ONU alerta que Iémen arrisca cenário de fome em 2017 se nenhuma ação for tomada

ONU alerta que Iémen arrisca cenário de fome em 2017 se nenhuma ação for tomada

Nações Unidas, 27 jan (Lusa) -- Enviados das Nações Unidas advertiram na quinta-feira que a escalada do conflito no Iémen deixou grande parte da população a precisar de ajuda humanitária e que, caso nada seja feito, o país arrisca um cenário de fome este ano.

Lusa /

O enviado especial da ONU para o Iémen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, alertou o Conselho de Segurança na quinta-feira que o "perigoso" recrudescimento dos ataques aéreos e dos combates no terreno está a ter "trágicas consequências para o povo iemenita", com milhões de pessoas a carecerem de ajuda alimentar urgente.

"O conflito no Iémen é agora o principal motor da maior emergência de segurança alimentar no mundo", afirmou, por seu lado, o secretário-geral adjunto da ONU para os Assuntos Humanitários, Stephen O`Brien, advertindo: "Se não houver uma ação imediata, a fome é um cenário possível para 2017".

Cerca de 14 milhões de pessoas -- quase 80% da população do Iémen -- carecem de ajuda alimentar, das quais metade vive numa situação de grave insegurança alimentar, disse O`Brien, indicando que pelo menos dois milhões precisam de assistência alimentar urgente para poderem sobreviver.

O secretário-geral adjunto da ONU para os Assuntos Humanitários alertou que a situação é "especialmente grave" no caso das crianças, com cerca de 2,2 milhões a sofrerem de desnutrição aguda -- um aumento de 53% face ao final de 2015.

"Em termos globais, a situação das crianças continua sombria: uma criança com menos de 10 anos morre a cada dez minutos por causas evitáveis", afirmou O`Brien.

O conflito no Iémen, a nação mais pobre do mundo árabe, opõe os rebeldes xiitas `huthis` e forças aliadas a uma coligação internacional liderada por sauditas.

A coligação iniciou uma campanha aérea em março de 2015 para restabelecer o governo reconhecido internacional e que abandonou o país depois de os `huthis` terem ocupado a capital, Sanaa.

As Nações Unidas têm apelado a um cessar-fogo para permitir a entrega urgente de suprimentos humanitários e à retoma das conversações políticas para acabar com a guerra.

O número de civis mortos em quase dois anos de conflito no país atingiu os 10.000, a que se somam 40.000 outros feridos, segundo dados revelados recentemente pela ONU.

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