Investigadores portugueses querem controlar vespa asiática com colocação de chip

| Ambiente

À esquerda, vespa fundadora, à direita vespa obreira de segunda geração
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Um grupo de investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro encontra-se a estudar uma forma de instalar sensores de localização na vespa asiática para a conseguir monitorizar. Este projeto pretende ajudar a travar a proliferação de ninhos desta espécie nos próximos anos.

Parecem inofensivas, mas podem ter uma picada fatal para as pessoas alérgicas ao seu veneno.

A vespa causa efetivamente picadas dolorosas, mas não é agressiva em termos normais”, assegurou o investigador do departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista da UTAD, José Aranha.

Apesar da vespa velupina - mais conhecida como vespa asiática - não ser agressiva, “está a preocupar seriamente a comunidade científica”.

Uma equipa de investigação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) encontra-se a desenvolver um projeto, intitulado de ‘GoVespa’, para tentar localizar os ninhos destas vespas e, no futuro, ajudar as entidades competentes a travar a propagação da espécie.

A metodologia utilizada passa pela captura das vespas vivas, sem as ferir, de modo a proceder à colocação de um microtransmissor no dorso. Posteriormente, as vespas voltam ao seu habitat natural.

Esta solução engenhosa vai permitir localizar cada inseto, através de um radar ou drone - veículo aéreo não tripulado - e descobrir os ninhos secundários das vespas fundadoras, quase impossíveis de identificar.
Combater ou prevenir?
Em 2012 eram apenas 20, sete anos depois já tinham sido cartografados mais de 40 mil ninhos, dispersos por toda a região norte do país.

No ano passado foram cerca de 18 mil ninhos, e este ano, até agora temos cerca de 12 mil”, afirmou José Aranha.

Para José Aranha, a solução deste problema seria destruir o ninho. Contudo, capturar as vespas fundadoras pode ser ainda mais eficaz.

“Ao invés de estarmos a investir esforços no combate, o nosso objetivo é prever a situação”, explicou o investigador.

Apesar de esta equipa de investigação não ter criado o sistema de raiz, o grupo português juntou a tecnologia italiana com a norte-americana para criar uma simbiose “quase” perfeita.

A combinação destes dois métodos permitiu tornar o sensor ainda mais pequeno a um custo de produção muito inferior ao utilizado pelas equipas internacionais.

Neste momento a grande dificuldade está em miniaturizar esses transmissores para que possam ser colocados num inseto tão pequenino e a custos que sejam exequíveis”, revelou José Aranha.

Um resultado preliminar indicou o possível custo destes microtransmissores. O preço destes sensores fica abaixo de um euro. Já a tecnologia de monitorização e seguimento no terreno deverá atingir os 20 mil euros.

Este projeto inovador, em Portugal, ainda se encontra em fase de testes e só avança para a segunda etapa caso os resultados do estudo sejam publicados.

Nós já contactámos o ICNF e as entidades potencialmente financiadoras, mas o projeto só pode avançar mediante a apresentação de resultados e é nisso que estamos a trabalhar nesta fase”, acrescentou.
A vespa de patas amarelas

Predominantemente preta, com uma ampla faixa laranja no abdómen e com patas amareladas, a vespa velutina nigritorax – mais conhecida como vespa asiática – mede pouco mais do que uma moeda de dois euros.

Esta espécie não-indígena, proveniente de regiões tropicais e subtropicais do norte da Índia, do leste da China, da Indochina e do arquipélago da Indonésia, espalhou-se rapidamente pela Europa.

A primeira vez que foi avistada foi há cerca de 15 anos enquanto sobrevoava o território francês. Porém, a sua presença apenas foi confirmada em Espanha, alguns anos depois, mais concretamente em 2010. Portugal e a Bélgica “receberam-na” no ano seguinte e a Itália em finais de 2012.

Não existe ainda nenhum método de controlo eficaz para eliminar a Vespa velutina, sendo que a instalação descontrolada de armadilhas e a destruição dos ninhos de outras espécies de vespas é prejudicial para a biodiversidade, principalmente de insetos polinizadores”, aconselha o Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal.

De acordo com os dados revelados pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, esta espécie constrói o ninho - entre fevereiro e finais de abril -, na maioria das vezes, num lugar protegido, alto e isolado, tal como árvores e edifícios.

As árvores com uma altura superior a dez metros de altura costumam ser as prediletas, pelo menos, em 73 por cento das vezes. Nos edifícios estima-se que um em cada dez seja o local escolhido para a rainha construir o seu próprio abrigo. Estes ninhos embrionários parecem-se a pequenas esferas e não medem mais do que dez centímetros. No entanto, podem atingir mais de meio metro de diâmetro.

A vespa-asiática representa uma ameaça para apicultura por se tratar de uma espécie carnívora e predadora das abelhas, não por terem uma predileção pela espécie, mas por este ser um inseto fácil de apanhar. Como também se alimentam de produtos açucarados, acabam por estragar a fruta e prejudicar a economia agrícola, mais especificamente da fruticultura.

Apesar de não serem das mais agressivas, quando sentem os ninhos ameaçados reagem de modo bastante violento, fazendo perseguições ao longo de centenas de metros. Basta uma praga destes insetos para dizimar, em poucos dias, um enxame de abelhas europeias, uma das maiores espécies do mundo.

Atualmente a vespa velutina encontra-se aparentemente circunscrita a norte do território português.

Lisboa, até agora, é o distrito mais a sul onde existe a presença da vespa velutina”, assegurou à LUSA, Ricardo Vaz Alves, do Serviço da Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR.

"Desde 2017 até ao corrente ano, temos verificado um aumento do número de denúncias", acrescentou.

Ao longo deste ano, o Porto já registou 133 denúncias e Braga somou 92. Em Viseu também foram avistados cerca de 60 ninhos.

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