Novo livro de João Pedro Marques no pano de fundo de Moçâmedes

| Cultura

O historiador João Pedro Marques acaba de lançar o segundo romance, "Uma fazenda em África", uma história passada na colónia de Moçâmedes, em Angola, a partir de 1848.

"O objetivo era contar uma história. Porque o livro é acima de tudo uma história de pessoas. Contar a história de uma mulher que passa por uma situação difícil, de grande fragilidade, de grande dependência e que, depois, graças ao seu mérito, à sua ambição, falta de escrúpulo num ou noutro ponto, vai conseguindo atravessar todas aquelas dificuldades e triunfa", resumiu à Lusa o autor, à margem das Correntes d`Escritas, na Póvoa de Varzim.

O drama ocorre a partir do processo de colonização de Moçâmedes, no sul de Angola, que teve início em meados do século 19, na sequência do pedido de ajuda feito ao Governo por um grupo de portugueses habitantes de Pernambuco, no Brasil, para que recebessem apoio na mudança para o país africano.

Este foi "um pedido inesperado, que o Governo procurou acarinhar", explicou João Pedro Marques, uma vez que naquela altura a resistência à emigração para África era muita.

"Para se ter uma ideia, até ao fim do século 19, África era um dos pontos para onde menos se emigrava. Emigrava-se mais para o Havai. Sobretudo para o Brasil, para os Estados Unidos, para as colónias inglesas, para vários pontos, incluindo o Havai e só residualmente para África", salientou o historiador, antigo presidente do conselho científico do Instituto de Investigação Científica Tropical.

O motivo para esta resistência era maioritariamente um só: a mortalidade. Algo que só se começou a dissipar com a introdução do quinino, algo que apenas produziu resultados no final do século 19 e começo do século 20.

A colónia de Moçâmedes começou com cerca de 60 pessoas e foi "singrando de forma lenta", pois era um deserto, tendo começado a chegar pescadores da zona de Olhão que se fixaram na costa angolana, no que foi um colonialismo "anterior àquele mais brutal, do final do século 19, que esmagou e era pouco respeitador das tradições locais".

João Pedro Marques disse que, apesar de a história da sua Benedita acabar por ser positiva, "para a maior parte das pessoas não foi brilhante" a experiência de viver em Moçâmedes, que só no último quarto do século é que começou "a ser aprazível, com luz na rua, um coreto com uma banda a tocar, muito calmo, que dava gosto ver".

O historiador, para quem a transição para a ficção foi "impercetível", acredita que o tema de "Uma fazenda em África" é mais "chamativo para as pessoas", já que "grande parte da população portuguesa tem uma relação com África, de algum modo", em comparação com o primeiro título "Os dias da febre", sobre a febre amarela, em Lisboa, em 1857.

Os romances históricos serão, na opinião de João Pedro Marques, "uma forma mais atraente, menos maçuda de aprender algo sobre o passado", o que justifica a popularidade do género na atualidade.

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