Quercus pede embargo da obra da Câmara de Gaia no espaço do Marés Vivas

Quercus pede embargo da obra da Câmara de Gaia no espaço do Marés Vivas

Redação, 15 abr (Lusa) -- A Quercus anunciou ter apresentado hoje em tribunal uma ação judicial para embargar obras da Câmara de Gaia no local escolhido para a realização da edição deste ano do festival Marés Vivas, junto ao estuário do Douro.

Lusa /

"Hoje, dia 15 de abril, a Quercus interpôs uma ação judicial de embargo de obra no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto", informa a associação ambientalista em comunicado.

A Quercus quer assim "travar as obras em curso pelo Município de Vila Nova de Gaia devido ao Festival Marés Vivas, numa zona de REN (Reserva Ecológica Nacional), onde estão a ser destruídos habitats e várias espécies protegidas".

De acordo com os ambientalistas, a área em causa, no Vale S. Paio em Canidelo e junto à Reserva Natural do Estuário do Douro, está classificada no Plano Diretor Municipal de Vila Nova de Gaia, como zona REN e "alberga um conjunto de espécies e habitats protegidos".

Acrescentam que as obras em curso, da responsabilidade da autarquia e de preparação do parque que irá albergar o festival, incluem a "desmatação e corte raso da vegetação, aterros e escavações", com "alterações da morfologia do terreno".

"Ocorrem precisamente dentro dessa zona de REN e por isso são suspeitas de violar a legislação em vigor", explicam os ambientalistas, salientando que "as obras que estão já a ser levadas a cabo pelo município naquela que, além de REN, é a zona tampão de que beneficia a Reserva Natural Local do Estuário do Douro, estão para além do mais, a causar danos gravíssimos a espécies e habitats protegidos".

A Quercus refere ainda que "aquele espaço constitui refúgio das espécies da Reserva sempre que os terrenos desta são inundados pelo rio" e que "no coberto vegetal e aquíferos de água doce que estão a ser terraplanados e aterrados" nidificam várias espécies de aves "cujos habitats estão a ser destruídos por uma obra ilegal".

Contactada pela Lusa, a Câmara de Gaia disse ser "lamentável que a Quercus se preste a alimentar mistificações que não contribuem em nada para a proteção do ambiente que defendemos".

"Aguardamos com serenidade a decisão dos tribunais que permitirá, de uma vez por todas, colocar um ponto final no assunto", assinalou a autarquia em resposta escrita.

A preparar-se para a sua 14.ª edição, o Marés Vivas vai mesmo ter de mudar de lugar e deixar o anterior espaço, junto à Douro Marina, onde está prevista, e licenciada pelo anterior executivo, a construção de sete prédios que podem ter até cinco pisos.

O novo local escolhido pela autarquia e empresa promotora para a realização da 14.ª edição do festival, fica a 900 metros do anterior e junto à Reserva Natural do Estuário do Douro, o que motivou críticas da Quercus logo no início do ano e a criação de uma comissão de acompanhamento pelo Ministério do Ambiente.

Na passada semana, o Ministério do Ambiente divulgou o resultado do trabalho da comissão que concluiu pela "viabilidade da realização" do festival junto ao Estuário do Douro e definiu medidas para minimizar o impacto do evento.

Já esta semana foi criado o Movimento Cívico SOS Estuário do Douro, que, em comunicado, referiu ter apelado aos artistas para que se "recusem a atuar" no festival e os patrocinadores e espetadores que "não contribuam para mais este atentado ambiental".

Contactado hoje pela Lusa, o coordenador do Grupo de Trabalho da Biodiversidade da Quercus, Samuel Infante, adiantou que já na próxima semana a associação ambientalista pretende dar entrada no tribunal uma providência cautelar contra a localização do festival marcado para julho.

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