Bruxelas calcula que Portugal precise de 700 milhões de euros de austeridade para cumprir metas

Bruxelas calcula que Portugal precise de 700 milhões de euros de austeridade para cumprir metas

Depois da visita, os recados. A Comissão Europeia avisa que o Governo de António Costa terá de reforçar a consolidação orçamental para cumprir as metas. Os técnicos calculam que sejam necessários mais 700 milhões de euros para cumprir o ajustamento pedido por Bruxelas. No relatório da terceira avaliação, o executivo comunitário pede ainda mais transparência e maior esforço no combate à corrupção.

Christopher Marques - RTP /
A Comissão Europeia insiste que Portugal precisa de mais medidas de austeridade. Yves Herman - Reuters

A Comissão Europeia pede mais: mais transparência, mais prevenção e mais critério nas adjudicações diretas em contratos. E também mais austeridade.

Bruxelas insiste que Lisboa se arrisca a ter um desvio orçamental significativo este ano. Para cumprir o ajustamento estrutural exigido, a Comissão acredita que Portugal tem de reforçar a contenção orçamental em 700 milhões de euros.

O pedido de reforço da contenção orçamental resulta das contas feitas pelos técnicos do edifício Berlaymont. A Comissão aponta que as medidas previstas no Orçamento do Estado deverão motivar um ajustamento estrutural entre 200 e 370 milhões de euros. O valor é muito inferior ao que Bruxelas exige: 1.100 milhões de euros.

O alerta, feito no relatório da terceira avaliação pós-troika, não é novo. A Comissão Europeia tinha já avisado que a proposta de Orçamento do Estado entregue pelo Governo promovia um ajustamento estrutural inferior ao recomendado pelas instituições europeias.

No relatório, as instituições europeias defendem ainda que o impulso reformista em Portugal estagnou desde que o país saiu do programa de assistência financeira em junho de 2014. Para além da estagnação nas reformas, Bruxelas aponta o dedo à reversão de algumas medidas.

O executivo comunitário refere em particular o regresso às 35 horas na Administração Pública, bem como as reposições dos cortes salariais também no setor público. Bruxelas reforça ainda a crítica ao aumento do salário mínimo nacional para 530 euros.

A comissão lamenta que este aumento seja feito “num contexto de baixa inflação e de alto desemprego, o que pressiona a estrutura geral de salários com o risco de afetar as perspetivas de emprego e de competitividade”.
Bruxelas critica reversões
No rol de críticas lançadas pela comissão, seguem as reversões nos transportes. Bruxelas aponta o dedo ao fim dos processos de subconcessão das empresas de transportes públicos e também às mudanças no processo de privatização da TAP.

A Europa alerta que estas ações podem aumentar os riscos orçamentais, principalmente se os dossiers acabarem nos tribunais.

Rui Alves Veloso, Inês Andrade, Luís Moreira - RTP

No relatório da terceira avaliação pós-troika, a comissão de Jean-Claude Juncker traça também um cenário macroeconómico mais negro. Bruxelas alerta que a criação de emprego deverá abrandar no curto prazo, tornando-se mais alinhada com o crescimento do Produto Interno Bruto.

Feitas as contas, o desemprego deverá continuar a descer mas de forma mais lenta. Os técnicos do edifício Berlaymont mostram-se especialmente preocupados com o desemprego jovem, o desemprego de longa duração e com a banca. Tal como o primeiro-ministro, a Comissão Europeia também considera que é preciso diminuir os elevados de níveis de crédito malparado dos bancos portugueses.
Combate à corrupção
O executivo comunitário alerta ainda que a ligação a Angola pode ser prejudicial para a banca lusa. Apesar de admitir que Luanda “vai continuar a representar um portfólio significativo e um destino direto do investimento português”, Bruxelas aponta que as condições para os negócios em Angola são agora “mais precárias”.

O relatório da terceira avaliação pós-troika pede ainda um reforço dos esforços no combate à corrupção, sobretudo na administração local e regional. Bruxelas acredita que “a implementação de critérios de transparência e a prevenção efetiva de corrupção no interior da administração pública portuguesa, em particular nas autoridades locais e regionais, continua a ser um desafio”.

O relatório foi elaborado depois da terceira visita dos técnicos da Comissão Europeia a Portugal. Apesar de Portugal ter saído do programa de assistência financeira em 2014, o memorando de entendimento prevê que os encontros regulares ocorram até que Portugal tenha devolvido a maioria dos empréstimos.

c/ Lusa
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