Cabo Verde regista primeiro caso de microcefalia associado ao vírus

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Cabo Verde registou o primeiro caso de microcefalia com provável associação ao vírus Zika, anunciou hoje o Ministério da Saúde, adiantando que desde o início da epidemia foram registadas 165 grávidas com suspeita de infeção.

"Foi notificado o nascimento de uma criança com evidências de microcefalia na cidade da Praia. Não temos ainda a confirmação de se tratar de microcefalia que esteja associada a Zika, mas é uma situação que tratamos como provável associação", disse a ministra da Saúde, Cristina Fontes Lima.

Durante uma conferência de imprensa, hoje, na cidade da Praia, Cristina Fontes Lima adiantou que foram recolhidas amostras à mãe e à criança, que serão enviadas para o Instituto Pasteur, em Dacar, para confirmação laboratorial.

"Há um caso notificado de microcefalia, queremos agora investigar para poder saber se há esta ligação. Até prova em contrário, temos que o tratar no contexto epidemiológico e notificar à OMS [Organização Mundial de Saúde]", acrescentou

Por seu lado, o diretor nacional da Saúde, Tomás Valdez, adiantou que o nascimento da criança foi notificado na segunda-feira e que "resulta de uma gravidez de termo, de uma mãe que referiu retrospetivamente ter manifestado sintomas e sinais compatíveis com uma infeção por vírus Zika".

Tomás Valdez adiantou também que durante o curso da doença a mulher não foi ao médico e durante o período pré-natal não fez qualquer referência a que tinha estado doente.

Disse ainda que a criança, com "evidências clinicas e epidemiológicas de microcefalia", foi identificada no âmbito da vigilância às grávidas nos serviços de saúde.

O diretor nacional da Saúde sublinhou que a criança será seguida em consultas de pediatria e neuropediatria, para estimular precocemente o desenvolvimento de "alguma capacidade e autonomia básica", e que será prestado apoio psicológico e social aos pais.

As autoridades de saúde deram ainda conta do registo de 165 grávidas com suspeita de infeção por vírus Zika, sendo que até à segunda semana de março tinham acontecido já 44 partos sem indícios de microcefalia ou Síndrome de Guillian Barré.

Cristina Fontes Lima disse ainda que a epidemia de Zika em Cabo Verde mantém a tendência decrescente, tendo sido notificados, na semana que terminou a 06 de março, 33 casos suspeitos, um número 25 vezes menor quando comparado com o pico da epidemia, que se registou em novembro.

Atualmente, segundo a ministra, apenas a Praia (Santiago) e São Filipe (Fogo) estão a notificar casos suspeitos, enquanto as ilhas do Maio e da Boavista não registaram casos nas últimas semanas.

A epidemia de Zika em Cabo Verde foi oficialmente declarada a 22 de outubro de 2015 e até 06 de março de 2016 foram registados 7.457 casos suspeitos.

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