Ei-los que partem

A cidade do Porto já celebrou os 100 anos da Avenida dos Aliados e a inauguração da estação de S. Bento. Fica no lugar do antigo Convento de S. Bento de Avé-Maria, onde el-Rei D. Carlos colocou a primeira pedra já em 1900. Mas foi a República que inaugurou a estação.

| Portugal na I Grande Guerra


Passado um século recordou-se os que daqui partiram para a guerra, e sublinhou-se a importância maior que os Caminhos de Ferro tiveram no conflito europeu na construção e exploração das linhas férreas até muito próximo das primeiras linhas de defesa e para colocar o mais à frente possível os grandes canhões.

Algumas imagens da cidade do Porto na época:



Ilustração Portuguesa - Hemeroteca Nacional de Lisboa

Acompanhando a pressa dos portuenses em ter a sua nova estação, o artista Jorge Colaço concluiu a sua obra em azulejos muitos antes de o vestíbulo estar pronto.

Motivos históricos, regionais, alegóricos, Mestre Jorge Colaço recheou o projecto de arquitectura de Marques da Silva com imagens, hoje restauradas.

Há cem anos, a par da pontualidade dos comboios, os homens que partiram para combater em França olharam também eles para estas imagens. 



Estação de S. Bento - Créditos: Dario de Sá e Silva; DR


Estação de S. Bento - Créditos: João Paulo Frade; DR

"Adeus, adeus, terra de Portugal! Farrapos de panorama, relâmpagos de beleza, entreluzindo pela janela do comboio.
" - Jaime Cortesão 


Imagens da exposição “Ei-los que partem…” - 5 a 23 de outubro 2016 nas comemorações dos 100 anos da Estação de São Bento.

Diário do Soldado nº 413, Laurindo Soares da 1ª Companhia do Batalhão de Sapadores dos Caminhos-de-Ferro - Museu Militar do Porto


Últimas despedidas - Arquivo Histórico Militar

Militares numa estação de caminho-de-ferro - Arquivo Histórico Militar

Zona de embarque - Arquivo Histórico Militar
 
Militares a embarcarem - Arquivo Histórico Militar

Milhares de homens iam chegando a Lisboa de comboio para embarcarem em navios. O transporte das tropas para França tinha de ser feito por mar visto a Espanha ser neutral e não admitir a passagem de tropas beligerantes.

Apenas alguns pequenos grupos militares seguiram por comboio até Paris, mas vestidos à civil e disfarçados de turistas para não ofender a neutralidade de Espanha.

A Ilustração Portuguesa noticiava "os elogios feitos ás tropas portuguesas pela forma elevada e serena por que partem a unir-se aos exércitos anglo-franceses". 

Ilustração Portuguesa - Hemeroteca Municipal de Lisboa

Mas até o embarque no comboio para Lisboa podia ser problemático: 



Últimas despedidas - Arquivo Histórico Militar



No cais de embarque - Arquivo Histórico Militar

Muitos homens não queriam embarcar no comboio que os levaria à capital. Houve uma série de motins em batalhões de Infantaria: de Lagos, Penafiel, Lamego.

Em Janeiro de 1917, as tropas de um batalhão de Infantaria de Leiria insubordinaram-se tentando dificultar o embarque no comboio e depois tentaram não embarcar no cais de Alcântara. Motim semelhante em Santarém, com a recusa de embarque no comboio para Lisboa.


Mais animados, os sapadores dos Caminhos de Ferro. Na Gazeta dos Caminhos de Ferro este meio é descrito como "um maravilhoso sistema de transportes de homens e víveres", e também "como uma verdadeira arma de guerra".

O batalhão de sapadores dos Caminhos de Ferro consistia em 1000 homens. 

À chegada a França, os ingleses julgavam que se tratava de companhias de trabalhadores e não de companhias de caminhos de ferro de engenharia, o que deu azo, mais uma vez, a alguns desentendimentos com os ingleses. No entanto, no relatório final feito pelo comando inglês o nosso papel foi enaltecido. 

A construção, conservação e exploração de linhas férreas até muito próximo das primeiras linhas de defesa era fundamental. E claro, o meio para colocar o mais à frente possível os grandes canhões.

Assim, com maior ou menor vontade de chegar à frente de combate, entre Fevereiro e Março de 1917 foram transportados cerca de 20.000 homens chegando a Lisboa de comboio para partir para Brest de navio.

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