Economia
Grupos chineses de olho no Novo Banco e no BCP
Há interesse chinês na banca portuguesa. Depois de não ter conseguido o Novo Banco, o grupo Fosun quer investir 500 milhões de euros para ficar com o controlo do BCP. Quem olha agora para o Novo Banco é o chinês Haitong. A instituição apresentou a sua proposta à margem do processo de venda que decorre neste momento.
A primeira falhou e decorre atualmente a segunda tentativa de venda do Novo Banco. Mas há já um interessado que se encontra mais adiantado. Para o caso de o Banco de Portugal não fechar negócio com nenhum dos quatro investidores, o banco chinês Haitong propôs uma solução à margem do concurso público.
O interesse do banco chinês, antigo BES Investimento, foi noticiado esta segunda-feira pelo jornal Público. A RTP confirmou que houve reuniões informais em junho entre o presidente do Haitong, José Maria Ricciardi, e Sérgio Monteiro, ex-secretário de Estado e que está encarregado da venda do Novo Banco.
Nesses encontros, o Haitong foi desafiado a formalizar a proposta até 30 de Junho. Não o fez mas não perdeu o interesse.
Marina Conceição, David Freitas, Carlos Valente - RTP
Segundo o jornal Público, a proposta do banco chinês passa por angariar novos investidores para o Novo Banco para participarem num aumento de capital até dois mil milhões de euros. A maioria do capital continuaria nas mãos do Fundo de Resolução.
Contactado pela RTP, o Haitong não quis fazer comentários mas esta ideia já tinha sido defendida publicamente por José Maria Ricciardi.
"Acho que se tem de ir pela capitalização. Só mais tarde pela venda do capital. O Haitong Bank e outros bancos de investimento terão capacidade de apresentar investidores nesta modalidade, afirmou o presidente do banco a 8 de junho.
Esta hipótese só vai ser colocada em cima da mesa se o processo de venda direta falhar. Por agora, o Banco de Portugal está a analisar as quatro propostas recebidas e continua a trabalhar em simultâneo em dois cenários.
Um deles é a venda direta a um dos interessados. O outro é a venda em bolsa de uma parte do capital do Novo Banco. O caminho escolhido vai depender das ofertas.
Fosun faz proposta ao BCP
Por sua vez, o BCP está na mira da Fosun. O grupo chinês de investimento está disposto a dar 500 milhões de euros por uma participação de até 30 por cento no banco liderado por Nuno Amado. Com uma posição desse nível, a Fosun passaria a mandar no banco português.
A proposta de compra prevê que, numa primeira fase, a Fosun fique com 16,7 por cento. Esta primeira operação seria realizada através de um aumento de capital do Banco Comercial Português na ordem dos 236 milhões de euros. Mais tarde, a participação seria aumentada.
Inês Andrade e Nuno Castro - RTP
A administração do banco vê com bons olhos esta proposta, mas a decisão precisa ainda do acordo dos acionistas. A operação permitiria ao BCP devolver a totalidade da última tranche da ajuda do Estado.
A concretizar-se, a compra permitiria à Fosun aumentar a sua já forte presença no mercado português. A Fosun está nos seguros e na saúde, tendo adquirido a Fidelidade por mil milhões de euros e o grupo Luz Saúde por 478 milhões.
A empresa chinesa detém também cinco por cento do capital da REN e foi uma das finalistas do primeiro concurso para a venda do Novo Banco.
Venda de ativos
Em entrevista à Bloomberg, um dos fundadores da Fosun disse que o grupo pretende desfazer-se de alguns dos ativos que comprou, até ao final de 2017, num total de 5400 milhões de euros, mas sem travar novos investimentos.
A venda de ativos permitiria ao grupo Fosun melhorar o seu rating, atualmente na categoria de “lixo”, segundo as avaliações da Moody’s e da Standard & Poor’s. Entre os ativos que poderão ser vendidos encontram-se imóveis, dívidas e ações detidas pelo grupo.As ações do BCP chegaram a valorizar mais de 12 por cento esta segunda-feira. A tendência acabou por inverter-se.
O presidente-executivo da Fosun admite que os negócios em minas e no ferro poderão vir a ser alienados. O grupo tenta assim focar-se na área financeira, bem como no lazer e nos investimentos em saúde.
Será neste âmbito que se insere a aposta no BCP. O banco já está a avaliar a proposta e tem interesse em concluir o negócio ainda este ano. A instituição portuguesa registou prejuízos de 197,3 milhões de euros no primeiro semestre do ano, valor que compara com o lucro de 240 milhões de euros obtido no mesmo período de 2015.
