Espeleólogos portugueses (re)descobrem Timor

É uma viagem às "entranhas" de Timor-Leste. Seis espeleólogos portugueses vão viajar este domingo até ao território situado no Índico, junto à Indonésia, para conhecer e explorar os segredos que o subsolo de Timor ainda tem para revelar.

Os seis espeleólogos portugueses vão conhecer pela primeira vez Timor, por fora, mas também por dentro.
Foto: Pedro Silva Pinto - Direitos Reservados
| Mundo

À frente desde projeto estão as Associações Espeleológicas do Núcleo de Espeleologia da Universidade de Aveiro (NEUA), o Centro de Estudos e Atividades Especiais da Liga para a Proteção da Natureza (CEAE-LPN), o Centro de Investigação e Exploração Subterrânea (CIES), e o Grupo Proteção Sicó (GPS).

Manuel Freire, espeleólogo desde 1992, especialista em cartografia digital espeleológica, conversou com o Online da RTP e revela que esta é uma viagem de trabalho, mas também muito emocional, devido ao facto de os portugueses se identificarem, ainda hoje, com este território.



Para além de Manuel Freire presidente da Federação Portuguesa de Espeleologia e do NEUA, organismo que preparou a expedição, também seguem viagem até ao subsolo de Timor-Leste outros cinco espeleólogos nacionais.
  • Pedro Silva Pinto, espeleólogo desde 1998, com experiência em topografia digital e fotografia;
  • Manuel Soares, espeleólogo desde 1976, com experiência em espeleologia subaquática;
  • Sergio Medeiros, espeleólogo desde 1993, professor de espeleologia, cartografia e SIG;
  • Ana Sofia Reboleira, espeleóloga e bióloga no Museu de história natural da Dinamarca e Universidade de Copenhaga.
  • André Reis, espeleólogo, com experiência em exploração, escavação e resgaste.
Esta missão a Timor-leste tem como finalidade explorar algumas grutas já conhecidas, mas acima de tudo descobrir e dar a descobrir novas das cavidades subterrâneas existentes neste território.A espeleologia serve de base para muitas áreas científicas, como por exemplo a geologia, biologia, arqueologia, paleontologia, entre outras

Manuel Freire refere ainda que para além de desejarem descobrir o máximo de grutas possíveis, no curto período em que vão ao território, entre 4 de setembro e 2 de outubro, querem aproveitar este tempo, para dar início a um grupo de formação a timorenses, na área de espeleologia, e sensibilizar a população local para as riquezas e preservação do subsolo timorense.




(Re)descobrir Timor
Nesta expedição a “Timor Subterrâneo”, os seis espeleólogos que se propõem realizar os trabalhos de exploração e levantamento do potencial espeleológico de Timor-Leste não conhecem o território, nem por cima, nem por baixo, como explica Manuel Freire:

"Para mim pessoalmente, aliás, e para toda a equipa vai ser descobrir mesmo, a primeira vez … Timor. E vai ser uma grande oportunidade de conhecer os timorenses. Descobrir Timor, um Timor subterrâneo e trazer-lhes à superfície o outro lado do território".



Este projeto, dará especial ênfase aos distritos de Baucau, Lautém e Viqueque e assenta numa clara partilha de informação e conhecimento nos mais diversos domínios da espeleologia.

Um interior que mostra o passado do território
A equipa portuguesa não esconde a espectativa, no que diz respeito aos achados espeleológicos, visto este território interior ser basicamente inexplorado.

Manuel Freire diz que, para além das formações calcárias que espera encontrar, o subsolo timorense é especialmente rico neste tipo de minério, a biologia interior é também uma das maiores "curiosidades" da equipa.

Mas a história não fica por aqui, visto serem conhecidas algumas pinturas rupestres dentro das grutas já conhecidas.

"Segundo as informações disponíveis, sim são visíveis (pinturas rupestres). Aliás esse foi um dos motivos. Embora Timor seja um país muito jovem, é um país que já tem um parque nacional (…), o que demonstra que a população timorense se preocupa com o seu território. E esse parque, foi já reconhecido pela UNESCO, devido às grutas e as cavidades que contêm algumas pinturas rupestres".




Grutas: esconderijos naturais da resistência timorense
Aquando da invasão de Timor Leste pelas forças militares indonésias, foram muitos aqueles que, desagradados e perseguidos politicamente, fugiram para as montanhas desta região.

A região tem na sua formação geológica muitas cavidades naturais - as grutas que serviram de refúgio para a resistência timorense.

O espeleólogo Manuel Freire explica ao Online da RTP, que não conhece nenhuma, visto ainda não ter ido ao território, mas afirma que muitos destes “buracos” naturais serviram certamente de base e de esconderijo às milícias resistentes timorenses, que fizeram frente aos militares indonésios, durante os 34 anos de ocupação.





Uma estadia curta mas com perspetivas muito elevadas
Fazer topografia e cartografar o máximo possível é o duro objetivo da equipa de espeleólogos portugueses, que partem este domingo, 4 de setembro, para Timor.

Com apenas 28 dias para cumprir a missão, e com a dificuldade acrescida de não conhecer o território, Manuel Freire desabafa mesmo que a solução para a realização de um trabalho de excelência seria toda a equipa de espeleólogos emigrar para Timor, visto serem dezenas os quilómetros existentes no subsolo.

Mas a solução imediata é fazer o maior levantamento possível para, mais tarde, retornar e melhorar esta primeira incursão no terreno.



Após todo o trabalho de exploração, de cartografia e identificação, esta equipa portuguesa de espeleologia quer transpor esta experiência enriquecedora num artigo científico, de forma a dar a conhecer mais uma maravilha natural que o mundo ainda tem para mostrar.


Vários elementos que agora compõem esta equipa portuguesa já estiveram presentes em várias partes do mundo onde participaram em diversas expedições, das quais muitas das fotos, cedidas pelos espeleólogos Manuel Freire, Pedro Silva Pinto e Ana Sofia Reboleira, aqui pode visualizar.




Mais informação visitar o site "Fatuk-kuak hosi Timor - Projeto Timor Subterrâneo"


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