Projeto-piloto utiliza cabras para a prevenção de incêndios florestais
Vila Pouca de Aguiar, 04 jul (Lusa) -- A associação Aguiarfloresta está a implementar, em Vila Pouca de Aguiar, um projeto-piloto de pastoreio dirigido, que utiliza cabras na gestão da vegetação e, assim, reduz os riscos de incêndios florestais.
Duarte Marques, da Associação Florestal e Ambiental de Vila Pouca de Aguiar, referiu que o projeto vai dispor de 160 mil euros e vai ter como área de intervenção, nesta primeira fase, o planalto de Jales.
A associação vai trabalhar com um rebanho de 50 cabras, que vai pastorear uma área de 90 hectares. Os animais, através da ingestão da biomassa, reduzem o combustível para um incêndio.
Associadas ao projeto estão outras técnicas de intervenção, como a limpeza de matos através das equipas de sapadores florestais ou o uso do fogo controlado.
"Vamos fazer um tipo de pastoreio mais dirigido, em que vamos usar os animais em locais estrategicamente identificados como sendo favoráveis à redução do número de ocorrências e também à limitação da expressão do fogo", frisou Duarte Marques.
O responsável explicou a opção pelo gado caprino com o facto de se tratar de animais mais robustos, que se adaptam a ambientes mais agrestes, ajustados a territórios de montanha e que consomem tipos de vegetação que a maioria dos outros animais não consome.
Paulo Fernandes, investigador e elemento do Grupo de Fogos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), explicou à Lusa que a utilização do pastoreio na prevenção de incêndios é "uma boa técnica" a utilizar até porque, acrescentou, tem um custo menor e tem uma rentabilidade económica associada.
"É uma técnica, deste ponto de vista, interessante", frisou.
No entanto, referiu que é mais "eficaz como manutenção em áreas que foram tratadas com outras técnicas, como por exemplo, do fogo controlado ou intervenções mecânicas".
"Se a seguir se utilizarem rebanhos de cabras para fazer a manutenção, esta é a melhor situação em termos de eficácia, combinação do gado com outro tipo de técnicas", sustentou.
A Aguiarfloresta está ainda a trabalhar com os pastores daquela região, de forma a integrá-los também na gestão do território e defesa da floresta e, ao mesmo tempo, valorizar a pastorícia.
A ideia é incentivar a aposta nos produtos associados à atividade, como a carne, leite ou o queijo, com vista à dinamização da economia local.
Para o efeito, serão criadas plataformas virtuais para a venda destes produtos, criando uma maior proximidade entre os produtores e os consumidores.
"Espera-se obter uma solução mais barata e de maior valor ambiental que as que habitualmente são usadas", salientou Duarte Marques.
O projecto "Economountain, economia da biodiversidade nas serras de Vila Pouca de Aguiar" foi premiado pelo Fundo EDP de Biodiversidade.
No âmbito do projeto, a Aguiarfloresta promove na sexta-feira o workshop "Caprinos na Gestão Florestal", no qual vão ser debatidos temas como a utilização do pastoreio na defesa da floresta contra incêndios, questões sanitárias e a movimentação dos animais nos rebanhos.