Com a notícia do interesse chinês no banco, as ações da instituição chegaram a valorizar mais de 12 por cento esta segunda-feira. A tendência acabou por inverter-se e os títulos do BCP fecharam a perder cinco por cento.
O interesse do banco chinês, antigo BES Investimento, foi noticiado esta segunda-feira pelo jornal Público. A RTP confirmou que houve reuniões informais em junho entre o presidente do Haitong, José Maria Ricciardi, e Sérgio Monteiro, ex-secretário de Estado e que está encarregado da venda do Novo Banco.
Nesses encontros, o Haitong foi desafiado a formalizar a proposta até 30 de Junho. Não o fez mas não perdeu o interesse.
Marina Conceição, David Freitas, Carlos Valente - RTP
Segundo o jornal Público, a proposta do banco chinês passa por angariar novos investidores para o Novo Banco para participarem num aumento de capital até dois mil milhões de euros. A maioria do capital continuaria nas mãos do Fundo de Resolução.
Contactado pela RTP, o Haitong não quis fazer comentários mas esta ideia já tinha sido defendida publicamente por José Maria Ricciardi.
"Acho que se tem de ir pela capitalização. Só mais tarde pela venda do capital. O Haitong Bank e outros bancos de investimento terão capacidade de apresentar investidores nesta modalidade, afirmou o presidente do banco a 8 de junho.
Esta hipótese só vai ser colocada em cima da mesa se o processo de venda direta falhar. Por agora, o Banco de Portugal está a analisar as quatro propostas recebidas e continua a trabalhar em simultâneo em dois cenários.
Um deles é a venda direta a um dos interessados. O outro é a venda em bolsa de uma parte do capital do Novo Banco. O caminho escolhido vai depender das ofertas.
Fosun faz proposta ao BCP
Por sua vez, o BCP está na mira da Fosun. O grupo chinês de investimento está disposto a dar 500 milhões de euros por uma participação de até 30 por cento no banco liderado por Nuno Amado. Com uma posição desse nível, a Fosun passaria a mandar no banco português.
A proposta de compra prevê que, numa primeira fase, a Fosun fique com 16,7 por cento. Esta primeira operação seria realizada através de um aumento de capital do Banco Comercial Português na ordem dos 236 milhões de euros. Mais tarde, a participação seria aumentada.
Inês Andrade e Nuno Castro - RTP
A administração do banco vê com bons olhos esta proposta, mas a decisão precisa ainda do acordo dos acionistas. A operação permitiria ao BCP devolver a totalidade da última tranche da ajuda do Estado.
A concretizar-se, a compra permitiria à Fosun aumentar a sua já forte presença no mercado português. A Fosun está nos seguros e na saúde, tendo adquirido a Fidelidade por mil milhões de euros e o grupo Luz Saúde por 478 milhões.
A empresa chinesa detém também cinco por cento do capital da REN e foi uma das finalistas do primeiro concurso para a venda do Novo Banco.
Venda de ativos
Em entrevista à Bloomberg, um dos fundadores da Fosun disse que o grupo pretende desfazer-se de alguns dos ativos que comprou, até ao final de 2017, num total de 5400 milhões de euros, mas sem travar novos investimentos.
A venda de ativos permitiria ao grupo Fosun melhorar o seu rating, atualmente na categoria de “lixo”, segundo as avaliações da Moody’s e da Standard & Poor’s. Entre os ativos que poderão ser vendidos encontram-se imóveis, dívidas e ações detidas pelo grupo.As ações do BCP chegaram a valorizar mais de 12 por cento esta segunda-feira. A tendência acabou por inverter-se.
O presidente-executivo da Fosun admite que os negócios em minas e no ferro poderão vir a ser alienados. O grupo tenta assim focar-se na área financeira, bem como no lazer e nos investimentos em saúde.
Será neste âmbito que se insere a aposta no BCP. O banco já está a avaliar a proposta e tem interesse em concluir o negócio ainda este ano. A instituição portuguesa registou prejuízos de 197,3 milhões de euros no primeiro semestre do ano, valor que compara com o lucro de 240 milhões de euros obtido no mesmo período de 2015.
Com a notícia do interesse chinês no banco, as ações da instituição chegaram a valorizar mais de 12 por cento esta segunda-feira. A tendência acabou por inverter-se e os títulos do BCP fecharam a perder cinco por cento.