Carlos Tavares quer compensar pequenos investidores que compraram ações do BES
Lisboa, 18 nov (Lusa) - Os pequenos investidores que aplicaram poupanças na compra de títulos do BES nos dois últimos dias de negociação em bolsa devem ser alvo de uma solução que lhes permita minimizar as perdas, considerou hoje o presidente da CMVM.
"Há que haver um gesto para com os pequenos acionistas que compraram ações naqueles dois dias", afirmou o líder do supervisor do mercado de capitais português, durante a sua audição na comissão de inquérito parlamentar à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES).
Carlos Tavares referia-se especificamente às sessões bolsistas de 31 de julho e de 01 de agosto, que antecederam a intervenção do Banco de Portugal (BdP) no BES, feita num domingo à noite (03 de agosto).
"Já fiz essa sugestão nos lugares próprios", revelou o presidente da CMVM.
Entre as soluções que podem ser encontradas para compensar os pequenos acionistas, está a possibilidade de, por altura da venda do Novo Banco (entidade transitória que resultou da medida de resolução aplicada ao BES), as novas ações serem vendidas com desconto, referiu.
"A CMVM está pronta para ajudar a encontrar uma solução que corrija o que puder ser corrigido", sublinhou Carlos Tavares.
O objetivo é "corrigir a injustiça que foi criada" naquela altura específica, salientou o responsável, que já tinha mostrado aos deputados números que revelam que os grandes investidores se desfizeram de grandes blocos de ações nas vésperas da resolução do BES, algo que está a ser alvo de investigação da CMVM por suspeitas de abuso de informação privilegiada.
Quanto aos acionistas que participaram no aumento de capital do banco que foi finalizado em junho, a situação é diferente, defendeu, já que além de o prospeto da operação já conter muita informação, só 8% do total superior a mil milhões de euros de novas ações foram colocadas no retalho.
No final de julho, com a intervenção do BdP, "os acionistas do BES podem sentir a frustração de não terem podido recapitalizar o banco. Não tiveram oportunidade", sublinhou o responsável.
Tavares voltou a referir que "a CMVM precisa de ter informação para poder atuar no mercado quando é necessário", considerando que "dificilmente a CMVM podia ter feito mais, face aos instrumentos legais que existem".
O líder do supervisor revelou ainda que foi feito um relatório de autoavaliação sobre a atuação da CMVM nestes dias em que já se `cheirava` o colapso do BES e que está com a consciência tranquila face às conclusões do mesmo.
A comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES arrancou na segunda-feira e no total serão ouvidas cerca de 130 personalidades ligadas direta e indiretamente ao assunto.
Carlos Tavares, que está a ser ouvido desde as 15:00, é a segunda personalidade que presta hoje esclarecimentos, depois de o presidente do Instituto de Seguros de Portugal (ISP), José Almaça, ter estado no parlamento hoje de manhã.