Mundo
Trabalhadores da Amazon acusam empresa de atitude opressiva e insensível
Segundo uma exposição de quase seis mil palavras apresentada ao The New York Times pelos funcionários da Amazon, as condições laborais na empresa online de retalho são devastadoras.
A Amazon, empresa de retalho
que trabalha via Internet fundada pelo
bilionário Jeff Bezos, tinha já sido acusada de tratar o pessoal de um armazém
no Reino Unido "como gado", forçando-os a trabalhar mais.
O texto, com 5.900 palavras, a que o The New York Times teve acesso, apresenta relatos de pessoas forçadas a trabalhar durante quatro dias consecutivos, sem dormir. Revela ainda o caso de uma mulher com cancro da mama, a quem foi apresentado um "plano de melhoramento de performance", porque as "dificuldades" da "vida pessoal" interferem com o trabalho. Por situação análoga passou também uma outra mulher que tinha dado à luz um bebé já morto.
Os relatos dos empregados da empresa norte-americana mostram que estes são submetidos a condições muito abaixo do aceitável. As queixas são também contra a monitorização contínua dos empregados, que dizem ser encorajados a virarem-se uns contra os outros para manterem os seus empregos.
Uma equipa de funcionários de um armazém na Pensilvânia foi alegadamente obrigada a operar com temperaturas acima de 30º Celsius. Os sistemas de ar condicionado só foram postos a trabalhar depois de os media locais terem reportado a situação.
Plano de melhoria de performance
Um ex-funcionário da companhia, nos arredores de Seattle, refere que chegou a trabalhar 80 horas por semana, recebeu e-mails durante as férias e mesmo a meio da noite. Diz que foi submetido a opressivo escrutínio da sua performance e sentiu ainda desprezo quando se debatia com crises pessoais.
Uma outra antiga empregada da empresa, que teve um nado morto, descreveu esse dia como o pior. "Passei pela experiência mais devastadora da minha vida", disse.
Entretanto, foi-lhe apresentado pela empresa um plano para melhorar a sua performance no emprego. Segundo revelou ao jornal norte-americano, o objetivo era "garantir que o foco estava no trabalho".
Como esta, outra funcionária foi submetida ao mesmo plano. Uma mulher que sofria de cancro da mama foi avisada de que as "dificuldades" da sua "vida pessoal" estavam a interferir com o trabalho.
"Vi-os a chorar nas secretárias"
Molly Jay, que também trabalhou para a Amazon, afirmou que sempre recebeu boas avaliações até ser diagnosticado um cancro ao seu pai , momento em que ela passou a ser "um problema", segundo o patrão.
"Quando não se está apto a entregar o nosso tudo, 80 horas por semana, isso é visto como uma fraqueza", sublinhou Molly.
Um ex-trabalhador da companhia disse ao jornal norte-americano que chegou a ver os colegas em lágrimas. "Vi a chorar nas secretárias quase toda a gente com quem trabalhei, ", testemunhou.
Depois de ser mãe de dois gémeos, uma mulher foi obrigada a cumprir uma viagem de negócios no dia seguinte ao parto.
De acordo com o depoimento, o patrão disse-lhe: "Desculpa, o trabalho continua a ter de ser feito. Tendo em conta onde estás na tua vida, a tentar criar uma família, não sei se este é o sítio certo para ti".
Dina Vaccardi, uma vendedora que se juntou à empresa em 2008, revelou que não dormiu durante vários dias.
"Uma vez eu não dormi durante quatro dias seguidos", disse Dina. "Estes negócios eram os meus bebés, e eu fazia tudo o que podia para ter sucesso", acrescentou.
O texto, com 5.900 palavras, a que o The New York Times teve acesso, apresenta relatos de pessoas forçadas a trabalhar durante quatro dias consecutivos, sem dormir. Revela ainda o caso de uma mulher com cancro da mama, a quem foi apresentado um "plano de melhoramento de performance", porque as "dificuldades" da "vida pessoal" interferem com o trabalho. Por situação análoga passou também uma outra mulher que tinha dado à luz um bebé já morto.
Os relatos dos empregados da empresa norte-americana mostram que estes são submetidos a condições muito abaixo do aceitável. As queixas são também contra a monitorização contínua dos empregados, que dizem ser encorajados a virarem-se uns contra os outros para manterem os seus empregos.
Uma equipa de funcionários de um armazém na Pensilvânia foi alegadamente obrigada a operar com temperaturas acima de 30º Celsius. Os sistemas de ar condicionado só foram postos a trabalhar depois de os media locais terem reportado a situação.
Plano de melhoria de performance
Um ex-funcionário da companhia, nos arredores de Seattle, refere que chegou a trabalhar 80 horas por semana, recebeu e-mails durante as férias e mesmo a meio da noite. Diz que foi submetido a opressivo escrutínio da sua performance e sentiu ainda desprezo quando se debatia com crises pessoais.
Uma outra antiga empregada da empresa, que teve um nado morto, descreveu esse dia como o pior. "Passei pela experiência mais devastadora da minha vida", disse.
Entretanto, foi-lhe apresentado pela empresa um plano para melhorar a sua performance no emprego. Segundo revelou ao jornal norte-americano, o objetivo era "garantir que o foco estava no trabalho".
Como esta, outra funcionária foi submetida ao mesmo plano. Uma mulher que sofria de cancro da mama foi avisada de que as "dificuldades" da sua "vida pessoal" estavam a interferir com o trabalho.
"Vi-os a chorar nas secretárias"
Molly Jay, que também trabalhou para a Amazon, afirmou que sempre recebeu boas avaliações até ser diagnosticado um cancro ao seu pai , momento em que ela passou a ser "um problema", segundo o patrão.
"Quando não se está apto a entregar o nosso tudo, 80 horas por semana, isso é visto como uma fraqueza", sublinhou Molly.
Um ex-trabalhador da companhia disse ao jornal norte-americano que chegou a ver os colegas em lágrimas. "Vi a chorar nas secretárias quase toda a gente com quem trabalhei, ", testemunhou.
Depois de ser mãe de dois gémeos, uma mulher foi obrigada a cumprir uma viagem de negócios no dia seguinte ao parto.
De acordo com o depoimento, o patrão disse-lhe: "Desculpa, o trabalho continua a ter de ser feito. Tendo em conta onde estás na tua vida, a tentar criar uma família, não sei se este é o sítio certo para ti".
Dina Vaccardi, uma vendedora que se juntou à empresa em 2008, revelou que não dormiu durante vários dias.
"Uma vez eu não dormi durante quatro dias seguidos", disse Dina. "Estes negócios eram os meus bebés, e eu fazia tudo o que podia para ter sucesso", acrescentou.