Em direto
Portugal defronta Dinamarca após saída de Cristiano Ronaldo

Costa reafirma responsabilidade orçamental em entrevista ao Financial Times

Costa reafirma responsabilidade orçamental em entrevista ao Financial Times

Lisboa, 24 jan (Lusa) -- O Governo fez um "esforço adicional" para reduzir o valor do défice no projeto de Orçamento do Estado para 2016, afirmou o primeiro-ministro António Costa ao Financial Times, considerando que se trata de "um sinal" de responsabilidade orçamental.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Fixar o défice em 2,6% do PIB para este ano, abaixo dos 3% do ano passado e dos 2,8% propostos no programa do Governo foi "um sinal claro" de responsabilidade orçamental, disse António Costa numa entrevista hoje publicada no jornal económico, destacando que o Governo fez um esforço para reduzir o valor do défice e da dívida pública após "semanas de conversações" com os responsáveis da Comissão Europeia.

As previsões do governo apontam para uma redução de 0,2 pontos percentuais no défice estrutural para 1,1% do PIB, "a maior redução dos último anos", estimou António Costa, mas alguns analistas acreditam que as previsões de crescimento do governo de 2,1% são demasiado otimistas, aumentando a possibilidade de conflitos com a Comissão.

Na entrevista, o primeiro-ministro mostra-se convicto de que pode reduzir a austeridade dos últimos anos com o apoio dos partidos de esquerda que o ajudaram a formar Governo (PCP e Bloco de Esquerda) sem antagonizar os parceiros da zona euro, credores e investidores.

A tentativa de "virar a página da austeridade" dentro das restrições de política orçamental da zona euro está a ser observada de perto em toda a Europa e António Costa considera que as suas propostas de Orçamento para 2016, submetidas à Comissão Europeia este fim de semana são "a prova" de que reverter a austeridade é compatível com a disciplina orçamental.

"A verdade é que, ao mesmo tempo, que cria bases para o aumento do emprego, maior crescimento económico e mais proteção social, este orçamento vai mais longe na redução do défice do que estava previsto no nosso programa de governo. Isto demonstra que estamos comprometidos com a responsabilidade orçamental e o cumprimento das regras da zona euro", salientou.

Enfrentando batalhas em várias frentes, Costa reconheceu que tentar conciliar as exigências dos seus aliados de esquerda, parceiros da zona euro e mercados financeiros foi "um exercício muito exigente", mas mostrou-se convencido de que pode "mudar a direção da economia sem entrar em conflito com a União Europeia".

O primeiro-ministro salientou que "é completamente errado pensar que um país europeu como Portugal pode tornar-se mais competitivo baseando-se em fatores de competitividade do terceiro mundo" e que "a ideia de que a produtividade aumenta de acordo com o número de horas trabalhadas dá às pessoas o incentivo errado" porque o que é necessário fazer é aumentar o valor dos bens e serviços que se produzem.

Em contraste com a recessão alimentada pela austeridade, altos níveis de desemprego e expansão da dívida pública do anterior governo, Costa disse que quer levar o país "em frente e não para trás".

Tópicos
PUB