Pirilampos atraem 50 investigadores internacionais a Gaia

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Cerca de cinco dezenas de investigadores internacionais reúnem-se a partir de quinta-feira no Parque Biológico de Gaia para participar num seminário sobre pirilampos, abordando questões relacionadas com a sua importância para a ciência e para o equilíbrio ecológico.

O encontro reunirá participantes oriundos dos Estados Unidos, Japão, Itália, Suiça, Tailândia, Reino Unido e Portugal, entre outros países.

O seminário, que decorre até segunda-feira, é organizado pelo Parque Biológico de Gaia e pelo Instituto Belga de Investigação da natureza e da Floresta.

Segundo o director do parque, Nuno Oliveira, esta é a primeira vez que pessoas de todo o mundo se vão reunir expressamente para discutir este grupo de animais e a sua importância para a ciência, sendo as intervenções dos investigadores posteriormente editadas em livro.

A ideia de organizar este seminário surgiu pelo facto do Parque Biológico de Gaia ter a tradição, desde há vários anos, de abrir ao público durante as noites de Junho para observação de pirilampos.

Esta iniciativa "suscitou a curiosidade de um belga (Raphael de Cock) que manifestou interesse em participar e, palavra passa palavra, algum tempo depois havia já vários investigadores interessados em vir a Portugal", acrescentou Nuno Oliveira.

O director do parque destacou à Lusa a intervenção que a tailandesa Anchana Thancharoen fará, sexta-feira, sobre pirilampos e a poluição luminosa (excesso de luz nas cidades), um "tema muito actual".

O excesso de luz artificial à noite prejudica a visão da abóboda celeste, dificulta os estudos astronómicos, aumenta a falta de visibilidade, por estranho que pareça, e prejudica animais e plantas.

Em relação aos pirilampos, o excesso de luz artificial impede animais nocturnos que utilizem sinais luminosos de se encontrarem. A luz artificial em excesso inibe a produção de luz nestes animais luminosos.

O japonês Takurou Yasouka vai falar, também sexta-feira, sobre técnicas de amostragem (captura) de larvas de pirilampos terrestres, usando armadilhas com isco.

No sábado, o belga Raphael de Cock apresentará o inventário dos pirilampos no Benelux e o seu lançamento em Portugal.

No Parque Biológico de Gaia existe uma grande população de pirilampos, mas a espécie encontra-se em vias de extinção devido, sobretudo, à poluição.

"São animais muito sensíveis às alterações ambientais, sendo por isso, também, considerados óptimos bioindicadores", disse Nuno Oliveira, explicando que os pirilampos só sobrevivem em locais com "bom ambiente".

Os pirilampos podem ser encontrados em Maio e Agosto e quem já os apanhou sabe que a luz deste insecto não queima e é das luzes mais frias da Terra.

Os clarões emitidos pelos pirilampos são sinais que permitem o reconhecimento mútuo para efeitos de acasalamento.

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