Nações Unidas suspendem envio de ajuda humanitária após ataque contra camiões na Síria

por Christopher Marques - RTP
Pelo menos 18 dos 31 camiões, que transportavam roupas, medicamentos e alimentos, foram destruídos Ammar Abdullah - Reuters

As Nações Unidas suspenderam todos os envios de comboios humanitários na sequência do ataque aéreo de segunda-feira. O bombardeamento atingiu pelo menos 18 dos 31 camiões que rumavam à cidade de Urm al-Kubra, na província de Alepo. O Crescente Vermelho confirma que pelo menos um dos seus trabalhadores morreu no ataque.

Está suspenso o envio de ajuda humanitária das Nações Unidas na Síria. Perante o ataque ao comboio humanitário, a ONU decidiu suspender todos os movimentos no país até que sejam avaliadas questões de segurança.A organização garante que o comboio humanitário tinha recebido todas as autorizações necessárias e que a Rússia e os Estados Unidos tinham sido informados.

O porta-voz da ONU para a Ajuda Humanitária frisou ainda que o Governo sírio autorizou recentemente que fosse entregue ajuda humanitária em todas as áreas sitiadas do país.

Também a Cruz Vermelha Internacional admite que este ataque possa ter repercussões na ajuda humanitária à Síria.

O presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha condena o bombardeamento, que classifica como uma “clara violação do direito internacional”.

“O fracasso na proteção dos trabalhadores e estruturas humanitárias pode ter sérias repercussões no trabalho desenvolvido no país”, afirma em comunicado citado pela Reuters.
Crescente Vermelho confirma um morto

O Crescente Vermelho já confirmou que pelo menos um dos seus trabalhadores morreu no ataque aéreo, bem como outros civis. No entanto, a instituição acredita que possam ter morrido menos pessoas do que o inicialmente pensado.



O Observatório Sírio dos Direitos Humanos tinha avançado que pelo menos 12 trabalhadores e condutores tinham morrido no ataque. Pelo menos 18 dos 31 camiões, que transportavam roupas, medicamentos e alimentos, foram destruídos.
Washington acusa Moscovo
Numa primeira reação ao ataque, os Estados Unidos manifestaram ultraje com o ataque e reforçaram que o destino da coluna humanitária era conhecido do regime Sírio e do seu aliado, a Rússia.

"A notificação da coluna - que planeava chegar a 78 mil pessoas - tinha sido dada a todas as partes do conflito e a coluna estava claramente assinalada como humanitária", disse o comandante das operações humanitárias das Nações Unidas.



"Não pode haver explicação ou desculpa, não há razão ou racionalização para abrir guerra sobre corajosos e altruístas trabalhadores humanitários que tentavam chegar até aos seus concidadãos, que precisam desesperadamente de assistência".

Os EUA exigem que Moscovo demonstre "rapidamente e de forma significativa" que continua comprometida com o acordo de cessar-fogo no país árabe.
Moscovo refuta
Moscovo já veio negar quaisquer responsabilidades no ataque ao comboio humanitário, garantindo que o bombardeamento não partiu das aviações russa ou síria.

"As aviações russa ou síria não efetuaram qualquer ataque aéreo contra um comboio humanitário da ONU a sudoeste de Alepo", reagiu entretantou o Ministério russo da Defesa.

O porta-voz do Ministério Igor Konashenkov afiançou, por outro lado, que "todas as informações sobre o paradeiro dos camiões estavam apenas na posse dos militantes que controlam aquelas áreas".



O comandante das operações humanitárias da ONU pediu já uma investigação. Stephen O’Brien sublinhou que se “se descobrir que este ataque cruel tinha como alvo deliberado a equipa humanitária, isso representaria um crime de guerra".
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