Moradores fazem ultimato à Câmara de Lisboa sobre núcleo desportivo em Telheiras

| Economia

Moradores na Quinta dos Inglesinhos, em Telheiras, decidiram dar até ao final do mês à Câmara de Lisboa para arranjar uma solução para a obra que prevê a criação de um núcleo desportivo neste bairro.

O objetivo é que, neste prazo, se realize uma reunião entre a comissão de moradores, a Junta de Freguesia de Carnide, a Câmara de Lisboa e os promotores do núcleo desportivo para chegar a um consenso, acordaram os cerca de 80 residentes que estiveram reunidos na quinta-feira a noite durante três horas em Carnide.

Caso isso não aconteça, os residentes avançam com uma providência cautelar.

Miguel Neves, da comissão dos moradores da Quinta dos Inglesinhos, explicou que este organismo vai apresentar desde já um recurso hierárquico ao município, de forma a preparar a eventual ação judicial.

A seu ver, tal procedimento "permite à Câmara apreciar a questão e não significa que se está a cortar a via do diálogo".

Miguel Neves argumentou que esta é uma "altura decisiva" para promover o diálogo sobre a obra, que é contestada por alguns moradores por ter uma "volumetria que não cumpre os regulamentos em vigor", por agravar "o estacionamento selvagem" na zona e ainda porque "pode comprometer o acesso de veículos prioritários".

Em causa está a construção de um núcleo desportivo com três campos de `padel`, dois de ténis, restaurante e gabinetes de fisioterapia e nutrição, num terreno de 2.500 metros quadrados situado no meio de prédios nas ruas Augusto Macedo, Pires Jorge e Manuel Rodrigues, que esteve baldio durante décadas.

Falando no debate promovido pela autarquia de Carnide, a residente Margarida Simões defendeu que "aquilo está um bocadinho alto demais", preocupação também manifestada pela moradora Maria Catarina Santos.

Luís Pinto criticou que tenha sido "licenciado um objeto que ultrapassa as necessidades" da prática desportiva, tornando-se numa "gaiola e um monstro à frente de prédios".

Já a moradora Mariana Dias solicitou uma "responsabilização da Câmara de Lisboa, que autorizou aquilo".

Para o presidente da Junta de Carnide, Fábio Sousa (PCP), "o projeto está carregado de ilegalidades".

A moderar o debate, o deputado municipal do PSD Victor Gonçalves considerou que "o mal é aprovarem-se pedidos de informação prévia [PIP] desta forma, sem ouvir a população, porque o PIP dá direitos ao promotor".

Em representação dos promotores da obra, a advogada Maria da Câmara Pestana mostrou-se disponível para chegar a um "diálogo razoável", adiantando que só se equaciona a redução da volumetria para "a altura prevista no projeto aprovado", ou seja, 13,7 metros.

A obra, que arrancou em janeiro de 2015 e deveria ter terminado nesse verão, esteve embargada cinco meses por os promotores terem aumentado a altura do edifício em 1,2 metros sem licenciamento.

Antes disso, já a volumetria da infraestrutura tinha tido um acréscimo devido à inclusão de lugares de estacionamento a pedido da Câmara de Lisboa.

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