Fantasma do encerramento regressa à linha do Tua um ano depois

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O acidente de segunda-feira no Tua reavivou o fantasma do encerramento da última ferrovia do distrito de Bragança, com os autarcas locais a temerem que se concretizem os receios de há quase um ano.

Em Março de 2006, o Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, admitiu o encerramento de linhas férreas se fossem encontradas "alternativas de deslocação mais económicas e tão ou mais confortáveis do que o comboio".

A imprensa noticiou na altura que linhas como o Tua, Corgo, Tâmega ou Figueira da Foz constavam de um plano que previa a substituição do serviço ferroviário pelo modo rodoviário".

O ministério de Mário Lino esclareceu depois não haver "qualquer decisão sobre o assunto", mas os autarcas transmontanos interpretaram as notícias como o anúncio do encerramento da linha do Tua.

Os receios regressaram agora, depois do descarrilamento da composição que arrastou cinco pessoas por uma ravina com cerca de 60 metros para o rio Tua.

Segundo dados da CP, o acidente fez a primeira vítima mortal nesta linha com quase mais de um século.

O descarrilamento provocou ainda dois feridos e dois desaparecidos.

Os presidentes das câmaras de Carrazeda de Ansiães e Mirandela, Eugénio de Castro e José Silvano (ambos do PSD) já manifestaram preocupação relativamente ao futuro da linha, com receio de que o acidente possa ditar o fim da ligação ferroviária.

Outro factor que sustenta os receios é a intenção do Governo de construir uma barragem na foz do Tua, que iria submergir parte da linha.

Contactada pela agência Lusa, fonte da CP disse que a decisão de encerramento da linha é de competência política e não da empresa.

Frisou, no entanto que "desde o início da década de 1990 que não encerra nenhuma linha de caminho-de-ferro em Portugal".

Nessa data, o Nordeste Transmontano perdeu praticamente toda a ligação ferroviária, com o encerramento da linha do Sabor e de parte da linha do Tua, entre Bragança e Mirandela.

Desta última restam cerca de 60 quilómetros, entre Mirandela e o Tua, onde ocorreu o acidente de segunda-feira.

A fonte da CP disse ainda que, "embora tratando-se de uma linha com baixa procura, o caminho-de-ferro é um serviço público que não tem apenas uma preocupação comercial, mas também social".

De acordo com a fonte, nas linhas menos rentáveis como a do Tua, a CP tem procurado modelos menos onerosos para o Estado.

Exemplo desta estratégia é o protocolo celebrado com o metropolitano de superfície de Mirandela, que disponibiliza quatro composições para transportar os passageiros da CP naquele percurso.

Uma das composições é a envolvida no acidente de segunda- feira.

Segundo a fonte, estas composições, denominadas como "material ligeiro", oferecem maior conforto, comodidade, segurança e qualidade aos passageiros.

"Além disso, implicam menos encargos de manutenção e menos desgaste na infraestrutura (linha) do que as locomotivas e carruagens anteriormente utilizadas pela CP", afirmou.

A fonte da empresa escusou-se a comentar um relatório de uma vistoria que alegadamente detectou, em 2001, falhas de segurança na linha do Tua e recomendava medidas de correcção, segundo uma notícia hoje divulgada pelo jornal Público.

A fonte lembrou apenas que recentemente foi feito um investimento de dois milhões de euros para a consolidação e segurança da linha e que permitiu também a automatização de três passagens de nível.

Dos mais de 14 mil passageiros que em 2006 viajaram na linha, muitos são turistas que a utilizam para apreciarem as paisagens, sobretudo no Verão.

As autarquias servidas pela linha reclamam há quase um década um novo modelo de gestão, em que também participem, para explorar mais esta vertente turística.

Os passageiros mais assíduos da linha do Tua, embora em menor número, são os residentes das aldeias ao longo do seu percurso, que em alguns casos não têm outro transporte público para se deslocarem.

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