Voto pesar pela morte Cónego Melo aprovado com votos favoráveis CDS-PP e PSD e abstenção PS

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O Parlamento aprovou hoje um voto de pesar pela morte do Cónego Melo, com os votos favoráveis do CDS-PP e do PSD, a abstenção da maioria dos deputados socialistas e o voto contra do PCP, BE e PEV.

Apesar da abstenção do grupo parlamentar socialista, as deputadas Matilde Sousa Franco, Rosário Carneiro, Teresa Venda e o deputado Ricardo Gonçalves não acompanharam o sentido de voto da bancada, tendo votado favoravelmente o voto de pesar apresentado pelo CDS-PP.

No final da leitura do voto, e no momento imediatamente anterior a ser feito um minuto de silêncio, muitos deputados socialistas, como Vitalino Canas, Manuel Alegre, João Soares ou Vítor Ramalho, saíram da sala do plenário da Assembleia da República.

Todos os deputados do BE abandonaram igualmente o plenário, tal como alguns deputados do PSD, como Emídio Guerreiro e Miguel Macedo, não tendo, assim, participado no minuto de silêncio.

"No passado sábado, morreu em Fátima, o monsenhor Eduardo Melo Peixoto, para muitos, simplesmente o Cónego Melo. Como a propósito salientou o arcebispo de Braga D. Jorge Ortiga, `é sempre difícil, em poucas palavras, sintetizar a vida de alguém que foi grande durante toda a sua vida`", lê-se no voto de pesar apresentado pelo CDS-PP_.

Durante a discussão do voto de pesar, o deputado do CDS-PP Nuno Melo recordou ainda o Cónego Melo como alguém que dedicou toda a vida "à Igreja, aos outros à sua cidade e ao país".

Contudo, e antecipando as críticas das bancadas mais à esquerda da Assembleia da República, Nuno Melo não deixou de sublinhar que o voto em discussão era "um voto de pesar e respeito por alguém que morreu", recordando que o Cónego Melo "nunca foi condenado por nenhum tribunal".

"O verdadeiro democrata respeita a separação de poderes (...), um verdadeiro democrata não tem por boa uma decisão judicial consoante se trata de alguém de esquerda ou de direita", sublinhou, manifestando "pena" por alguma "extrema-esquerda ser tão pequenina".

Bastante duro nas críticas, o líder parlamentar do BE Luís Fazenda contrapôs os argumentos de Nuno Melo, lembrando que o Cónego Melo assumiu a sua ligação ao MDLP, que "semeou o terror" na altura do 25 de Abril.

"Isso não esquecemos, não é uma questão mesquinha", salientou, acrescentando que, ao votar contra o voto de pesar, o BE "recorda todos os que ficaram debaixo das bombas".

"O Cónego Melo é alguém que não merece qualquer respeito da República", disse ainda Luís Fazenda.

Pelo PCP, o deputado Agostinho Lopes acusou o CDS-PP de querer aproveitar politicamente a morte do Cónego Melo, lembrando que esteve do lado do "terrorismo bombista".

Mas, acrescentou, "cada partido tem os heróis que escolhe".

"Pela luta contra o fascismo e pela memória das vítimas, o PCP votará contra este voto", anunciou Agostinho Lopes.

A deputada dos Verdes Heloísa Apolónia justificou também o voto contra da sua bancada por o partido não se identificar com texto apresentado pelo CDS-PP, que "esconde muito da história e de actos atentadores contra a liberdade".

Jorge Strech, pela bancada do PS, explicou igualmente a abstenção dos socialistas, sublinhando que o grupo parlamentar "jamais votaria contra o pesar pela morte de alguém".

Contudo, acrescentou, por não se tratar de um "voto inócuo" e porque o PS "não aceita qualquer tipo de instrumentalização", os socialistas não acompanharam o sentido de voto nem das bancadas mais à esquerda, nem da direita parlamentar.

"Assistimos a uma guerra entre as bancadas mais à direita e mais à esquerda, que tentam uma revisão histórica", declarou.

O PSD foi, assim, a único partido a acompanhar o CDS-PP no voto favorável.

"Votaremos favoravelmente com toda a tranquilidade. A Assembleia da República não pode transformar-se num tribunal popular", afirmou o deputado Fernando Santos Pereira.

VAM.


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