produção (UCP).

Mais tarde, foi adquirido pelo Estado e, em 1993, classificado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR) como imóvel de interesse público.

 

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