Camião abalroou multidão em Nice durante celebrações do 14 de julho

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François Hollande falou ao país de madrugada e disse que ataque com um camião tem todos os sinais de "ataque terrorista", anunciando que esta sexta-feira se realiza uma reunião de Estado para mobilizar todos os meios para fazer face à ameaça. O Presidente francês fala em 77 mortos, incluindo várias crianças e mais de 100 feridos, 20 em estado muito grave. O estado de emergência em França, que devia ser levantado a 26 de julho, vai ser prolongado até outubro. Hollande convocou os reservistas e mais de 10.000 soldados para garantir a segurança em França no período de férias.

Cerca das 22h30 de quarta-feira, hora portuguesa, um camião foi contra centenas de pessoas, incluindo muitas famílias, que assistiam na 'Promenade des Anglais', em Nice, ao fogo de artifício do 14 de julho.

O veículo ceifou pessoas ao longo de dois quilómetros, de acordo com as primeiras informações. O momento da sua passagem foi captado por um telemóvel.


De acordo com um jornalista do jornal regional Nice Matin, o pânico instalou-se entre a multidão: "as pessoas correm é o pânico. Ele entrou pela Prome e lançou-se sobre toda a gente. Foi um banho de sangue, há sem dúvida dezenas de vítimas", testemunhou.

O britânico Roy Calley, que vive a cerca de 200 metros do local, disse à estação britânica BBC que "foi um pandemónio" quando a "atmosfera de celebração" se transformou em algo "bastante horrendo". "As pessoas estavam a divertir-se. De repente, ouvi um estrondo gigantesco, como uma explosão ou uma colisão. Muitas pessoas gritavam e penso que a seguir se ouviram tiros".

A australiana Emily Watkins contou à Australian Broadcasting Corporation que "as pessoas tropeçavam e tentavam entrar nos hotéis, restaurantes, parques de estacionamento ou qualquer lado para onde pudessem entrar para fugir da rua".

Muitas pessoas chegaram a lançar-se ao mar para evitar o camião.

Ao início da madrugada não havia ainda informações oficiais sobre vítimas portuguesas, o secretário de Estado das Comunidades apelou aos cerca de 10.000 portugueses da região para contactarem os consulados.

O Departamento de Investigação anti-terrorista da Judiciária de Paris já tomou conta do das investigações centradas em determinar se o motorista do camião agiu sozinho ou se tinha cúmplices.

A Côte d'Azur está sob alerta vermelho.

Eric Gaillard, Reuters
Hospital numa discotecaO ataque deu-se na 'Promenade des Anglais', uma avenida marginal e um dos locais mais turísticos da cidade. Um perímetro de segurança isolou a zona em torno da praça Massena, onde o veículo se lançou sobre a multidão e os habitantes da cidade foram aconselhados a manter-se resguardados e em casa.

Uma discoteca foi transformada num hospital improvisado para recolher as vítimas. Os taxistas de Nice transportaram igualmente muitos feridos para os hospitais.

Três portugueses contactados ao telefone pela RTP contam o que testemunharam esta noite em Nice.

Correram notícias de que várias pessoas teriam sido feitas reféns no hotel Meridien daquela cidade francesa mas o ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, desmentiu a notícia.

Uma troca de tiros entre a polícia e o condutor do camião terminou quando este foi abatido. Aparentemente será um franco-tunisino, de acordo com papéis de identidade encontrados no veículo. Dentro do camião, a polícia encontrou ainda diversas armas, incluindo espingardas e granadas, além de "armas pesadas" de acordo com o presidente da região de Provence-Alpes-Cote d`Azur, Christian Estrosi, que não quis adiantar mais pormenores. Dia simbólico
O economista Bagão Felix estava em Nice e escapou por pouco ao ataque.

O atentado marca o Dia da Tomada da Bastilha, a 14 de julho, dia nacional de França. Há praticamente oito meses deu-se o atentado do grupo extremista Estado Islâmico em Paris que fez 130 mortos.

Quarta-feira de manhã o Presidente francês François Holande admitia levantar a 26 de julho o estado de emergência que vigora em França desde janeiro de 2015.

O presidente francês dirigiu-se ao país cerca das 02h30 em Portugal e anunciou o prolongamento do estado de emergência em França por mais três meses.

Hermano Sanches Ruivo, vereador na Câmara de Paris, afirma que o país é especialmente vulnerável a este tipo de ataques em dias de festa simbólicos.

Dezenas de mortos
Várias imagens publicadas na rede Twitter mostraram vítimas imediatamente após o ataque.


O Presidente francês François Hollande, que estava em Avignon, regressou a Paris e  reuniu-se com a célula de crise após falar com o primeiro ministro Manuel Valls e com o ministro do Interior Bernard Cazeneuve, afirmou a presidência francesa.

O primeiro-ministro português António Costa e o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa enviaram mensagens de condolências e de solidariedade aos seus homólogos franceses.
Solidariedade internacional
O Presidente norte-americano foi informado e acompanhou o evoluir da situação, referiram fontes oficiais da Casa Branca. Barack Obama condenou "o que parece ser um atentado terrorista".

O embaixador de França nos Estados Unidos cancelou uma festa 'do 14 de julho'.

Espanha já condenou o atentado e manifestou apoio ao povo francês. O primeiro ministro Mariano Rajoy convocou uma reunião para avaliar a ameaça terrorista.

Donald Trump suspendeu a conferência de imprensa onde ia anunciar o nome do seu vice-presidente da corrida à Casa Branca, e reagiu no Twitter ao incidente, classificando-o de "atentado horrível".

As autoridades britânicas aconselharam os seus cidadãos na zona a obedecer às autoridades e à polícia francesas.

Já a Turquia reagiu no Twitter apelando à união internacional contra o terror.

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