Donald Trump admite responsabilidade da Rússia na pirataria aos democratas

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“Acho que foi a Rússia”. Foi recorrendo a poucas palavras que Donald Trump admitiu o envolvimento russo na pirataria informática aos democratas. Na primeira conferência de imprensa desde a sua eleição, o candidato criticou os serviços de inteligência pelas notícias que chegaram a público nas últimas horas. A poucos dias de iniciar o mandato, Trump prometeu acabar com o Obamacare e avançar com a construção do muro na fronteira com o México.

O presidente eleito dos Estados Unidos admite que a Rússia está na origem da violação de sistemas informáticos ligados ao Partido Democrático.

“Acho que foi a Rússia”, afirmou, antes de insistir que os Estados Unidos são também vítimas de pirataria informática por parte de outros países, nomeadamente da China.

Donald Trump considera ainda que os sistemas do Partido Democrático estavam acessíveis à pirataria. “Podiam ter criado uma defesa contra os piratas informáticos como nós fizemos”, observou o presidente eleito.

“Eles tentaram piratear o Comité Nacional Republicano e não foram capazes de passar. É isso que temos de fazer no país”, afirmou na primeira conferência de imprensa desde a sua eleição.


Donald Trump defendeu que a pirataria é "má" e "não pode acontecer" mas focou-se nas críticas à ex-adversária, Hillary Clinton: “Vejam as coisas que aprendemos com estes piratas”.

“Imaginam se Donald Trump tivesse tido acesso prévio às perguntas do debate? Teria sido o maior escândalo do mundo. Teriam dito logo que tinha de desistir. Ninguém falou disso com ela”, lamentou.
"Notícias falsas"
O sucessor de Barack Obama na Casa Branca criticou os serviços de informações pelas notícias que chegaram a público nas últimas horas.

A imprensa norte-americana avança que há um documento a circular em Washington que sugere que Moscovo tem “dados comprometedores” sobre Donald Trump” e que poderia usá-los para o chantagear. Entre os dados estarão vídeos de práticas extravagantes de Trump com grupos de prostitutas.

Reportagem de Márcia Rodrigues, Ricardo Guerreiro - RTP

Na conferência de imprensa, o presidente eleito classificou a fuga de informação de “vergonha”, tendo afirmado que são “notícias falsas”. Donald Trump não negou que Vladimir Putin o aprecie, tendo focado que a preferência não pode ser vista como uma “fraqueza”, mas antes como um “trunfo".

Donald Trump mostra-se convencido que Washington será mais respeitado com ele do que seria com Hillary Clinton. “Francamente, acreditam que a Hillary seria mais dura com Putin do que eu? Quem pode acreditar nisso?”, questionou.
"Maior criador de empregos"

O presidente eleito dos Estados Unidos insistiu que tem havido “boas notícias” a nível económico ao longo das últimas semanas. “Várias empresas vão entrar nos Estados Unidos”, afirmou, garantindo que serão construídas novas fábricas em território norte-americano.

O magnata garantiu que as empresas que deslocalizem fábricas terão de pagar uma “pesada” taxa alfandegária para conseguir exportar a produção para os Estados Unidos.

O próximo presidente dos Estados Unidos não duvida que as suas políticas conduzirão à criação de emprego. “Disse que iria ser o maior criador de empregos que Deus jamais criou. Acredito mesmo nisso”, insistiu.

Donald Trump afirmou ainda ter entregado o controlo das suas empresas aos filhos, apesar de manter a propriedade. O republicano assegura que não haverá qualquer conflito de interesses, garantindo que a gestão será exclusiva dos filhos. “Não me falarão disso”, alega.  
Muro e Obamacare

Donald Trump mantém a promessa de acabar com o Obamacare, classificando o programa de saúde promovido pela atual administração de “desastre total”. “Ficarão muito orgulhosos do que vamos fazer”, garantiu aos norte-americanos, sem dar explicações sobre a alternativa proposta.

“O Obamacare é um problema dos democratas. Faremos um favor aos democratas. Mal o nosso secretário de Estado da Saúde entre em funções, o Obamacare será substituído por algo mais barato e eficaz”, prometeu.

O fim do Obamacare não é a única promessa de campanha que Donald Trump promete cumprir. O presidente eleito garantiu que o muro na fronteira com o México é mesmo para avançar e o mais rapidamente possível.

“Podia esperar um ano e meio até que acabássemos as negociações com o México que irão começar mal chegue à Casa Branca. Mas não quero esperar”, afirmou.

O sucessor de Barack Obama no Salão Oval disse que o vice-presidente eleito está a trabalhar para que a obra seja aprovada pelas agências e pelo Congresso para dar início aos trabalhos. Mantém também a convicção de que o México acabará por pagar. “De alguma forma nos irão reembolsar”, afirmou.

Trump marcou presença esta quarta-feira naquela que foi a sua primeira conferência de imprensa desde a eleição de 8 de novembro.

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Barack Obama, Donald Trump, Estados Unidos, Hillary Clinton, Partido Democrático, Partido Republicano, Rússia, Vladimir Putin,

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