António Borges considera ignorantes empresários que rejeitaram alteração da TSU

| Política

“Não estamos a transferir rendimentos para ninguém, estamos a tentar manter postos de trabalho”, insistiu António Borges no Fórum Empresarial do Algarve
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São “completamente ignorantes”, segundo pensa António Borges, os empresários que se mostraram contra as alterações que o Governo de Pedro Passos Coelho planeava introduzir na Taxa Social Única. Foi assim que o consultor do Executivo para o dossier das privatizações falou este sábado dos anticorpos que a medida entretanto abandonada gerou entre o tecido empresarial do país. Intervindo no I Fórum Empresarial do Algarve, em Vilamoura, o antigo quadro do Fundo Monetário Internacional sustentou ainda que quem entende que “o programa de ajustamento português se faz sem apertar o cinto” estará “um bocadinho a dormir”.

Os mais de 300 empresários, economistas e agentes políticos de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Índia e Emirados Árabes Unidos convocados este fim-de-semana a Vilamoura ficaram a saber que, para António Borges, resultam de ignorância as críticas com os quais o patronato acolheu as intenções do Governo para a Taxa Social Única – um aumento da contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social de 11 para 18 por cento, acompanhado de uma redução da TSU suportada pelas empresas por cada profissional de 23,75 para 18 por cento.As críticas de António Borges ao empresariado português foram deixadas no decurso da conferência “A crise europeia e as suas saídas – soluções para Portugal”.

O I Fórum Empresarial do Algarve é organizado pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais) e tem por finalidade debater a crise económica e financeira internacional.

Os ministros adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e da Economia, Álvaro Santos Pereira, participam no evento.


“Que a medida é extremamente inteligente, acho que é. Que os empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes, não passariam do primeiro ano do meu curso na faculdade, isso não tenham dúvidas”, atirou o consultor do Executivo para as privatizações, insistindo no que considera ser a virtude de uma opção que suscitou uma contestação transversal a patrões e sindicatos.

Borges reconheceu que a medida levaria a uma perda de poder de compra “para muita gente”. Para logo defender que quem considera que o ajustamento económico e financeiro do país “se faz sem apertar o cinto está com certeza um bocadinho a dormir”.

Mesmo após o recuo de Pedro Passos Coelho, na esteira do coro de críticas dos parceiros sociais e de uma histórica contestação nas ruas, António Borges continua a argumentar que o Governo não pretendia “transferir rendimentos de ninguém para ninguém”. “Estamos a tentar manter postos de trabalho. Isto é do interesse de todos, não é só de alguns”, afirmou.
“Um novo paradigma”
O conselheiro do Executivo considera, em suma, que não estaria em causa uma transferência direta dos rendimentos do trabalho para o capital, sublinhando que o próprio país está “completamente descapitalizado”. “Parece que voltámos todos ao marxismo: o capital é uma coisa má, temos que o destruir”, ironizou António Borges, crítico de quem entende que não se pode “ajudar o capital”.

Na perspetiva de Borges, o principal problema de Portugal radica nas “elites” e não no povo, que, disse, teria uma “confiança extraordinária” no país.

O evento de Vilamoura foi também uma ocasião para o economista fazer nova apologia da execução do Programa de Assistência Económica e Financeira suportado pelo Fundo Monetário Internacional e pela União Europeia: “O que estamos a fazer em Portugal é precisamente pôr a casa em ordem, mudar o país para um novo paradigma, regressar ao crescimento económico com outras bases”.

“A primeira parte deste programa está a correr extraordinariamente bem, muito mais depressa do que se pensava. Ontem o ministro da Economia falava de estarmos dois anos à frente do que estava previsto. Como talvez saibam, eu estive no Fundo Monetário Internacional quando o programa foi concebido e nessa altura, de facto, ninguém pensava que Portugal, no fim de 2012, tivesse as suas contas externas equilibradas. Isto é de facto um ajustamento rapidíssimo, extraordinário, um case study de como se põe uma economia direita em muito pouco tempo”, arguiu.

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Algarve, António Borges, Comissão de Acompanhamento, Consultor, Fórum Empresarial, Governo, Pedro Passos Coelho, Privatizações, TSU, Taxa Social Única, Vilamoura,

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