Novo Banco: "É preferível nacionalizar a dar o banco em saldo"

O ministro das finanças admite todas as possibilidades no caso do Novo Banco. A nacionalização e uma delas.
Existirão quatro propostas de compra todas abaixo dos valores oferecidos na primeira tentativa de venda.
"É preferível nacionalizar a dar o banco em saldo", afirma no Jornal 2 Marco Silva.
O analista de mercados, e especialista no setor financeiro, comenta também a guerra política em torno da CGD. Mário Centeno responsabilizou esta quarta feira o anterior governo por um desvio de três mil milhões de euros no plano de negócios da Caixa Geral de Depósitos.
"não se trata de um novo buraco a somar aos quatro a cinco mil milhões que se diz serem necessários para capitalizar o banco público. É a justificação que faltava para esse valor ser tão elevado", explica.

Rui Sá, João Fernando Ramos /
Haverá apenas quatro propostas para comprar o Novo Banco. Três provenientes de fundos de investimento: Apollo e Centralbrige, e Lone Star outra do BPI.

Mário Centeno pediu ao Banco de Portugal uma análise das opções: Vender diretamente a um dos interessados, vender em bolsa, nacionalizar.

As propostas de compra serão inferiores às descartadas na primeira tentativa de venda do banco, o ano passado, por serem insuficientes.

"A atitude mais sensata será nacionalizar agora, gerir o banco, e aguardar por uma altura mais propícia no futuro para o vender com lucro". A afirmação é de Marco Costa. O analista de mercados concorda com João Salgueiro. O presidente da Associação Portuguesa de Bancos e antigo ministro das finanças do PSD tem vindo a defender esta solução nos últimos meses.

Marco Silva lembra que o Novo Banco foi criado do zero com quase cinco mil milhões de capital social mais três mil milhões de ativos limpos que transitaram do BES. "A esse capital somaram-se já mais dois mil milhões de dívida que lhe foi retirada e passada para o (Banco Mau) BES". Em menos de dois anos o valor da instituição desvalorizou entre 80 e 90%.

Sobre a Caixa Geral de Depósitos Marco Silva e perentório. "O anterior governo escondeu a realidade das contas da instituição e promoveu uma gestão danosa do banco". O analista lembra que não foi por ter sido injetados mil e seiscentos milhões de euros na instituição que se resolveu o problema. "Foi por só se ter injetado essa verba que o problema se agravou. Injetando pouco capital não foi possível retirar do balanço todas as imparidades. taparam-se alguns buracos mas sem capital suficiente é como morrer na praia", explica.
PUB