Portugal e Iémen reatam relação bilateral interrompida há 500 anos

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Portugal e o Iémen retomaram hoje uma relação bilateral interrompida há 500 anos, com a promessa de um reforço de laços antigos que Sanaa quer ver reflectido num maior empenho da União Europeia na região.

O acordo é um memorando de entendimento que estabelece contactos políticos regulares entre responsáveis dos dois países e foi assinado hoje em Sanaa pelos ministros dos Negócios Estrangeiros iemenita, Abu Bakr Abdallah al-Qirbi, e português, Luís Amado.

"Esta é a primeira visita de um ministro português ao Iémen. Estamos a reatar uma relação que começou há 500 anos quando os portugueses chegaram à nossa costa e se foram embora sem deixar para trás ressentimentos", disse Abdallah al-Qirbi à imprensa após a assinatura do documento.

O ministro iemenita considerou estar-se perante "uma nova etapa da relação" e salientou que Portugal, enquanto membro da União Europeia, pode ter um papel especial nos esforços internacionais para a resolução de problemas da região e para o reforço da ajuda ao Iémen, um dos países mais pobres do mundo, onde quase metade dos seus 22 milhões de habitantes vive abaixo do limiar da pobreza.

"A Europa tem de passar a ser um verdadeiro parceiro e ajudar à resolução de conflitos, quer no Médio Oriente quer em Darfur e na Somália (...), juntamente com os países da região e para que seja possível alcançar uma verdadeira prosperidade, não individualmente mas como um todo", disse Abdallah al-Qirbi.

O ministro iemenita disse "apreciar a posição de imparcialidade que Portugal assume" em relação a estes conflitos e valorizar o seu "potencial mediador", atitude que considerou ser "a que melhor serve a paz e a estabilidade na região".

O Iémen espera igualmente de Portugal um apoio mais na contribuição da União Europeia para o desenvolvimento do país, classificado nos lugares finais das tabelas mundiais de rendimento por habitante (166º lugar entre 209 países) e de desenvolvimento humano (150º lugar entre 177 países).

"Vamos explorar as potencialidades da relação bilateral e ver como a Europa pode ajudar o Iémen a enfrentar os grandes problemas que tem. Já temos o apoio da Grécia, Alemanha, Itália e Espanha, e estamos confiantes de que Portugal também pode ter um papel", disse Abdallah al-Qirbi.

O ministro iemenita acrescentou ainda esperar que um reforço da ajuda europeia inspire os países da região "a serem ainda mais generosos com o Iémen" e referiu que, na última conferência de doadores, os países do Golfo contribuíram com quase metade (2,7 mil milhões de dólares) dos cerca de cinco mil milhões de ajuda ao país.

Luís Amado respondeu positivamente a este apelo, afirmando que, apesar da presença político-diplomática portuguesa ser "muito pequena" na região, "Portugal, enquanto membro da UE, é um parceiro importante do Iémen".

"Gostaríamos que Portugal venha a ser conhecido no Iémen como um defensor dos interesses do país na UE", disse.

O ministro português esteve hoje no Iémen no âmbito de um périplo pelos países do Golfo Pérsico destinado a reforçar as relações políticas com esta região. Depois da Arábia Saudita, Omã, Emirados Árabes Unidos e Iémen, Luís Amado conclui esta digressão quinta-feira com uma visita ao Qatar.


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