Turquia e Arábia Saudita admitem enviar tropas para a Síria

por Graça Andrade Ramos - RTP
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlet Cavusoglu Michael Dalder - Reuters

O ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlet Cavusoglu, admitiu este sábado que a Turquia e a Arábia Saudita poderão liderar uma operação terrestre conjunta na Síria. O acordo entre Ancara e Riade abre aos caças do reino saudita a base de Incirlik, no sul da Turquia.

O objetivo expresso da missão conjunta é a luta contra o grupo islamita Estado Islâmico.

"Se há uma estratégia, então a Turquia e a Arábia Saudita poderiam participar numa operação terrestre", afirmou Cavusoglu, citado pelos jornais diários Yeni Safak e Haberturk.

"A Arábia Saudita vai poder enviar também os seus aviões para a Turquia, para Incirlik", acrescentou o ministro.

A Arábia saudita já tinha admitido há duas semanas a possibilidade de enviar tropas para a Síria, no que foi secundada pelo Bahrain.

Esta sexta-feira, o primeiro-ministro russo, Dmitiri Medvedev, alertou para a necessidade imperiosa de um acordo de paz na Síria, sob pena de o conflito degenerar numa nova guerra mundial.

Já hoje, o dirigente russo alertou para o surgir de uma nova "guerra fria" entre o Ocidente e a Rússia.
Múltiplos intervenientes
O teatro de guerra da Síria já envolve numerosas potências, com a Rússia e o Irão a apoiarem oficialmente o Governo sírio de Bashar al-Bashar, com meios militares, incluindo aviões e tropas no terreno. A guerrilha xiita libanesa, Hezbollah, também intervém nos combates ao lado do exército sírio leal a Assad.

Os povos curdos, tanto sírios, como turcos e iraquianos, intervêm igualmente nos combates, sobretudo contra o grupo Estado Islâmico, tendo estabelecido uma aliança com várias milícias cristãs e muçulmanas independentes.

Já do lado dos grupos rebeldes, na sua maioria sunitas, o maior apoio a nível de diplomacia internacional vem da Arábia Saudita, enquanto os cidadãos das monarquias do Golfo sustentam com armas e dinheiro diversos grupos de combatentes que apadrinham.

Os Estados Unidos lideram por sua vez uma coligação internacional que bombardeia alvos do grupo Estado Islâmico. A Turquia apoia este esforço e afirma combater igualmente o grupo islamita mas é acusada de beneficiar com o contrabando, tanto de armas e de víveres que abastecem os grupos armados na Síria, como do petróleo que sustenta em grande parte os combatentes do Estado Islâmico e da Frente al-Nusra (al Qaida na Síria).

Nos últimos meses, Ancara lançou uma guerra contra o terrorismo e oficialmente contra o grupo Estado Islâmico. As suas operações, contudo, visaram sobretudo as forças curdas que combatem por autonomia na Turquia.
Acordo de cessar-fogo
Esforços internacionais para conseguir a paz coincidiram com uma operação de grande envergadura por parte do governo sírio, no noroeste do país, para cortar as rotas de abastecimento aos grupos armados em Aleppo, vindas da Turquia.

As operações provocaram a fuga de mais de 50.000 civis.

Esta sexta-feira, o grupo internacional de Apoio à Síria, reunido na Alemanha, chegou a acordo para um cessar-fogo parcial na Síria, que deverá ter início na próxima semana e possibilitar o envio de apoio humanitário às populações.

A Rússia, contudo, irá continuar com os seus bombardeamentos, contra os "terroristas" e o acordo de cessar-fogo não foi assinado por nenhum dos grupos que combatem no terreno.
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