Milhares de mexicanos pedem demissão do Presidente Enrique Peña Nieto

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Milhares de mexicanos contestaram nas ruas o Presidente Enrique Peña Nieto após o seu encontro com Donald Trump e alegadas violações dos Direitos Humanos
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Milhares de pessoas manifestaram-se, esta quinta-feira, nas ruas da capital do México, exigindo ao Presidente, Enrique Peña Nieto, que se demita, nomeadamente por causa de violações aos direitos humanos e pelo encontro que manteve com Donald Trump.

Os manifestantes transportavam um cartaz durante a marcha na capital em que se lia "Peña Nieto inepto demite-te pelo bem do México!" e abanaram bandeiras do México, num protesto que tem lugar na véspera do Dia da Independência do país.

A marcha rumou à praça central de Zocalo, onde, tradicionalmente, na noite anterior ao feriado, o Presidente do México recria o "Grito" da independência, ocorrida em 1810, a partir da varanda do Palácio Nacional.

A polícia antimotim foi destacada para perto da praça central para travar o acesso dos manifestantes, que marcharam sob a palavra de ordem "Demite-te imediatamente".

o protesto, que juntou aproximadamente 10.000 pessoas e descrito como apartidário, decorreu, na maior parte do tempo, de forma pacífica, tendo terminado com uma escaramuça com a polícia que, com uma barreira de centenas de agentes, bloqueou a passagem e utilizou gás lacrimogénio para dispersar os manifestantes, de acordo com a agência Efe.

Os pais dos 43 estudantes desaparecidos desde setembro de 2014, num controverso caso envolvendo as autoridades mexicanas, juntaram-se ao protesto.

"Não temos razões para gritar `Viva o México`" (...). Há milhares de injustiças", afirmou Cristina Bautista, mãe de um dos desaparecidos que alegadamente foram sequestrados pela polícia e mortos por um cartel de droga.

Já outros decidiram participar na manifestação para expressar o seu descontentamento relativamente à decisão de Peña Nieto de convidar o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, para uma visita ao país, que teve lugar no final do mês passado.

O candidato à Casa Branca ofendeu os mexicanos, por várias ocasiões, nomeadamente ao exigir que o país pague o muro que planeia construir no caso de ser eleito e ao acusar o México de enviar "traficantes" e "violadores" para os Estados Unidos.

"Depois da visita desta pessoa que tem discriminado os nossos irmãos (...) estamos revoltados e envergonhados que ele tenha vindo como um chefe de Estado, porque esse foi o tratamento que lhe foi dado", afirmou um dos manifestantes, apontando que "há muito pouco para comemorar".

Já outra participante do protesto exibia um cartaz em que se lia: "Todos os ineptos e corruptos têm de ir embora".

"Estamos cansados que este governo faça sempre as coisas mal feitas", sublinhou, citada pela agência AFP.

O governo, acrescentou, "tem negligenciado os problemas sociais. Vivem como príncipes quando as pessoas vivem com o salário mínimo".

Peña Nieto, que chegou ao poder em dezembro de 2012, viu a sua taxa de aprovação cair 23% de acordo com uma sondagem realizada recentemente pelo jornal Reforma.

A visita de Trump ao México, a 31 de agosto, abalou a sua administração, com o seu ministro das Finanças, Luis Videgaray, a resignar ao cargo na sequência de informações de que liderou a iniciativa.

Mas Peña Nieto tem estado sob fogo também por antigos escândalos, nomeadamente o do desaparecimento dos 43 estudantes, e o da compra, também em 2014, pela primeira-dama de uma mansão de luxo a uma empresa mexicana que integrou o consórcio inicialmente escolhido para introduzir o comboio de alta velocidade no país, que o levou, aliás, a emitir um raro pedido de desculpa, apesar de o casal ter negado qualquer irregularidade.

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