Há 32 anos que tentamos salvar a camada de ozono

por RTP
Reuters

Assinala-se esta segunda-feira o Dia Mundial para a Preservação da Camada de Ozono. Este ano, as Nações Unidas celebram 32 anos de recuperação. Em comparação com as últimas três décadas, as emissões dos gases mais poluentes diminuíram substancialmente. No entanto, a completa cicatrização da camada de ozono só deverá acontecer entre 2050 e 2060.

A recuperação da camada de ozono vem sendo levada a cabo há de 32 anos, mas os esforços parecem estar finalmente a produzir resultados.
O Dia Mundial para a Preservação da Camada de Ozono alerta para as consequências da destruição do escudo invisível que protege o planeta das radiações ultravioletas.
De acordo com os dados divulgados esta segunda-feira pelo Eurostat, as emissões de gases poluentes baixaram substancialmente na União Europeia entre 1990 e 2017. Há 29 anos, o índice rondava as 100 mil toneladas. Em 2017, as emissões rondam as 78 mil.

Para Portugal, os números revelados pelo gabinete estatístico europeu apresentaram uma redução acima da média europeia: de 108 mil para 47 mil toneladas.

Estima-se que até, ao próximo ano, a concentração dos gases que contribuem para o efeito de estufa caia cerca de 20 por cento, em comparação com os valores registados em 1990.

Os esforços para proteger a camada de ozono também contribuíram para o combate às mudanças climáticas evitando cerca de 135 mil milhões de toneladas, entre 1990 a 2010.
Uma recuperação de 32 anos
“O tema deste ano celebra mais de três décadas de uma cooperação internacional notável para proteger a camada de ozono e o clima sob o Protocolo de Montreal”, pode ler-se no comunicado das Nações Unidas.

Este protocolo internacional, que vinculou a 16 de setembro de 1987 centena e meia de países, compromete-se a substituir as substâncias responsáveis pela destruição da camada de ozono. Com este tratado, já foram eliminados cerca de 99 por cento dos produtos químicos.

“Ao reduzir gradualmente os hidrofluorcarbonetos (HFC), gases potenciadores do aquecimento climático, essa alteração pode evitar o aumento até 0,4ºC da temperatura global até ao final do século, enquanto continua a proteger a camada de ozono”, afirmou a organização.

O mais recente relatório publicado em novembro do ano passado pelas Nações Unidas revelou que nas últimas três décadas partes da camada de ozono recuperaram à taxa de um a três por cento.

Caso estes valores se mantenham, o Hemisfério Norte pode estar completamente recuperado até 2030. Contudo, a cicatrização do resto do planeta apenas deve ficar concluída na década de 2050, no Hemisfério Sul, e nas regiões polares, até 2060.
Antártida com menor camada de ozono em três décadas
O Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus (Copernicus Atmosphere Monitorization System - CAMS) revelou esta segunda-feira que a Antártida pode vir a ter a menor camada de ozono das últimas três décadas.

Segundo as observações dos investigadores, a área está relativamente abaixo do valor normalmente registado nesta altura do ano.

"Neste momento, acho que devemos ver isso como uma anomalia interessante. Precisamos de descobrir mais sobre o que causou isto”, concedeu à BBC News o vice-presidente da CAMS, Richard Engelen.
CAMSDireitos de imagem: CAMS

“Quando, no final da primavera, as temperaturas aumentam na atmosfera (estratosfera), a diminuição da camada de ozono acalma e no fim de dezembro os níveis voltam ao normal. Desde a proibição dos halocarbonetos (moléculas de cloro, bromo ou flúor e carbono - os gases que provocam o efeito de estufa) que a camada de ozono tem vindo a recuperar lentamente; os dados mostram claramente uma tendência para a diminuição da área do buraco na camada de ozono”, explicaram os especialistas da CAMS.

Composto por três átomos de oxigénio, o ozono (O3) forma uma camada, na estratosfera, responsável por filtrar a radiação ultravioleta vinda dos raios solares. O processo de interconversibilidade entre o ozono e o oxigénio absorve a maior parte dessa radiação, ajudando assim a preservar a vida no planeta.
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